Encorajamento para dias difíceis (XVI)

Warren W. Wiersbe

 

Princípios básicos da oração

     Um dos privilégios maiores que temos é a oração. Quando os discípulos viram Jesus em oração, disseram-Lhe, “Senhor, ensina-nos a orar.” A si e a mim foram ensinadas orações quando éramos crianças, e agora precisamos de aprender como orar. A oração é muito mais do que palavras provenientes dos lábios; a oração é a expressão dos desejos do coração. John Bunyan disse, “Ao orares, que antes o teu coração fique sem palavras, do que as tuas palavras sem coração.” A Bíblia contém muitas promessas de oração, mas eu gostaria de considerar apenas uma – João 15:7: “Se vós estiverdes em Mim, e as Minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.”

     Os discípulos estavam com o coração partido. Jesus tinha-se reunido com eles no cenáculo, e tinha-lhes dito que os ia deixar. Durante três anos Ele tinha-os ensinado, guiado, protegido, até alimentado, e agora ia deixá-los. Naquela última mensagem antes da cruz, Jesus explicou-lhes como cuidaria deles a partir do céu; e uma das Suas promessas era que Ele responderia às suas orações. Na maravilhosa promessa de João 15:7 existem três factores envolvidos – permanecer (estar), pedir, e responder.

     Em João 15 Jesus usa pelo menos uma dúzia de vezes a palavra estar (permanecer). A Sua ilustração é a de uma videira com as suas varas. As varas estão unidas à videira, e extraem dela a sua vida e força. Tudo o que a vara tem de fazer é permanecer, ficar em contacto com a videira, e dará fruto. Nós, como Cristãos, estamos unidos a Cristo pela fé. Mas, juntamente com esta união, tem de haver comunhão; nós temos comunhão com Cristo e extraímos d’Ele a Sua vida e poder. Permanecer em Cristo significa simplesmente manter comunhão com Ele; e isto nós conseguimos através da Palavra de Deus, da adoração, e da obediência. Se Lhe desobedecemos quebramos a comunhão, e não conseguimos orar. Mas se Lhe obedecemos e permitimos que a Sua Palavra controle as nossas vidas, então podemos orar e Deus responderá.

     Este permanecer tem duas faces: nós permanecemos em Cristo e a Sua Palavra permanece em nós. Se nós passarmos tempo todo o dia na Palavra de Deus, então podemos falar a Deus das nossas necessidades e pedir-Lhe a Sua ajuda. Quando abro a minha Bíblia, Deus fala-me. Quando eu oro, falo com Deus. É muito mais importante que eu escute Deus do que Ele escutar-me a mim! Um dos segredos da oração respondida é permanecer na Palavra e deixar que a Palavra permaneça sem si. Passar tempo a ler a Bíblia é como passar tempo a conversar com um amigo querido.

     É trágico ver quantos Cristãos negligenciam a comunhão com o Senhor. Eles levantam-se à pressa em cada novo dia sem tomarem tempo para lerem a Bíblia ou falarem com Deus. Depois interrogam-se porque é que os problemas se desenvolvem e porque é que Deus não responde às suas orações.

     O segundo factor envolvido na oração é pedir. “Se vós estiverdes em Mim, e as Minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.” A oração é muito mais do que pedir; também envolve louvar a Deus, dar-Lhe graças, adorá-Lo e rendermo-nos a ele. Porém o pedir é uma parte importante da oração. Jesus disse, “Pedi, e dar-se-vos-á.” E Tiago escreveu, “Nada tendes, porque não pedis.”

     Que direito temos de pedir ao Deus Todo-poderoso o que quer que seja? Não será uma grande presunção um fraco ser humano pedir algo ao Deus do universo? Há duas respostas para esta questão. Para começar, nós não somos exactamente “fracos seres humanos”; nós somos filhos de Deus por fé em Jesus Cristo. Jesus uma vez disse, “Se, vós pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhos pedirem?” Deus ouve os pedidos dos Seus filhos. Pedro escreveu, “...os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos às suas orações ...”

     Quando eu era criança, as crianças da vizinhança juntavam-se sempre em nossa casa. Posso lembrar-me das vezes em que havia quinze ou mais crianças na nossa entrada ou no nosso quintal. O meu pai e a minha mãe ouviam a algazarra, mas os seus ouvidos estavam especialmente sintonizados com as vozes dos seus quatro filhos. Com Deus também é assim.  Ele ouve as vozes da natureza, segundo o salmista – os animais e pássaros quando clamam por comida. E Deus ouve as vozes das nações em rebelião. Mas acima de toda a refrega de vozes neste mundo, Deus ouve os clamores dos Seus filhos. Nós temos o direito de pedir a Deus do que necessitamos porque somos Seus filhos por fé em Jesus Cristo.

     Mas há uma segunda razão porque temos o direito de orar: Deus convidou-nos a orar. Na realidade, Ele ordenou-nos. Ele sabe que não podemos ser bem sucedidos na vida a menos que oremos, por isso encorajou-nos a orar. Pensará que nos devemos regozijar com este privilégio; no entanto de algum modo tornamo-nos descuidados e esquecemo-nos de Lhe pedir o que necessitamos.

     Permaneça em Cristo, e então peça o que necessita. A oração é adoração; a oração é louvor e gratidão; mas a oração é primariamente pedir a Deus o que necessitamos. Se permanecermos n’Ele, e as Suas palavras permanecerem em nós, então saberemos o que pedir, e não pediremos egoística e loucamente. Se formos negligentes em permanecer, então estejamos certos de que falharemos em pedir. Passe tempo a falar com Deus. Fale-Lhe das suas necessidades, dos seus problemas, dos desejos do seu coração; e peça-Lhe que lhe dê o que Ele sabe que é melhor. Se permanecer n’Ele, poderá pedir o que quiser e Deus responderá, porque a espécie exacta de permanecer conduzirá à espécie exacta de pedir.

     Responder é o terceiro aspecto da oração em João 15:7. Deus gosta de responder à oração, exactamente como nós, pais, gostamos de satisfazer as necessidades dos nossos filhos quando eles nos pedem. John Newton escreveu num dos seus hinos:

Diante de um Rei te estás a apresentar,
Grandes petições Lhe estás a suplicar
Pois a Sua graça e poder são tais
Que ninguém pode pedir demais.

     Podemos imaginar aqueles discípulos desencorajados naquele cenáculo a escutar Jesus a falar-lhes sobre oração. Até então eles nunca tinham realmente orado. Jesus estava com eles e eles podiam voltar-se imediatamente para Ele com os seus problemas. Mas agora Ele estava a deixá-los, e promete satisfazer as suas necessidades se eles tão-somente permanecerem e pedirem.

     Trench disse que oração não é vencer a relutância de Deus, mas tomar posse da Sua vontade. Quando éramos crianças, aprendemos rapidamente como aproximarmo-nos dos nossos pais a fim de lhes pedirmos o que precisávamos. Descobrimos que havia algumas coisas que nunca deveríamos pedir pois teriam como resposta um não certo. O mesmo é com Deus: quando Lhe pedimos o que Ele tem prometido dar-nos, Ele responde às nossas orações e satisfaz a necessidade. É por isso que a Bíblia é tão importante na oração – diz-nos o que Deus quer dar-nos. A Bíblia é o nosso livro de cheques, e as orações são os cheques que escrevemos, para sacarmos os recursos infinitos de Deus.

     O problema mais difícil na oração talvez seja o problema da demora. Nós dizemos a Deus as nossas necessidades, confiamos que Ele opere, e no entanto parece que nada está a acontecer. Deus sabe como e quando responder à oração. O relógio de Deus nunca necessita de corda ou de acerto – está sempre certo. Tem sido bem dito, “As dilações de Deus não são negações de Deus.” Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos, e Ele sabe aquilo que é melhor.

     Quando se determinar a orar, comece pelo permanecer e deixe que a Palavra de Deus entre no seu coração e o purifique. Depois faça o pedido – diga a Deus o que lhe vai no coração. Deixe o assunto com Ele e Ele terá o cuidado de responder no Seu bom tempo.      

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