Encorajamento para dias difíceis (X)

Warren W. Wiersbe

 

Sob as Suas asas

     Em 1882, após um ano de trabalho intenso na Grã-Bretanha, D. L. Moody navegou de regresso a casa, ávido por voltar para a sua família e o seu trabalho. O navio deixou Southampton no meio de muitas despedidas. Com três dias de viagem decorridos no oceano, o navio partiu um cabo que o deixou meio à deriva; e não demorou muito, começou a meter água. Não é necessário dizer que a tripulação e passageiros ficaram desesperados, porque ninguém tinha a certeza se o barco se afundaria ou não, e ninguém tinha conhecimento da existência de algum navio de salvamento na área. Após dois dias de ansiedade, Moody pediu permissão para realizar uma reunião, e para sua surpresa, quase todos os passageiros assistiram. Ele abriu a sua Bíblia no Salmo 91 e, encostado a uma coluna para se firmar, leu: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Omnipotente descansará.”

     Moody escreveu mais tarde, “Foi a hora mais negra da minha vida … o alívio veio na oração. Deus ouviu o meu clamor, e habilitou-me a dizer, da profundeza da minha alma, ‘Seja feita a Tua vontade.’ Fui para a cama e adormeci quase imediatamente …” Bem, Deus respondeu à oração, salvou o navio e enviou um outro barco para o rebocar até ao porto. O Salmo 91 tornou-se numa nova Escritura vibrante para D. L. Moody. E ele descobriu, como nós também temos de descobrir, que o lugar mais seguro do mundo é à sombra do Omnipotente, “debaixo das Suas asas.”

     “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Omnipotente descansará …  Ele te cobrirá com as Suas penas, e debaixo das Suas asas estarás seguro …” Assim promete o Senhor no Salmo 91:1,4. O que é que Deus significa com “debaixo das Suas asas?” Decerto que sabemos que se trata de uma linguagem simbólica, pois Deus não tem asas. Alguns pensam que se refere ao modo como a mãe galinha abriga e protege os seus pintos. Recordar-se-á que Jesus usou uma comparação semelhante quando disse, “Quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!”

     É minha própria convicção que o Salmo 91 fala de uma outra espécie de asas. Onde é que está o esconderijo do Altíssimo? Para todo o Judeu do Velho Testamento, só havia um esconderijo – o santo dos santos no tabernáculo. Recordar-se-á que o tabernáculo estava dividido em três partes: um pátio exterior onde os sacrifícios eram oferecidos; um lugar santo onde os sacerdotes queimavam o incenso; e depois o santo dos santos onde estava guardada a arca do concerto. E recordar-se-á que sobre a arca do concerto, sobre o propiciatório, estavam dois querubins, e as suas asas cobriam a arca. É a isto, creio, que o salmista se estava a referir: o “esconderijo,” é o santo dos santos, e a “sombra do Omnipotente” está debaixo das asas dos querubins no propiciatório.

     Nos dias do Velho Testamento, ninguém tinha permissão de entrada no santo dos santos, excepto o sumo-sacerdote; e mesmo ele só o podia fazer uma vez por ano. Se alguém tentasse forçar a entrada, seria morto. Porém hoje, todos os filhos de Deus, salvos pela fé em Jesus Cristo, podem entrar no santo dos santos, porque Jesus Cristo abriu o caminho para nós. Quando Jesus morreu na cruz, o véu no templo foi rasgado em dois e o caminho foi aberto para a própria presença de Deus. Nós somos privilegiados em habitar no santo dos santos – viver à sombra das Suas asas. Nós não fazemos simplesmente visitas ocasionais à presença de Deus; nós vivemos ali por causa de Jesus Cristo.

     Acreditará se lhe disser que o lugar mais seguro do mundo é estar a uma sombra? É – contanto que a sombra seja a sombra do Omnipotente! Eu prefiro antes estar à sombra do Deus Omnipotente do que protegido pelo exército mais poderoso do mundo.

     Ao ler o Salmo 91, descobre que Deus faz algumas promessas maravilhosas aos que vivem debaixo das Suas asas, no santo dos santos. Em primeiro lugar, Ele promete protecção divina. Isto não significa que nós, Cristãos, nunca experimentamos acidentes ou doenças, pois nós sabemos que experimentamos. Deus não promete proteger-nos das tribulações, mas proteger-nos nas tribulações. Os perigos da vida podem ferir-nos mas não podem prejudicar-nos. Nós podemos reclamar a Sua promessa de que estas coisas operam a nosso favor e não contra nós.

     Note uma destas promessas: “ ... aos Seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.” O mundo científico moderno ri-se de ideias de anjos, mas não o filho de Deus. Jesus ensinou que os anjos de Deus protegem os filhos de Deus. Os anjos não correm à nossa frente e removem as pedras, pois algumas vezes precisamos dessas pedras no caminho para nos ensinarem a depender mais do Senhor. O que os anjos fazem é ajudar-nos a usarmos as pedras como degraus, não como pedras de tropeço. Creio firmemente que quando chegarmos ao céu, descobriremos quantas vezes os anjos de Deus nos protegeram e salvaram as nossas vidas. Isto não é um encorajamento para sermos descuidados ou tentarmos Deus, mas um encorajamento para nos preocuparmos menos.

     Na vontade de Deus um homem é imortal, até a sua obra estar feita. Fora da vontade de Deus existe perigo, mas na vontade de Deus há protecção divina que dá ao homem paz no seu coração, independentemente de quão atribulada seja a vida. “Debaixo das Suas asas,” permanecendo em Cristo – é onde estamos mais seguros durante os temporais da vida.

     Todavia nós não corremos para o santo dos santos para nos escondermos da vida. Receio que muitas pessoas interpretem mal as Escrituras e os hinos que falam de nos escondermos em Deus e de O descobrirmos como refúgio no temporal. Nós entramos para obter força e ajuda, e depois voltamos à vida para fazermos a Sua vontade. A protecção divina de Deus não é simplesmente uma luxúria de que desfrutamos; é uma necessidade que queremos partilhar com outros. A protecção de Deus é preparação para o serviço de Deus. Nós entramos a fim de podermos sair. Nós adoramos a fim de podermos trabalhar; nós descansamos a fim de podermos servir.

     Está a viver à sombra do Senhor, debaixo das Suas asas? Já confiou em Cristo como seu Salvador? Passa diariamente tempo em adoração e oração? Espero que o faça, pois a vida mais segura e mais satisfatória jaz debaixo das Suas asas.

     A pessoa que vive debaixo das Suas asas não somente desfruta da vida mais segura possível, como também a vida mais satisfatória possível. O Salmo 91 termina com esta promessa: “Dar-lhe-ei abundância de dias, e lhe mostrarei a Minha salvação.” Isto não significa que todos os Cristãos vão viver cem anos; os factos provam o contrário. Alguns dos Cristãos de maior qualidade morreram na casa dos trinta. Uma abundância de dias refere-se a qualidade, não a quantidade. Significa uma vida plena e satisfatória. Pode viver oitenta anos e apenas existir, se deixar Cristo de fora. Por outro lado, se render-se a Cristo, em quarenta anos pode emanar três ou quatro vidas de serviço e gozo. Há um coração de satisfação que é dado apenas aos que vivem debaixo das Suas asas, no lugar de rendição e comunhão.

     O lugar de satisfação é o esconderijo do Altíssimo. Quando se rende a Jesus Cristo e une a sua vida à d’Ele, então descobre a espécie de satisfação por que vale a pena viver e morrer, não os disfarces superficiais deste mundo, mas a profunda paz e alegria permanentes que apenas podem advir de Jesus Cristo.

     Volte as suas costas ao pecado e às bagatelas sem valor que este mundo oferece, e permita-me que o convide a entrar no esconderijo do Altíssimo. Renda-se a Cristo; confie n’Ele como seu Salvador; responda ao Seu gracioso convite. Quando fizer isto, entrará numa nova espécie de vida – uma vida sob a sombra de Deus – uma vida no esconderijo da segurança e da satisfação.      
São os montículos que te fazem escalar
 Encorajamento para dias difíceis

Warren W. Wiersbe
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