Encorajamento para dias difíceis (III)

Warren W. Wiersbe

 

Três olhares importantes

     As últimas palavras de pessoas importantes têm-me sempre interessado. As palavras finais de Napoleão foram, "França, Chefe do Exército!" John Wilkes Booth, que disparou sobre o Presidente Lincoln, disse só duas palavras antes de morrer: “Inútil – inútil.” O herói naval Britânico Lord Nelson disse, “Graças a Deus cumpri o meu dever.” Mas entre as maiores palavras de todos encontram-se as palavras escritas pelo apóstolo Paulo numa prisão Romana: “Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a Sua vinda” (2 Tim. 4:6-8).

     Quando Paulo aguardava a execução, ele escreveu uma carta de despedida ao seu querido camarada no serviço, Timóteo. Ele escreveu com confiança, não com receio e apreensão. Há uma firmeza tranquila nas suas palavras. Ele sabe que encara a morte, mas isso não o assusta. Ele sabe que a sua obra está quase acabada, mas isso não o desencoraja. As suas palavras surgem com coragem e serenidade, e nesta declaração de fé, Paulo olha em três direcções e dá testemunho da sua confiança no Senhor.

     Primeiro, Paulo olha ao redor e dá testemunho de que está pronto. Que visão admirável da morte! Ele não olha para si mesmo como um prisioneiro que vai ser executado, mas como um sacrifício que vai ser oferecido para a glória do Senhor. A sua vida não lhe está a ser tirada; ele está a oferecê-la ao Senhor. Afinal, Jesus deu a Sua vida por Paulo, e o grande apóstolo agora dá a vida dele pelo seu Salvador.

     Na sua declaração, Paulo evita usar a palavra morte. Não é que ele receie a palavra, ou receie mesmo a experiência. Simplesmente, para o Cristão, não há essa coisa chamada morte. A palavra que Paulo utiliza é partida, e que bela palavra é na língua Grega.

     Significa, em primeiro lugar, desmontar a tenda e deslocar, do mesmo modo que o soldado faz quando a tropa acampa. Paulo via-se como um dos soldados de Deus, vivendo numa tenda – o seu corpo mortal. Ele sabia que a morte era simplesmente a desmontagem da tenda e a deslocação para novo aquartelamento glorioso. Os nossos corpos são simplesmente lugares de habitação temporários. Quando o Senhor nos chamar ao lar celestial, receberemos corpos novos maravilhosos, casas permanentes, e tê-las-emos por toda a eternidade.

     A palavra partida também significa soltar as amarras de uma embarcação e navegar. Isso é o que acontece quando um crente morre – ele solta as amarras do ancoradouro desta vida e deste mundo, e navega para o Céu, a costa eterna. Tennyson usou esta ideia no seu famoso poema “Crossing the Bar” [Cruzando a Barra.] Paulo sabia que a sua morte era simplesmente uma libertação. A prisão não era o seu lar permanente. O seu pequeno navio seria solto e ele chegaria à costa celestial encontrando-se com o Senhor Jesus Cristo.

     Pode olhar ao redor com confiança como Paulo fez e saber que está preparado para ser oferecido? Se confiou em Cristo como seu Salvador, então está preparado, e não há nada a temer.

     Quando chegou ao fim da sua vida Paulo não olhou apenas ao redor; ele também olhou para trás. “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.” Porque confiava em Jesus Cristo, Paulo podia olhar ao redor sem temor, e podia olhar para trás sem pesares.

     Muitas pessoas tentam evitar olhar para trás. É verdade que há uma forma errada de olhar para trás; é errado olhar para trás, para os pecados, falhas e derrotas do passado. Isso somente pode fazer com que hoje se falhe ainda mais. Mas é bom olhar para trás a fim de ver onde estávamos e o que o Senhor fez em nós e por nosso intermédio.

     Quando Paulo olhava para trás, ele via que a vida não tinha sido sempre fácil. Tinham havido batalhas para travar, corridas para efectuar, uma mordomia para cumprir. Ele tinha combatido o mundo, a carne, e o diabo de cidade em cidade, e agora ele estava na sua batalha final em Roma. Houve ocasiões em que ele pensou que iria falhar, mas o Senhor ajudou-o sempre. Ele podia escrever, “Combati o bom combate.”

     Ele também podia escrever, “acabei a carreira.” Este tinha sido sempre o grande desejo de Paulo: “cumpr[ir] com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus …” Cada um de nós tem uma carreira para acabar. Deus tem um lugar para cada um de nós preencher e um trabalho para cada um de nós fazer. Os nossos tempos estão nas Suas mãos. A alguns é dado um período mais curto para a sua obra; outros recebem mais tempo. Estêvão morreu jovem; Paulo teve permissão de viver uma vida mais longa. Mas não é o comprimento da vida que conta, mas a sua profundidade e força. Paulo tinha acabado a sua carreira. Ele podia encarar o Senhor e saber que a sua obra tinha sido completada.

     Ele tinha guardado a fé. Mesmo nos dias de Paulo houve Cristãos professos que se desviaram da fé. Paulo avisou Timóteo, “... nos últimos tempos apostatarão alguns da fé ...” A fé significa a “fé que uma vez foi dada aos santos,” o corpo de verdade salvadora que custou a Jesus Cristo a Sua vida e que está registado na Palavra de Deus. Como bom dispenseiro, Paulo tinha protegido a fé em muitas batalhas. Ele tinha investido em muitas vidas. Agora ele estava a passar de cena.

     Tome tempo para olhar para trás. Tem combatido um bom combate? É um vencedor ou uma vítima? Está na batalha ou é uma baixa no terreno? Acabou a sua carreira? Fez a vontade de Deus de coração? Tem guardado a fé? É fiel ao ensino da Palavra de Deus? Paulo podia olhar em redor sem temor, e podia olhar para trás sem pesar. Espero que nós consigamos fazer o mesmo.

     Paulo não somente olhou à sua volta e para trás, mas também olhou para diante. “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a Sua vinda.”

     Algumas pessoas, quando se aproximam do fim da vida, receiam olhar para diante. A Bíblia avisa-nos, “está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo.” Porém Paulo não tinha receio quando olhava para diante. Ele sabia exatamente o que aconteceria: ele encontrar-se-ia com o Senhor e receberia d’Ele a coroa que ele tinha conquistado.

     Não há paz como a paz que temos nos nossos corações quando sabemos que o futuro está assegurado. A fé de Paulo não estava na justiça ou lei Romanas, por muito grandes que fossem. A sua fé não estava nos seus muitos amigos, ou até em si mesmo. A sua fé estava no Senhor. Ele olhava para trás sem pesar; ele olhava em redor sem temor; e ele olhava para diante sem qualquer dúvida ou apreensão, pois confiava em Jesus Cristo. Roma registá-lo-ia como criminoso, mas no Livro da Vida do Cordeiro ele seria listado como filho de Deus. E ele ouviria do seu Salvador, “Bem está, bom e fiel servo ...”

     Um dia a vida terminará para si e para mim. Nenhum de nós sabe o dia ou a hora, e para alguns pode ser mais depressa do que se espera. A nossa partida para o lar celestial pode ser repentina; ou podemos ter tempo para contemplar a vida como Paulo fez na prisão Romana. Espero que todos nós possamos olhar nestas mesmas três direcções e saiamos com o mesmo testemunho sonoro que Paulo dá na sua última carta que escreveu. Renda o seu coração e vida a Jesus Cristo. Seja-Lhe fiel, independentemente do que os homens possam fazer. O importante não é o louvor dos homens; é a aprovação de Deus.     
 
São os montículos que te fazem escalar
 Encorajamento para dias difíceis

Warren W. Wiersbe
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