Encorajamento para dias difíceis (XXX)

Warren W. Wiersbe

 

Contentamento – Onde?

     As suas circunstâncias aborrecem-no? Encontra-se naquele lugar na vida onde deseja que nada mude, e no entanto tudo está a mudar? Está a ter que se ajustar a novos vizinhos ou novas pessoas? Então Paulo tem uma boa palavra para si: “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho” (Fil. 4:11).

     É um grande erro edificar a sua felicidade sobre circunstâncias ou coisas, porque as circunstâncias mudam e as coisas têm modo de se desgastarem e de perderem o seu valor. A verdadeira paz interior não pode estar baseada na mudança das coisas externas. Necessitamos de algo mais profundo e mais satisfatório.

     No entanto, a maior parte das pessoas constrói a sua felicidade nas coisas externas passageiras deste mundo. E, por esta razão, elas nunca são realmente felizes. Recentemente, conversei com uma senhora que só conseguia dizer, “Oh, daria tudo, se o meu marido voltasse de novo!” Tanto ela como eu sabemos que ele não vai voltar outra vez, e ela também sabe que é uma loucura construir a sua vida sobre um sonho ilusório.

     O verdadeiro contentamento tem de vir de dentro. Nós não podemos mudar ou controlar o mundo ao nosso redor, mas podemos mudar e controlar o mundo dentro de nós. Tem sido dito muitas vezes que o que a vida faz para nós depende do que a vida encontra em nós. Isto explica o grande testemunho de Paulo, “já aprendi a contentar-me com o que tenho.”

     A palavra contente não significa “complacente.” Paulo era tudo menos complacente! Ele sentia o peso das almas perdidas e levava o Evangelho cidade a cidade, a despeito do perigo ou da perseguição. O contentamento não é uma atitude ilusória ou sentimento vago que o eleva do mundo e o torna imune a problemas e tribulações. Algumas pessoas estão sempre à procura de novos caminhos para se tornarem imunes às feridas da vida ou se protegerem dos golpes e cicatrizes da vida. Isto não é contentamento.

     Na realidade, a palavra que Paulo usou é melhor traduzida por “contido.” Transporta a ideia de auto-suficiência. Por outras palavras, Paulo está a dizer, “Eu não dependo das coisas do exterior, porque transporto a minha própria suficiência no interior.” Certamente que esta suficiência interior é o poder de Jesus Cristo na vida de Paulo, pois ele continua a dizer, “Posso todas as coisas n’Aquele que me fortalece.”

     Contentamento, então, é na realidade “contenção” – ter recursos espirituais no interior para enfrentar corajosamente a vida e lidar com ela de modo bem sucedido. Contentamento é satisfação divina. Contentamento é ter aquele poço artesiano espiritual interior de modo a que não se tenha de correr às cisternas rotas do mundo para se obter o que é necessário. O poder de Cristo no homem interior é tudo o que precisamos para as exigências da vida. Os recursos no exterior, tais como amigos, conselheiros e encorajamentos, apenas são ajudadores enquanto fortalecerem os nossos recursos no interior.

     Se tivesse todos os apoios e muletas removidos da sua vida, conseguiria aguentar-se? Tem dentro de si essa suficiência e satisfação divinas no interior? Pode tê-las se quiser deixar que Deus aja.

     Como é que Paulo alcançou o seu nível elevado de experiência Cristã? Ele diz-nos, “Aprendi ...” Não foi um dom natural que veio automaticamente com a salvação. Foi algo que Paulo aprendeu, e a palavra significa, “aprendeu por experiência.”

     É aqui que nós usualmente caímos. Queremos receber contentamento interior e adequação espiritual instantaneamente lendo um livro, ou fazendo uma oração, ou talvez escutando um sermão, mas essa não é a forma como nós nos tornamos adequados no homem interior. Nós aprendemos isso por experiência. Isto significa que temos de passar por problemas e tribulações, dificuldades e sacrifícios, e temos de enfrentar mudanças nas nossas vidas. Se tudo permanece o mesmo, então morreremos com o status quo. A vida tornar-se-á num caixão confortável; mas quem é que quer ser um cadáver confortável?

     A resistência à mudança é uma das principais causas de descontentamento e preocupação. Nós simplesmente queremo-nos manter a nós, os nossos filhos e as nossas vidas como estão. Nós combatemos a mudança, e ao fazê-lo, roubamo-nos do contentamento que Deus nos pode dar se nos quisermos render a Ele. A minha amiga, viúva há anos, tem estado a rebelar-se contra a realidade dolorosa do seu marido estar morto. A rebelião dela não o trará de volta, mas está a impedi-la de aceitar mudanças necessárias na vida dela. As suas ilusões são almofadas que a impedem de ser ferida pela realidade. Mas também são substitutos que a impedem de crescer.

     Não há crescimento sem desafio, e não há desafio sem mudança. Se as nossas vidas se estão a tornar isoladas e insuladas nunca enfrentaremos quaisquer desafios, mas isso significa que nunca teremos oportunidades para amadurecer. Para as pessoas maduras, a vida é um campo de batalha, mas elas querem enfrentar as batalhas e, pela fé, alcançar as vitórias. Para as pessoas imaturas a vida é um recreio; e elas querem evitar batalhas, mas isso significa que nunca terão a alegria de alcançar vitórias e crescerem no Senhor.

     Leia 2 Coríntios 11 e 12 se quiser ver que espécie de lições e exames Paulo teve na escola da vida! “em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte muitas vezes ... Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo ...” E acrescentemos a isto os perigos que ele enfrentou nas suas muitas viagens, a oposição do inimigo, e o fardo de cuidar de todas as igrejas, e pode ver que a vida não foi afável para Paulo. Ele serviu “em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez ...”

     Mas Paulo sentou-se e teve pena de si próprio? Não! Terá ele resignado à sua chamada e procurou um lugar para se retirar? Não! Em vez de desistir, Paulo olhou para cima e pediu a Deus a graça que precisava a fim de viver para Cristo e realizar a vontade de Deus. Deus disse, “A Minha graça te basta.” Paulo descobriu os recursos interiores do Espírito Santo, os mesmos recursos que nós temos de descobrir se quisermos estar contentes. Paulo aprendeu através de experiência difícil como ser um homem auto-contido, como transportar no seu interior todos os recursos de que precisava para viver para Cristo.

     As dificuldades com que está a lutar, e das quais se está a queixar, podem ser as ferramentas que Deus quer usar para lhe dar paz interior e suficiência. Deixe de lutar – renda-se a Cristo – e aprenderá como ficar contente.

     Sempre que leio a carta de Paulo aos Filipenses, tenho de me lembrar que foi escrita de uma prisão Romana. Paulo era um prisioneiro em Roma, agrilhoado vinte e quatro horas por dia a um soldado Romano, aguardando uma possível execução. No entanto a sua carta está saturada de alegria. Paulo usa umas dezoito vezes nesta carta as palavras alegria ou regozijo. Paulo sabia que a verdadeira alegria não vem de circunstâncias favoráveis no exterior, mas de satisfação espiritual no interior. Quer Paulo estivesse numa prisão ou num palácio, quer estivesse com amigos ou inimigos, ele tinha uma suficiência interior que Cristo lhe facultava.

     Como é que se revela este contentamento interior? Para começar, temos uma paz que impede que nos partamos em pedaços e façamos coisas impulsivas. Temos uma paciência que nos sustém quando tudo à nossa volta parece que se está a desintegrar. Há uma paz interior e equilíbrio que nos faz dominar a situação – vencedores, não vítimas. Nós somos capazes de olhar para a situação bem de frente, encará-la honestamente e tratá-la inteligente e corajosamente.

     Leia Actos 27 e veja a suficiência de Paulo a bordo do navio no meio do temporal. Paulo ia naquele navio como prisioneiro, mas não demorou muito, e ele tornou-se no comandante do navio! Quando os outros tinham desistido, Paulo anunciou que Deus pouparia as suas vidas. Ele podia dizer, “… ó varões, tende bom ânimo: porque creio em Deus ...”. Paulo tinha aprendido por experiência como estar satisfeito através de Cristo em qualquer situação da vida.

     Este segredo não é apenas para apóstolos; é para qualquer Cristão que o queira aprender. Escute novamente o inspirado testemunho de Paulo: “… já aprendi a contentar-me com o que tenho [independentemente da situação em que me possa encontrar] … Posso todas as coisas n’Aquele que me fortalece.”      
São os montículos que te fazem escalar
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