Encorajamento para dias difíceis (VI)

Warren W. Wiersbe

 

Em tudo dai graças

     A vida tem as suas perplexidades e até as suas tragédias. Há experiências que vêm a nós que simplesmente não entendemos. De facto, há ocasiões em que é muito difícil ser agradecido. No entanto 1 Tessalonicenses 5:18 ordena-nos, “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.”

     Neste ponto pode dizer, “Mas há uma diferença entre dar graças em tudo e dar graças por tudo.” Concordo. Mas o Senhor quer que façamos ambas as coisas.  1 Tessalonicenses 5:18 manda-me dar graças em tudo, e Efésios 5:20 diz, “Dando sempre graças por tudo ... .” Não pode escapar ao facto de que Deus espera que sejamos gratos independentemente das circunstâncias que possam vir às nossas vidas. 

     Estes versículos são mais fáceis de ler do que obedecer. Quando sou esperado numa conferência e o meu voo é cancelado devido às condições atmosféricas, não é fácil dar graças. Quando um responsável valioso na igreja é transferido para uma outra cidade e não tem um substituto imediato, pode achar difícil ser agradecido. Quando um ente querido adoece ou é levado pela morte, não é fácil dar graças. Estará Deus a ordenar o impossível? Estará Ele a troçar de nós e a tornar a dor ainda pior? Já é suficientemente mau sofrermos por causa das circunstâncias, e temos de sofrer também a culpabilidade de não sermos verdadeiramente agradecidos?

     Comecemos com um facto óbvio: Deus nunca ordena o que não somos capazes de realizar, de outro modo Ele estaria a troçar de nós e a enfraquecer a Sua própria Palavra. Quando Jesus estava a ministrar na terra, os Seus mandamentos capacitavam as pessoas a fazer o impossível. Ele ordenou a um homem com uma mão mirrada que estendesse a sua mão, e o homem fê-lo e foi curado. Ele ordenou a um paralítico que se levantasse e andasse, e o homem fê-lo. Foi bem dito que os mandamentos de Deus são as capacidades de Deus. Assim, se Deus me manda ser agradecido por todas as coisas e em todas as coisas, então Ele capacitar-me-á para Lhe obedecer, e eu serei uma pessoa melhor por causa disso.

     Como é que Deus nos dá esta capacidade? Como é que podemos despertar nos cuidados intensivos do hospital e ainda sermos agradecidos? Como é que nos podemos erguer diante de uma sepultura aberta e agradecer sem sermos hipócritas? A resposta encontra-se nestas três grandes virtudes Cristãs – fé, esperança, e amor. Quando a fé, a esperança, e o amor são poderes vitais nas nossas vidas, então independentemente de quaisquer dificuldades que possam advir, poderemos agradecer ao nosso Pai no céu e trazer glória ao Seu nome.

     Se ama uma pessoa, não terá receio dela. O apóstolo João escreve, “O perfeito amor lança fora o temor,” e isto é verdade. Eu não posso conceber que uma criança ame o pai e depois esteja com um medo de morte desse pai, a menos, é claro, que haja alguma espécie de instabilidade emocional. É por isso que a fé e o amor andam juntos: quando ama uma pessoa, confia nela – não a receia.

     Este relacionamento aplica-se ao Cristão e ao Senhor. Se amamos o nosso Pai no céu, então não receamos o que Ele possa permitir vir às nossas vidas. Se Ele nos ama, Ele não pode prejudicar-nos. Ele pode permitir o sofrimento e dor, mas não pode permitir que um Seu filho seja prejudicado pelas tribulações da vida. Deus permitiu que Job passasse por toda a espécie de tribulações, no entanto no fim, as tribulações foram para bem de Job e para a glória de Deus. Job sofreu, mas o seu sofrimento conduziu à glória. Job chorou, mas as suas lágrimas converteram-se em alegria. Pode ter a certeza que o seu Pai no céu ama-o, e por conseguinte pode confiar n’Ele.

     Agora apliquemos esta verdade a algumas dificuldades da vida diária. Algumas dificuldades surgem-nos, porventura uma aparente tragédia. A nossa primeira reacção é, “Porque é que isto aconteceu?” A nossa segunda reacção provavelmente é, “Porque é que isto me aconteceu a mim?” Afinal, se eu ando com o Senhor, se Lhe obedeço, e o Sirvo, porque é que esta tribulação veio à minha vida?” Se não tivermos cuidado neste ponto, o diabo entrará em cena e começará a tornar as coisas piores. Ele é o acusador dos irmãos e é hábil em levar-nos a duvidar do amor e do cuidado de Deus. Ele dirá, “Se Deus te ama tanto, porque é que isto aconteceu? Eu pensava que Deus tinha prometido cuidar dos Seus filhos. É óbvio que Ele não está a cuidar de ti.”

     Neste estágio da sua experiência, agarre-se à verdade de que Deus o ama, e não permita que alguém a roube de si. As circunstâncias podem assaltá-lo; Satanás pode acusá-lo; os seus amigos Cristãos podem mesmo abandoná-lo, mas Deus ama-o precisamente tanto como quando Ele deu Jesus para morrer por si na cruz. As suas circunstâncias têm mudado, e os seus sentimentos têm mudado, mas o amor de Deus não tem mudado.

     Quando experimenta o amor de Deus no seu coração, então a sua fé torna-se mais forte, e pode dar graças. Pode ter a certeza de que dar graças quando tudo se desintegra é um verdadeiro acto de fé, mas nós Cristãos “andamos por fé e não por vista.” Nós dizemos a nós mesmos, “O meu Pai ama-me e sabe tudo sobre esta dificuldade. Porque Ele me ama, posso confiar n’Ele. Ele tem algum propósito maravilhoso em mente que eu não consigo ver neste preciso momento. Ainda que Ele me mate n’Ele confiarei.” Quando nós expressamos uma fé e amor assim, o Pai encherá os nossos corações com a Sua bênção e nós poderemos dar graças. É um milagre da graça de Deus, e realmente funciona.

     O amor aumenta a nossa fé, e quando temos fé e amor, temos esperança. Permita-me que ilustre com uma criança e os seus pais. Os pais levam a criança ao médico para fazer um exame de rotina, e o médico descobre que a criança precisa de fazer uma cirurgia. A criança, claro, fica angustiada; ela tem a certeza que se o seu pai e mãe a amam verdadeiramente, cancelarão aquilo. Mas os pais sabem aquilo que é melhor para o seu filho, e a criança sabe que pode confiar nos seus pais mesmo quando não concorda com o que se passa. O pai diz ao garoto, “Imediatamente após a cirurgia terás de ficar no hospital durante uns dias; eu e a Mãe viremos visitar-te e vamos fazer coisas engraçadas conjuntamente. Depois, quando chegares a casa temos coisas excitantes planeadas.” Porque o rapaz ama os pais, e confia neles, ele tem algo para esperar – e isso é esperança.

     Quando nós passamos pelas dificuldades da vida, o nosso Pai celestial diz-nos: “Tu não entendes tudo isto, mas Eu entendo, e sei que é para teu bem. Confia em Mim e fica certo do Meu amor. Tenho algumas coisas planeadas para ti – não apenas nesta vida, mas na vida vindoura na glória, por isso não desanimes.” A fé e o amor unem-se para produzir esperança, e quando temos fé, esperança, e amor, não achamos difícil dar graças!

     “Em tudo dai graças ... .” Nós não podemos obedecer a este mandamento na nossa própria força; necessitamos do poder do Espírito de Deus e do encorajamento da Palavra de Deus. Nós olhamos para a situação através de olhos cheios de lágrimas e interrogamo-nos sobre o que é que Deus terá planeado, mas sabemos que o Seu amor nunca poderá falhar connosco. Porque nós O amamos e Ele nos ama, confiamos n’Ele, e como a nossa esperança se torna mais forte, podemos louvar o Senhor e dar graças – em tudo e por tudo.      
 
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