Encorajamento para dias difíceis (VIII)

Warren W. Wiersbe

 

Escape ou cumprimento?

     Quando Jesus foi preso no Jardim do Getsêmane, Pedro tentou defendê-lo com uma espada. Jesus repreendeu Pedro e disse, “Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a Meu Pai, e que Ele não Me daria mais de doze legiões de anjos? Como pois se cumpririam as Escrituras ...?” Nesta declaração, Jesus está a dizer-nos que há duas formas de enfrentarmos as crises da vida – escape ou cumprimento. Qual destas abordagens segue?

     A depressão é um problema sério no mundo de hoje. Custa milhões de dólares aos empregadores porque os seus empregados ou não estão no trabalho, ou, se estão, não são produtivos. Está a custar às famílias a sua felicidade, e em muitos exemplos a depressão está a custar vidas. Muitas pessoas suicidam-se na fornalha da depressão, quando toda a esperança e toda a razão de viver se esvaem delas! A depressão é uma coisa séria, e nós devemos saber como lidar com ela.

     É inquestionável que todos os exércitos do céu teriam ficado contentes em precipitar-se para o Getsêmane e livrar o Filho de Deus das mãos de homens pecadores. Tudo o que Jesus tinha de fazer era proferir a palavra. Se o poder estivesse nas mãos de Pedro, ele teria convocado o arcanjo mais elevado e destruído Jerusalém! Mas Jesus não fez essa abordagem. Ele podia ter escapado, mas essa não era a vontade de Deus. Em vez de enfrentar a Sua crise com a filosofia de escape, Jesus enfrentou-a com uma atitude de cumprimento.

     Nós não podemos impedir as horas de crise da vida. E quanto mais velhos nos tornamos, mais séria se torna a vida. Em primeiro lugar, tomamos consciência que as nossas decisões afectam muitas outras pessoas. E também tomamos consciência que o tempo escoa – não nos podemos dar ao luxo de cometer demasiados disparates. Portanto, as horas de crise vêm até nós; mas como é que as enfrentamos? Que atitude tomamos quando os fundamentos abalam e os muros à nossa volta caem?

     Muitas pessoas tomam a mesma atitude que Pedro tomou no jardim – a atitude do escape. Pedro desembainhou a sua espada e tentou defender Jesus. Foi um gesto nobre, mas Pedro estava errado no seu raciocínio. Para começar, Jesus não precisava de espadas para se defender. Ele podia ter chamado legiões de anjos se Ele Se quisesse defender. Porém o grande erro que Pedro estava a cometer foi o seguinte: ele estava a impedir que Jesus cumprisse o propósito para que veio à terra! A acção de Pedro era zelo sem conhecimento. Ele pôs-se a defender quando devia estar a submeter-se.

     Antes de criticarmos Pedro em demasia, olhemos para as nossas próprias vidas. Quantas vezes temos tentado escapar quando nos devíamos ter rendido à vontade de Deus? Todos nós não temos cicatrizes de batalhas que nunca deveriam ter sido combatidas? Eu tenho a certeza que sim. Tentar escapar à crise é fazer aquilo que é natural, mas isso não o torna certo. Afinal, como Cristãos vivemos num plano muito mais elevado – vivemos pela fé, não por vista.

     Todas as vidas têm as suas experiências Getsêmane. Há aquelas horas em que parece que as forças do mal nos assaltam e capturam. Todos os nossos planos se desmoronam. Os fardos tornam-se quase insustentáveis. Interrogamo-nos sobre o que pode acontecer a seguir. Nessas horas de crise da vida mantenha simplesmente em mente o que Jesus fez – Ele rendeu-Se e permitiu que o Seu Pai no céu operasse o Seu plano. Jesus não escolheu o escape; Ele escolheu o cumprimento.

     Neste ponto pode estar a dizer, “Tudo o que tem dito é verdade. Mas a vida de Jesus é diferente das nossas vidas. Ele veio para cumprir um propósito definido, portanto era natural que Ele Se rendesse à vontade do Pai. Isto aplica-se a nós?” Sim, este princípio do cumprimento aplica-se a si e a mim. Deus tem um plano definido para as nossas vidas. Paulo apresenta-o deste modo em Efésios 2:10: “Porque somos feitura Sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” Se se render a Cristo, a sua vida não será uma série de acidentes; será uma série de designações.

     É vitalmente importante que Deus tenha um plano para si. Se Deus não tem um plano então a vida não tem significado. O sofrimento será em vão; o sacrifício será sem sentido. Se não há desígnio para as nossas vidas, então não há nada para cumprir e a acção lógica é escapar. Porém há um desígnio celestial. A vontade de Deus a seu respeito é a expressão do Seu amor por si. Isto explica a maravilhosa promessa de Romanos 8:28: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto.”

     Não escape, mas cumprimento – é esta a lição que Jesus nos ensina no Jardim do Getsêmane. Ele podia ter convocado os exércitos do céu para O livrarem, mas em vez disso Ele rendeu-Se para que os propósitos de Deus pudessem ser cumpridos. E Ele sabia que quando Se rendesse tal significaria vergonha, sofrimento e morte. Ao render-Se às mãos de homens pecadores Ele estava realmente a pedir sofrimento! Mas essa era a vontade de Deus, e isso era tudo o que interessava. E qual foi o resultado? Ressurreição e glória! A cruz não foi o fim; o túmulo vazio não foi o fim. Ele cumpriu a vontade de Deus e entrou na glória!

     Nós nunca devemos errar o processo para o resultado. Quando não foge, mas fica para enfrentar a crise na vontade de Deus, há sofrimento; mas isso é somente o processo. Deus não irá parar o processo; Ele quer produzir o resultado final. O sofrimento conduz à glória; a vergonha conduz à honra; a fraqueza conduz ao poder. É esta a forma de Deus fazer as coisas. Os homens farão o seu pior, mas Deus dará o Seu melhor. Jesus rendeu-se às mãos de homens ímpios para poder cumprir os propósitos de Deus – e esses propósitos foram cumpridos. Ele pagou o preço da nossa salvação, e agora qualquer pecador pode voltar-se para Deus, por meio da fé em Cristo, e ser salvo do pecado.

     Eu não sei que crise pode estar a enfrentar exatamente neste momento, mas eu sei o seguinte: será tentado a escapar. Todos nós o temos feito. Temos orado e pedido a Deus que envie os Seus anjos para nos livrar. Se o escape é a sua abordagem à vida, então vai perder todas as bênçãos que Deus tem para si. Em primeiro lugar, as pessoas que praticam o escape nunca amadurecem realmente. Não pode crescer em fé e paciência enquanto foge. E estas pessoas nunca glorificam Cristo realmente. Esconder a sua luz sob uma saída de emergência não é forma de glorificar o Senhor.

     Às vezes o escape parece ser o caminho fácil, mas acaba por se tornar no caminho difícil. Tive um amigo que evitou ir ao médico porque receava ter de ser submetido a uma cirurgia. Quando finalmente teve a cirurgia, era demasiado tarde. As experiências crise da vida por vezes são como a cirurgia – elas ferem-nos, mas não nos prejudicam. O processo pode ser penoso, mas o resultado é gozoso.

     Nós rendemos as nossas vidas a Jesus Cristo; Ele é o nosso Salvador e Senhor. Ele prometeu nunca nos deixar ou abandonar. Ele não promete livrar-nos de todas as crises, mas Ele promete fazer com que as atravessemos. Ele quer que pratiquemos o cumprimento, não o escape; e Ele tem-nos dado o exemplo. Vemos n’Ele que a vontade de Deus é a melhor coisa, a única coisa. Em vez de fugir, corra para os braços do nosso Pai celestial de amor e deixe que Ele cumpra os Seus maravilhosos propósitos na sua vida hoje.      

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