Encorajamento para dias difíceis (XIV)

Warren W. Wiersbe

 

Após a vitória

     Andrew Bonar foi um piedoso ministro Presbiteriano na Escócia que viveu uma longa vida frutuosa. Ele era um amigo chegado de D. L. Moody e ensinou a Moody muitas coisas sobre a Bíblia e a vida Cristã. Muitas das suas afirmações foram-nos preservadas, e particularmente uma delas tem prendido a minha atenção: “Sejamos vigilantes após a vitória como antes da batalha.” Esta declaração está em paralelismo com o aviso de Paulo em Efésios 6: “Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, havendo feito tudo, ficar firmes.” É possível vencer-se a batalha e depois perder-se a vitória.

     Como Cristãos nós enfrentamos batalhas. Combatemos contra Satanás e os seus ardis; também combatemos contra este sistema do mundo que se tem desviado de Deus. E, também temos uma batalha contra a carne; a nossa velha natureza quer levar-nos à desobediência. A vida Cristã não é um pátio de recreio; é um campo de batalha, e nós temos de estar em guarda permanentemente. Nós nunca sabemos quando é que Satanás nos vai tentar. Pedro escreve, “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar.” Porém às vezes Satanás não surge como leão rugidor; vem como serpente enganadora, e nós temos de ser capazes de detectar as suas armadilhas e evitá-las.

     Paulo avisa-nos, “Aquele pois que cuida estar em pé, olhe não caia.” O período mais perigoso – o período que requer mais vigilância – é quando temos conseguido uma vitória. Por alguma razão, após uma vitória, nós baixamos a guarda, tornamo-nos auto-confiantes, e isto dá ao inimigo oportunidade de intrometer-se e derrotar-nos.

     Foi isto que aconteceu ao profeta Elias após a sua grande vitória no Monte Carmelo. Recordar-se-á que desceu fogo do céu e devorou o sacrifício, provando assim que o Deus de Elias era o verdadeiro Deus de Israel. A seguir Elias destruiu os falsos profetas e sacerdotes e esperou que a nação desse meia volta e se arrependesse. Mas a nação não se arrependeu. Eles continuaram exactamente do mesmo modo que antes da grande disputa na montanha. Desanimado e derrotado, Elias fugiu pela sua vida e foi para o deserto amuado; ele até pediu a Deus que lhe tirasse a vida! Sim, Elias venceu a batalha, mas perdeu a vitória.

     Nada abre tanto a porta para a derrota como o excesso de confiança após uma grande vitória. Quando Josué e os exércitos de Israel foram conquistar a terra prometida, eles capturaram a murada cidade de Jericó sem nenhuma dificuldade; mas a pequena cidade de Ai acabou por ser uma derrota desastrosa. Porquê? Porque eles estavam com excesso de confiança. Eles decidiram que se tratava de uma cidade pequena, em contraste com a grande cidade de Jericó, e arrazoaram que se tinham conseguido capturar Jericó, seriam capazes de deitar as mãos a Ai. Mas eles não tomaram Ai; eles foram humilhados e derrotados. No seu excesso de confiança, esqueceram-se de pedir a direcção de Deus, e porque havia pecado no acampamento, o seu exército foi derrotado.

     Muitas vezes há provas difíceis após grandes vitórias. Moisés e Israel atravessaram o Mar Vermelho em grande vitória e viram os exércitos do Egipto afundarem-se nas águas; mas três dias depois o povo estava com sede, e a água que tinham encontrado era amarga. Em vez de confiarem em Deus que os tinha remido, o povo começou a queixar-se. Sim, eles tinham ganho a batalha, mas tinham perdido a vitória.

     Depois do Senhor Jesus e os Seus apóstolos terem alimentado os cinco mil com escassos pães e peixes, Jesus mandou os doze ir de barco para o outro lado do Mar da Galileia. Tenho a certeza que os homens odiaram ter de deixar aquela multidão, pois agora eles eram líderes muito populares. Que coisa tremenda foi alimentar tanta gente com tão pouco! Quando começaram a travessia do mar, levantou-se um temporal e logo ficaram aterrorizados e a gritar de medo. Em vez de confiarem na provisão de Jesus, cederam ao desespero. Em terra, tinham ganho a batalha; mas no mar, perderam a vitória.

     É significante  que imediatamente após Jesus ter sido baptizado e Deus ter falado do céu e do Espírito Santo ter descido como uma pomba, Jesus foi a seguir guiado pelo Espírito ao deserto a fim de ser tentado pelo diabo. Uma coisa é confiarmos em Deus quando vemos o Espírito como uma pomba, mas outra bastante diferente é confiarmos em Deus quando estamos com fome e sós e somos assaltados pela tentação. No entanto Jesus não perdeu a vitória; Ele derrotou Satanás de uma vez por todas. Um dos períodos mais difíceis de nosso Senhor surgiu imediatamente após uma experiência de alegria e vitória e bênção.

     Estou certo que a sua experiência, bem como a minha, prova que normalmente as grandes provas seguem-se às grandes vitórias. Por essa razão é importante que sigamos o conselho de Andrew Bonar, “Sejamos vigilantes após a vitória como antes da batalha.” Contudo tentemos entender porque é que Deus permite que estas provas se sigam aos nossos triunfos.

     Para começar, penso que o Senhor sabe que as nossas vidas necessitam de equilíbrio. Do mesmo modo que a criação é equilibrada com dia e noite, Inverno e Verão, as nossas vidas devem estar equilibradas com várias espécies de experiências. É um grande encorajamento saber que Deus está no controlo das circunstâncias da vida ao andarmos em obediência a Ele. Se existe uma vitória, foi Ele que a deu. Se há uma prova após a vitória, foi Ele que a permitiu. Nós nunca devemos ter receio das experiências aparentemente contraditórias da vida pois os nossos tempos estão nas Suas mãos.

     Mas  há uma outra razão porque as provas muitas vezes seguem-se aos triunfos: as batalhas ajudam-nos a descobrir quanto realmente aprendemos das bênçãos. Elias viu Deus enviar fogo do céu, no entanto Elias fugiu pela sua vida quando a Rainha Jezabel ameaçou matá-lo. O Deus que responde por fogo não será capaz de proteger o Seu servo? É claro que é! Ou, tomemos os apóstolos – eles viram Jesus multiplicar escassos pães e peixes e tomaram consciência do poder que Ele possuía, mas de alguma forma eles não conseguiram confiar que Ele cuidasse deles no temporal!

     A batalha revela-nos o que Deus pode fazer; mas a manutenção da vitória mostra do que nós somos realmente feitos. Nós conhecemos melhor Deus durante a batalha, mas conhecemo-nos melhor a nós durante a vitória. Elias descobriu o poder de Deus no Monte Carmelo, e a sua própria fraqueza no Monte Horeb. Os discípulos descobriram o poder de Cristo em terra; mas a sua própria incredulidade no mar. O milagre da alimentação dos cinco mil era a lição do dia; mas o temporal foi o exame a essa lição. Demasiadas vezes não aprendemos a lição antes de termos falhado no exame.

     Isto conduz-nos a uma verdade básica que eu espero nos ajude a todos nós nos dias vindouros: durante a vitória nunca duvidemos do que Deus nos ensinou durante a batalha. Cuidado com o excesso de confiança. Quando começar a sentir-se com excesso de confiança, volte-se para o Senhor e peça-Lhe a Sua graça e misericórdia; porque o excesso de confiança abre a porta ao inimigo para nos roubar a vitória. Foi por isso que Jesus disse, “Vigiai e orai.” Mantenha os seus olhos abertos! Não confie na carne, independentemente de quão bem se possa sentir. A maior parte das nossas perdas não ocorrem durante a batalha; ocorrem após a vitória.      
São os montículos que te fazem escalar
 Encorajamento para dias difíceis

Warren W. Wiersbe
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