Encorajamento para dias difíceis (XXVIII)

Warren W. Wiersbe

 

A riqueza que conta realmente

     O falecido J. Paul Getty foi considerado o homem mais rico do mundo. Certa ocasião queixou-se ao repórter de um jornal por a inflação estar a lesá-lo e que um bilião de dólares já não era o que costumava ser! Nós provavelmente não sabemos o que fazer com um bilião de dólares, e tenho dúvidas que tanto dinheiro tornasse um Cristão mais feliz ou mais santo. Porque conhecemos Jesus Cristo como nosso Salvador, somos as pessoas mais ricas do mundo. Efésios 1:3 informa-nos que nós, Cristãos, fomos “abençoados com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo.”

     Quando Paulo escreveu a sua carta aos crentes Efésios, ele estava a escrever a pessoas que sabiam alguma coisa sobre riquezas. Éfeso era uma cidade rica. Possuía uma das sete maravilhas do mundo antigo, o grande templo de Diana; e o próprio templo era um Banco onde os cidadãos depositavam os seus valores. Todos os anos vinham a Éfeso milhares de turistas para verem o templo de Diana, e certamente que havia um comércio activo com a venda de lembranças.

     Porém havia algumas pessoas em Éfeso que eram desmesuradamente ricas. Elas não tinham grandes depósitos de ouro ou prata escondidos. Tinham algo muito melhor do que isso – tinham riquezas desmesuradas que nunca lhes poderiam ser tiradas! Paulo mencionou esta riqueza no início da sua carta aos Efésios: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo.”

     Se conhece Cristo como seu Salvador, então esta riqueza pertence-lhe. Não a conquistou; não a mereceu. A riqueza é sua apenas por causa da graça de Deus revelada em Jesus Cristo. Paulo apresenta o assunto de outro modo na sua segunda carta à igreja em Corinto: “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós Se fez pobre; para que pela Sua pobreza enriquecêsseis.” Que espécie de riqueza é esta? A menos que possamos responder a esta questão, a nossa riqueza não nos pode fazer bem! A melhor forma de compreendermos esta riqueza talvez seja contrastá-la com a espécie de riqueza que Deus deu a Israel quando eles entraram na Terra Prometida.

     Para começar, a riqueza de Israel era material; a nossa riqueza é espiritual. Deus prometeu-lhes uma terra que manava leite e mel, uma terra com metais preciosos no interior do solo e admiráveis colheitas no exterior do mesmo. Ele prometeu-lhes colheitas abundantes e rebanhos e gado numerosos. Ele prometeu-lhes chuva quando precisassem, e até lhes disse que não sofreriam das doenças que viram na terra do Egipto. Deus deu verdadeiramente a Israel uma riqueza tremenda.

     Em parte alguma do Novo Testamento Deus promete tornar os Cristãos ricos e confortáveis neste mundo. O próprio Jesus era pobre, e assim eram os Seus discípulos. Paulo descreveu-se “como pobre, mas enriquecendo a muitos.” Pedro confessou, “Não tenho prata nem ouro.”

     Hoje há um tipo de ensino em alguns lugares que equivale riqueza a espiritualidade e bênção de Deus. Se for realmente um Cristão dedicado, dizem eles, então viajará em primeira classe com um grande salário, uma casa faustosa, sem doenças, nem preocupações, nem contas para pagar. Eu não encontro este ensino na minha Bíblia no que concerne aos Cristãos do Novo Testamento.

     A nossa riqueza é espiritual. Nós temos as “bênçãos do Espírito.” Estas bênçãos significam muito mais do que as coisas materiais da vida. Deus prometeu satisfazer todas as nossas necessidades e Ele deu-nos todas as bênçãos espirituais necessárias para vivermos para Ele e glorificarmos o Seu nome. Não meça a vida nem a estatura espiritual por coisas materiais. Interroguemo-nos sobre quantas bênçãos do Espírito estamos de facto a desfrutar e a investir nas nossas vidas.

     Há um segundo contraste entre as bênçãos que Deus deu a Israel e as bênçãos que temos como crentes em Jesus Cristo: as suas bênçãos eram terrenas, enquanto que as nossas são celestiais. Deus prometeu abençoar as suas colheitas, os seus rebanhos, o seu gado, as suas famílias, os seus exércitos, e até a sua pluviosidade. Ele prometeu-lhes “dias do céu sobre a terra” e libertação da fome, doenças, e problemas. Tudo isto é bênçãos ligadas a este mundo e às coisas materiais nele.

     Mas as bênçãos que temos em Cristo são “nos lugares celestiais.” Neste preciso momento, Jesus Cristo está assentado no céu. De acordo com Efésios 2:6, nós, como crentes, estamos assentados com Ele e n’Ele. Podemos estar fisicamente na terra, mas espiritualmente estamos nos lugares celestiais com Cristo.

     Ilustremos esta verdade de um modo simples. Já alguma vez esteve apaixonado? Ou já observou alguém que está apaixonado? Quando uma pessoa está apaixonada, tudo o que diz e faz relaciona-se com a pessoa que ama. Independentemente de onde esteja fisicamente, o seu coração e mente estão com o ente que ama; e isto ajuda a controlar a sua vida.

     Nós estamos nos lugares celestiais, e isto significa que a nossa vida na terra deve ser controlada pelo céu. Nós estamos acima do mundo. Estamos assentados com Cristo no trono do universo! Que privilégio, e que responsabilidade! É isto que Paulo escreve: “...se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra.” A nossa riqueza está nos lugares celestiais, e o nosso coração e mente também devem estar lá.

     Há um terceiro contraste entre a nossa riqueza e a riqueza que Deus deu a Israel na sua terra. A nossa riqueza é permanente e livre, não temporária e condicional. Os Judeus seriam abençoados na sua terra enquanto obedecessem a Deus. Mas se Lhe desobedecessem, Deus podia fazer com que deixasse de chover, podia fazer secar os rios, arruinar as colheitas e trazer à terra desastre físico e económico. Quando lê o seu Velho Testamento, encontra várias ocasiões em que o Senhor disciplinou o Seu povo permitindo que viessem fomes, pestes e até guerras. As bênçãos deles eram temporárias e condicionais.

     Porém as nossas bênçãos espirituais em Cristo são permanentes e livres. Não há fios atados! As nossas bênçãos baseiam-se na graça, não na lei. Quando
foi salvo, Deus abençoou-o com todas as bênçãos do Espírito que sempre necessitou para viver uma vida plena e glorificar o Seu nome. Nós estamos completos em Cristo; nada necessita de ser acrescentado, e nada será removido.

     Porém o gozo destas bênçãos é condicional: temos de nos render ao Senhor, confiar n’Ele, e pela fé recorrer a este vasta riqueza espiritual. Um Cristão desobediente é como o filho pródigo: ele tem riqueza e satisfação abundantes com o seu pai ao voltar para casa, mas ele não pode desfrutá-las na pocilga! Deus nunca removerá as nossas bênçãos em Cristo, mas pela nossa incredulidade ou desobediência podemos roubar a nós mesmos o gozo destas bênçãos.

    Nasceu rico quando nasceu de novo por meio da fé em Cristo. Se nós dermos mais importância às bênçãos espirituais, pode ter a certeza de que Deus cuidará das bênçãos materiais e terá compaixão de nós. Leia a sua Bíblia e descubra quão rico é em Cristo. Depois ajoelhe-se em oração e peça que Deus o ajude a apropriar-se destas bênçãos pela fé. Não há necessidade de vivermos como pobres quando podemos viver como um rei!      
São os montículos que te fazem escalar
 Encorajamento para dias difíceis

Warren W. Wiersbe
Encorajamento para dias difíceis (I)
Encorajamento para dias difíceis (II)
Encorajamento para dias difíceis (IIII)
Encorajamento para dias difíceis (IV)
Encorajamento para dias difíceis (V)
Encorajamento para dias difíceis (VI)
Encorajamento para dias difíceis (VII)
Encorajamento para dias difíceis (VIII)
Encorajamento para dias difíceis (IX)
Encorajamento para dias difíceis (X)
Encorajamento para dias difíceis (XI)
Encorajamento para dias difíceis (XII)
Encorajamento para dias difíceis (XIII)
Encorajamento para dias difíceis (XIV)
Encorajamento para dias difíceis (XV)
Encorajamento para dias difíceis (XVI)
Encorajamento para dias difíceis (XVII)
Encorajamento para dias difíceis (XVIII)
Encorajamento para dias difíceis (XIX)
Encorajamento para dias difíceis (XX)
Encorajamento para dias difíceis (XXI)
Encorajamento para dias difíceis (XXII)
Encorajamento para dias difíceis (XXIII)
Encorajamento para dias difíceis (XXIV)
Encorajamento para dias difíceis (XXV)
Encorajamento para dias difíceis (XXVI)
Encorajamento para dias difíceis (XXVII)
Encorajamento para dias difíceis (XXVIII)
Encorajamento para dias difíceis (XXIX)
Encorajamento para dias difíceis (XXX)

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