Encorajamento para dias difíceis (IV)

Warren W. Wiersbe

 

Nunca abandonado

     Gosto de começar cada dia com alguma promessa da Palavra de Deus que me possa guiar e encorajar. O mundo muda – as circunstâncias mudam, nós mudamos – mas a Palavra de Deus nunca muda. Permita-me que partilhe consigo uma grande promessa. O Salmo 37:25 diz, “Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão.” David escreveu estas palavras baseado na sua própria experiência de vida. Quando se tornou velho olhou para trás e descobriu quão fielmente Deus tinha cuidado dele.

     Nós podemos querer deixar de envelhecer, mas não há realmente nada que possamos fazer quanto a isso. No Domingo eu estava a observar várias crianças que corriam pela escadaria das instalações da igreja, e disse a um dos seus pais, “Realmente é humilhante perder toda aquela energia infantil!” Como desejava ter mais energia e mais tempo para conseguir mais realizações. Mas a vida prossegue, um dia de cada vez, e nós vamos envelhecendo.

     Contudo o envelhecimento é uma parte da vida. Paulo diz-nos que o nosso homem exterior corrompe-se, mas que o interior renova-se todos os dias. O corpo vai envelhecendo diariamente, mas o espírito torna-se mais semelhante a Cristo - e nós diariamente vamo-nos aproximando cada vez mais da glória. Cada estágio da vida tem os seus fardos e os seus benefícios. Uma criança está livre para brincar, e não tem fardos para levar, no entanto é imatura e realmente não sabe o que é a vida. Um adolescente tem alguns privilégios de adulto, mas também tem de começar a carregar com algumas das responsabilidades de adulto. Uma pessoa solteira tem mais liberdade do que uma pessoa casada, no entanto a maioria das pessoas prefere ser casada, mesmo apesar do casamento comportar muitos fardos extra. Os jovens apenas começaram a enfrentar muitas incógnitas da vida; e as pessoas de meia-idade por vezes ficam desanimadas porque não conseguiram alcançar todos os seus objectivos.

     Depois chegamos aos nossos anos seniores, quando gostaríamos de realizar muito mais, no entanto somos impedidos pelas limitações físicas, ou talvez por fardos financeiros. Eu não estou a dizer que a vida é simplesmente um grande fardo – de modo nenhum! O que estou a dizer é que a vida prossegue o seu curso – nós envelhecemos – e cada estágio da vida tem as suas bênçãos e os seus fardos, as suas oportunidades e as suas obrigações. O que David está a dizer é maravilhoso – Deus está connosco durante todo o percurso. Quando David era jovem, Deus esteve com ele e ajudou-o a matar o gigante. Quando David envelheceu, Deus ainda estava ali e ajudou-o a estabilizar o reino e a preparar a edificação do templo. “Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão.” Esta promessa é encorajadora para o Cristão crente. Independentemente do quanto possamos mudar, ou a vida, Deus nunca muda, e as Suas promessas nunca falham.

     Quando David alcançou a velhice, ele olhou para trás, para a sua vida turbulenta e chegou a uma conclusão maravilhosa – Deus tinha estado com ele durante todo o percurso. Deus nunca abandona os Seus. Esta verdade é declarada muitas vezes na Bíblia. Jesus disse aos Seus discípulos antes de voltar para o Céu, “…eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos.” Pode ter a certeza, meu amigo, que Deus estará consigo. Ele nunca o abandonará.

     Quando passamos a vida de David em revista, apercebemo-nos que ele nem sempre andou na vontade de Deus. Houve dias em que ele ficou desanimado e quis desistir. Leia os Salmos e descobrirá que David foi derrotado muitas vezes, e viveu sob a nuvem negra da dúvida, mas Deus ainda estava com ele. Quando David esteve nas cavernas, escondendo-se do Rei Saul, Deus esteve com ele. Até mesmo quando David duvidou que Deus o podia ajudar, Deus ainda esteve com ele. Deus não abandonou David naquelas horas de derrota e desânimo.

     Mas que dizer das horas de desobediência? Sim, houve ocasiões na vida de David em que ele desobedeceu a Deus e pecou. Deus aprovou esse pecado? Certamente que não! Deus tratou do pecado de David? Sim, fê-lo. David foi castigado pela sua desobediência. Mas Deus abandonou o Seu filho por ele ter pecado? Não! Houve ocasiões em que David não era aceitável, mas ainda assim foi aceite. A salvação de David dependia da graça de Deus, não das suas próprias boas obras; e Deus foi fiel mantendo a Sua promessa. Deus teve de repreender e disciplinar David, mas nunca o abandonou.

     O facto de Deus nos castigar quando recusamos confessar os nossos pecados é prova de que Ele está connosco e não contra nós. Como pais, muitas vezes açoitamos os nossos filhos, e fazemo-lo porque os amamos. Quando uma criança desobedece, ela não deixa de ser membro da família! A sua comunhão com a família pode ser quebrada, mas a sua filiação continua intacta. Nós não abandonamos os nossos filhos quando eles desobedecem, e Deus, o Pai celestial, não nos abandona quando pecamos. Ele avisa-nos, convence-nos, repreende-nos, e, se necessário, castiga-nos com amor; e tudo isto é prova de que Ele não nos tem abandonado.

     Talvez sinta que desobedeceu a Deus, e que tenha sido abandonado. Reclame a promessa do Salmo 37:25: “Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão.” Se Deus alguma vez o abandonasse por um instante, morreria, pois “n’Ele vivemos, e nos movemos, e existimos.” Descanse na Sua promessa. Deus não o tem abandonado, e Deus não o abandonará.

     A promessa do Salmo 37:25 também nos assegura a provisão de Deus – nós nunca nos tornamos pedintes. David está a dizer: Deus providenciará sempre o que quer que precisemos de tal modo, que não temos de nos voltar para quem quer que seja a não ser para Ele.

     Deus importa-se com as necessidades diárias da sua vida? Certamente que sim! Jesus disse-nos que Deus observa as aves quando caem, e certamente que Deus nos observa e conhece as nossas necessidades.

     Quando Jesus ministrava aqui na Terra durante aqueles três anos maravilhosos, Ele satisfez as necessidades físicas, emocionais e materiais das pessoas. Ele importava-se com as crianças; ele teve tempo para os leprosos e os que tinham limitações; ele alimentou os famintos. É claro que a Sua maior obra foi a Sua morte na cruz pelos pecados do mundo, pois a maior necessidade do homem é a salvação. Jesus Cristo não foi surdo ao clamor dos cegos; ele ouviu os clamores dos que sofriam; e Ele satisfez as necessidades das pessoas.

     Deus ainda responde à oração. David olhou para trás, para a sua longa vida tão preenchida, e concluiu que Deus nunca o tinha abandonado, e que Deus tinha providenciado para todas as suas necessidades – e fá-lo-ia sempre. Independentemente de quais sejam as suas circunstâncias neste momento, se conhece Cristo como seu Salvador e vive para Ele, pode ter a certeza de que Ele satisfará todas as suas necessidades. “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”

     David estava certo. A despeito das suas inconsistências e falhas na vida, ele foi cuidado por Deus duma forma graciosa e maravilhosa. Volte a sua vida para Cristo, e um destes dias poderá dizer com David, “Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão.”     
 
São os montículos que te fazem escalar
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