Encorajamento para dias difíceis (XXIX)

Warren W. Wiersbe

 

Dá-me este monte

     Todas as nações têm esquecido os seus heróis, e isto é igualmente verdade com a história do Velho Testamento. Nós pensamos logo em homens como Abraão, Isaque, Jacob, José, Moisés, ou David. Mas quantas vezes ouvimos falar de um homem chamado Caleb? Quando Caleb tinha oitenta e cinco anos de idade, ele veio a Josué reclamar a sua herança na terra prometida. Ele disse, “Agora, pois, dá-me este monte.” Que exemplo Caleb é para nós hoje!

     Quando a nação de Israel se aproximou da Terra Prometida, Moisés enviou doze homens à terra para a espiar. Os homens regressaram com um relatório empolgado sobre as riquezas da terra e até trouxeram exemplos dos seus frutos. Eles tinham cachos de uvas tão grandes que eram precisos dois homens para os transportar. Mas, é triste dizer, dez dos doze homens não tinham fé absolutamente nenhuma que Deus lhes pudesse dar a terra. Eles apenas viram as cidades muradas e os gigantes que viviam nelas. Contudo, dois dos espias, Josué e Caleb, tentaram convencer as pessoas que Deus podia dar-lhes a vitória, mas ah, a maioria dominava, e a nação voltou para o deserto. Eles vaguearam durante quarenta anos, até toda aquela geração descrente ter morrido – excepto Moisés, Josué e Caleb.

     Deus conduziu o Seu povo à Terra Prometida. Josué levou-os a atravessar o rio Jordão e a entrar na terra, e eles andaram de vitória em vitória. Então chegou o tempo de reclamarem a sua partilha da herança, e foi aí que Caleb disse, “Dá-me este monte.” Caleb não pediu um lugar fácil; pediu um lugar difícil. A Bíblia diz-nos que este monte era habitado por uma raça de gigantes que vivia nas cidades muradas; porém estes obstáculos não detiveram Caleb. Ele pediu o monte, e pela fé em Deus, ele reclamou o monte e deu-o às gerações futuras da sua família.

     Quais são algumas das lições que aprendemos deste herói esquecido, Caleb? Em primeiro lugar, aprendemos que as derrotas de outros não têm que nos tornar também perdedores. Por causa da incredulidade dos dez espias e do resto de Israel, Caleb teve de vaguear no deserto durante quarenta anos, quando podia ter estado a gozar a sua herança. Mas Caleb não desistiu simplesmente porque a maioria estava errada. Caleb continuou a confiar em Deus, sabendo que um dia reclamaria a sua herança.

   Talvez esteja a sofrer por causa dos erros ou pecados de outrem. Olhe para Caleb e aprenda a importância de confiar em Deus a despeito do que os outros façam. Como Caleb, podemo-nos dar ao luxo de esperar, sabendo que um dia Deus irá honrar a nossa fé e dar-nos-á a nossa herança. O corpo de Caleb pode ter estado no deserto, mas o seu coração estava na terra Prometida. Não é esse o modo como nós, Cristãos, devemos viver? A nossa cidadania está no céu – os nossos corações devem estar no céu. Continue a confiar no Senhor; a sua herança está segura com Ele.

     Quanto mais penso em Caleb, aquele poderoso herói do Velho Testamento, mais o aprecio. Certamente que ele era um homem de fé: apesar do resto da nação duvidar de Deus, Caleb creu em Deus e estava certo de que um dia obteria a sua recompensa prometida. Mas há uma segunda lição que ele nos ensina: a idade não é barreira para se conseguirem conquistas para o Senhor. Eis aqui um homem de oitenta e cinco anos de idade! E está a pedir um monte! Não um monte qualquer, mas um monte controlado por uma tribo de grandes e poderosos guerreiros. Oitenta e cinco anos é uma boa idade para se estar assentado num confortável vale, porém Caleb pediu um monte.

     Se os seus anos já são muito avançados e pensa que por isso a sua obra está concluída, elimine essa ideia da mente. Para Caleb estes anos não eram de declínio; eram anos para se subir mais alto! Ele queria viver no monte! Quão importante é ter uma atitude optimista, entusiástica em relação à vida. Caleb não disse que os seus melhores anos tinham passado; ele disse que os seus melhores anos estavam para vir.

     É verdade que Caleb ainda estava com boa saúde; e isso significa muito. Mas o poder de Caleb advinha da sua fé em Deus. Ele sabia que Deus era poderoso para vencer o inimigo e dar-lhe a sua herança. “… E esta é a vitória que vence …, a nossa fé.” O queixume é pecado; a ansiedade é pecado; mas confiar em Deus em relação ao futuro e reclamar a nossa herança é entrar numa vida de gozo e satisfação.

     Não sei que montes pode estar a enfrentar precisamente neste momento. Talvez tenha diante de si um monte de dívidas – contas médicas e algumas outras obrigações. Talvez seja um monte de sofrimento, ou pode ser que esteja a encarar uma cirurgia. Não olhe para esse monte como um inimigo a evitar; olhe para ele como uma herança a reclamar. Peça a Deus que lhe dê esse monte, e confie n’Ele para que lhe dê a vitória.

     Caleb é um homem que nos ensina a olhar para a frente e não para trás. Quando finalmente a nação de Israel entrou na Terra Prometida, Caleb podia ter-se sentado e ficado amuado. Ele podia ter lembrado aos líderes que tinha estado em minoria – que tinha dito para entrarem na terra – e que estava certo. Ele podia ter passado em revista aqueles quarenta anos de vagueações inúteis e ter-se queixado daquilo. Mas ele não fez isso! Pelo contrário, em vez de olhar para trás, Caleb olhou para a frente e reclamou este monte.

     Há algum valor em olhar-se para trás. Moisés disse ao povo para se lembrarem da forma como Deus os tinha conduzido, e avisou-os para que não se esquecessem do que Deus tinha feito por eles. Na Ceia do Senhor nós olhamos para trás a fim de nos lembrarmos de Cristo e da Sua morte por nós na cruz. Mas também olhamos para a frente, para o tempo em que Cristo virá de novo para o Seu povo. Não, olhar para trás, em si, não é pecado. Porém quando o olhar para trás nos impede de olhar para a frente, então estamos a desobedecer a Deus.

     Caleb não olhou para trás. Ele olhou para a frente e confiou que Deus lhe desse um futuro vitorioso. O lema de Caleb era, “O melhor ainda está para vir!” E não é este o lema de todo o verdadeiro Cristão? Há sempre novas bênçãos a receber, novas lições a aprender, e novas vitórias a alcançar. A vida seria terrivelmente aborrecida se, de vez em quando, Deus não trouxesse novos desafios às nossas vidas.

     O quadro bonito com a vitória de Caleb foi ele poder ter deixado aquele monte como herança à sua família. Os seus filhos e netos desfrutaram daquele monte nos anos que se seguiram. As decisões que fazemos na vida afectam outras pessoas. Se fugirmos aos desafios da vida, perdemos a herança que poderíamos deixar aos outros. Mas se, como Caleb, enfrentarmos os desafios honestamente e os reclamarmos pela fé, então enriqueceremos a nossa herança, e isso significa bênção para os outros.

     Sempre que penso em Caleb, penso em Jesus Cristo. Um dia Ele enfrentou um monte chamado Calvário. Seria no Calvário que Jesus morreria pelos pecados do mundo e através disso reclamaria a maior herança da história. Ele tornaria possível que pecadores se tornassem filhos de Deus e entrassem no céu. Ele deixaria para nós uma herança magnífica. O apóstolo Pedro diz-nos que esta herança é “incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar.” Caleb teve de combater muitas batalhas contra gigantes para reclamar a sua herança. Jesus combateu uma batalha única no Calvário, e deu a Sua vida para assegurar a vitória; e agora Ele reina como Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, e nós reinamos com Ele quando a Ele nos rendemos.

     Se quiser reclamar o seu monte, comece por render-se a Cristo. Só Ele lhe pode dar a fé e coragem para enfrentar a vida e conquistar o inimigo.      
São os montículos que te fazem escalar
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Warren W. Wiersbe

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