Encorajamento para dias difíceis (XXIII)

Warren W. Wiersbe

 

Tente o perdão

     Recentemente conversei com um homem que estava nervoso, fisicamente doente e emocionalmente perturbado. Senti que ele deveria visitar um especialista, mas ele quis falar comigo, e assim escutei-o pacientemente. Quando a sua história veio à superfície, comecei a compreender porque é que ele era tão miserável: ele era comprido de memória e curto de perdão. Ele lembrava-se de todas as coisas más que alguém lhe tinha dito ou feito. Às vezes os seus olhos inflamavam-se de ira assassina. Uma vez mais lembrei-me da importância do perdão como um dos maiores medicamentos espirituais em todo o mundo.

     Mark Twain é muito conhecido pelas suas histórias humorísticas mas, quando queria, conseguia ser filósofo. Uma das coisas mais bonitas que ele alguma vez disse foi, “O perdão é a fragrância que a violeta derrama no calcanhar que a esmaga.” O perdão não é fácil, mas é necessário. Um espírito não perdoador não fere a outra pessoa; fere-nos a nós. Abrigar rancores, cultivar a malícia para com outra pessoa, recusar perdoar – tudo isso envenena o homem interior e produz doença espiritual e emocional que nenhum remédio feito pelos homens pode curar.

     Eu estou espantado com o grande número de pessoas perturbadas que encontro, que carregam no seu coração um espírito não perdoador. Estas pessoas vêm a mim com os seus problemas – elas estão inquietas; elas correm de emprego para emprego ou de apartamento para apartamento; nunca se fixando; elas estão sempre a ser feridas por alguém; têm dificuldade em fazer amigos. Quando lhes pergunto se alguma vez perdoaram aos que lhes têm feito mal, olham para mim com uma expressão chocada como se eu lesse as suas mentes. Os sintomas são típicos, e nós podemos detectá-los em nós como igualmente nos outros.

     Quando tem um espírito não perdoador pensa que é melhor do que as outras pessoas. Elas cometem erros, mas nunca a sua pessoa. Quando tem um espírito não perdoador, é super sensível; toma muito a peito o que as outras pessoas dizem e fazem. Torna-se desconfiado dos motivos delas e acha que alguém o vai ferir. Um espírito não perdoador leva uma pessoa a fechar-se sobre si mesma, tornando-se numa espectadora da vida, não numa participante. Afinal, quando é melhor do que as outras pessoas e elas estão aquém de si, porque há-de ser amigável? Isto explica porque as pessoas que não perdoam são usualmente pessoas sós, críticas, nervosas.

     Mas um dos mais tristes resultados de um espírito não perdoador é o da construção agressiva interior. Muitas pessoas que transportam rancores e abrigam malícia estão cheias de hostilidade. São incapazes de rir dos pequenos problemas que as pessoas às vezes causam; levam estas matérias seriamente e transformam-nas em grandes questões. Se alguém as empurra no autocarro, elas levam isso a peito e declaram guerra. Se ninguém realmente causar qualquer problema, o espírito não perdoador pode normalmente imaginar algo e inventar um problema para combater.

     Para perdoar, tem de ser perdoado. Quando experimenta o perdão de Deus no seu próprio coração e realiza que Jesus morreu por si, então pode começar a perdoar outros e libertar o seu sistema do veneno da malícia. Mas não pode ser perdoado antes de admitir que necessita de perdão, e é aí que a dificuldade entra. Muito poucas pessoas gostam de admitir que são pecadoras em necessidade do perdão gracioso de Deus. Isto explica porque é que algumas pessoas estão sempre a condenar outras: fazendo com que os outros pareçam mal, pensam que podem fazer com que pareçam boas. E uma vez que acreditem que são boas, não vêem nenhuma necessidade de perdão.

     Recordo aconselhar uma senhora que era dotada em encontrar faltas nos outros. Mas ela era incapaz de ver quaisquer necessidades na sua própria vida. Falei pacientemente com ela, e quanto mais falámos, mais evidente se tornou para mim que o seu julgar os outros era realmente uma máscara para ela se esconder si mesma. Finalmente perguntei-lhe se não havia nenhuma grande desilusão na vida dela que a fizesse sofrer; e então ela não se conteve e chorou, admitindo que havia. Havia uma velha ferida que ela nunca tinha permitido que Deus curasse. Tinha infeccionado todos aqueles anos, envenenando o seu sistema. Mal ela a admitiu, e depois a confessou a Deus, foi curada. E mal ela foi perdoada, ela tornou-se capaz de perdoar os outros.

     Era isto que Paulo queria dizer quando escreveu, “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” Jesus orou na cruz, “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Porque Ele derramou o Seu sangue, nós podemos experimentar o gracioso perdão de Deus. Não há forma de podermos merecer o Seu perdão; é uma dádiva. Quando se volve para Cristo em fé, confessa a sua necessidade, e pede o Seu perdão, Ele concede-lo incondicionalmente. Se Ele faz isto tudo por nós, nós não deveríamos ser capazes de perdoar os outros?

     É possível receber-se o perdão de Deus mas realmente não experimentá-lo  nos nossos corações. Nós sabemos que Deus nos salvou, mas  isso realmente pode não ficar registado bem no fundo interior. É uma espécie de transacção comercial que precisa de se tornar pessoal. Nós temos a doutrina na nossa cabeça mas ela necessita de descer ao nosso coração. Nós sabemos que vamos para o céu, mas de algum modo o céu não veio a nós dando-nos um espírito perdoador para com os outros. O que podemos fazer quanto a isto? Como é que uma pessoa pode cultivar um espírito perdoador e evitar o terrível veneno da malícia e do ódio? Tomando consciência do grande pecador que realmente é! Talvez não sejamos culpados de alguns dos pecados grosseiros que temos visto noutras pessoas, mas podemos tê-los cometido nos nossos corações. No fim da sua vida, Paulo chamou-se a si mesmo de “o principal dos pecadores.” Quanto mais nos aproximamos da luz, mais sujos se tornam os nossos corações e mãos. Portanto a primeira sugestão que dou para se cultivar um espírito perdoador é passar tempo diariamente com o Senhor na Sua Palavra e em oração. Procure conhecê-Lo melhor. Quando o fizer, terá consciência do que é realmente o pecado, e descobrirá que há áreas que ainda necessitam de ajuda.

     E quando tiver comunhão diária com o Senhor, descobrirá quão amável e gracioso Ele é, e o que Lhe custa perdoar-lhe. Uma das razões porque Jesus instituiu a Ceia do Senhor foi para nos lembrar que Ele morreu por nós. Eu não consigo conceber uma pessoa que venha à Ceia do Senhor e se vá embora com um espírito não perdoador. Quando tomamos consciência do significado da cruz temos de perdoar aos outros.

     Eis uma terceira sugestão: Deixe que o Espírito Santo dentro de si gere a espécie de amor que leva a perdoar os outros. O fruto do Espírito é amor. Nós não podemos manufacturar o perdão; é algo que Deus faz dentro de nós quando nos rendemos a Ele. Confesse o seu espírito não perdoador a Deus; peça-Lhe que o perdoe e encha o seu coração com o amor d’Ele. Depois vá ter com aqueles a quem tem feito mal e partilhe com eles o amor e perdão de Deus.

     A minha última sugestão é negativa, mas penso que é importante: tome consciência do quanto custa ter um coração não perdoador. Hannah More escreveu, “Um Cristão descobrirá que é mais barato perdoar do que ressentir. O perdão poupa a despesa da ira, o custo do ódio, o esbanjamento do mau humor.” Quão verdadeiro isto é! Ah, se tão-somente as pessoas pudessem ver um raio-X  do homem interior e realizassem o dano que é causado quando abrigam rancores e malícia! Nenhuma importância compensatória pode indemnizá-lo por um espírito não perdoador. Não é o seu inimigo que sofre; é a sua pessoa.

     Pode levar tempo, mas comece hoje a cultivar um espírito de perdão. Deixe que Deus purifique o seu coração e o encha do Seu amor. Da próxima vez que alguém o ofender ou ferir, perdoe-lhe imediatamente do fundo do coração. Resista a toda a inclinação para retaliar, quer exterior quer interiormente. Peça a Deus que lhe dê uma atitude graciosa, e trate essa pessoa com amor. Descobrirá que o perdão traz liberdade e alegria, enquanto o ódio cria miséria e escravidão. Dia após dia, o Espírito Santo operará em si e por seu intermédio, e a vida terá uma atmosfera diferente quer para si quer para os que o rodeiam. “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.”      
São os montículos que te fazem escalar
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