Encorajamento para dias difíceis (VII)

Warren W. Wiersbe

 

Derrotando a depressão

     Nos Salmos 42 e 43, encontramos três vezes o salmista a perguntar, “Por que estás abatida, ó minha alma? e por que te perturbas dentro de mim?” O seu mundo tinha-se desmoronado, e ele questionava-se sobre onde estava Deus. Ele interrogava-se se conseguiria sair do buraco tenebroso da depressão.

     A depressão é um problema sério no mundo de hoje. Custa milhões de dólares aos empregadores porque os seus empregados ou não estão no trabalho, ou, se estão, não são produtivos. Está a custar às famílias a sua felicidade, e em muitos exemplos a depressão está a custar vidas. Muitas pessoas suicidam-se na fornalha da depressão, quando toda a esperança e toda a razão de viver se esvaem delas! A depressão é uma coisa séria, e nós devemos saber como lidar com ela.

     É verdade que a depressão, por vezes, tem uma causa física. Lembrar-se-á quão desanimado ficou o profeta Elias após a sua batalha no Monte Carmelo. O que ele necessitava era de algum sono, de alguma boa comida, e de uma nova visão da grandeza de Deus. O Senhor cuidou de Elias com ternura, ajudou-o a descansar e a ganhar força, e depois voltou a comissioná-lo para o serviço. Muitos de nós temos tido dias de desânimo e desespero porque temo-nos esfalfado a trabalhar, mesmo no serviço do Senhor! Não admira Jesus ter encorajado os Seus discípulos a irem para um lugar à parte e a descansarem um pouco. Se não formos cuidadosos, hábitos que enfraquecem a saúde podem levar-nos á depressão.

     Por vezes a depressão é resultado do ataque de Satanás. Ele é o acusador e o destruidor. Ele sabe quando atacar-nos e as armas que deve usar. Ele gosta de recordar-nos as nossas falhas e os nossos pecados passados. Ele tenta levar-nos a olhar tanto para nós mesmos que nos esquecemos de olhar para Cristo; e o resultado é quase sempre um sentimento de culpa, de fracasso e de desespero.

     Alguma depressão tem causa psicológica. Eu não sou um psicólogo, por isso não posso explicar isto em termos médicos; mas algumas pessoas parecem ter uma personalidade que é naturalmente melancólica e pessimista. Em vez de tentarem mudar isto, cedem à situação, e desenvolvem gradualmente um modelo de derrota e depressão. O que elas precisam é de um conselheiro Cristão competente que as ajude nas suas fraquezas de personalidade.

     Não tentarei ser médico nem psicólogo; serei simplesmente pastor. Quero partilhar consigo alguns factos sobre a depressão que o ajudarão quando se encontrar no que John Bunyan chamou de “pântano do desânimo.” Quero fazer uma abordagem a isto do ponto de vista espiritual, pois a única solução duradoura provém do Senhor.

     Normalmente a depressão segue-se a um padrão definido. Começa com auto-protecção. Encontra-se profundamente de algum modo ferido. Talvez alguém tivesse falhado consigo; ou talvez algum plano tenha entrado em colapso; ou talvez tenha sido a sua própria pessoa que falhou. De alguma forma uma ferida atingiu-o, e essa ferida ameaça roubar-lhe a sua paz e prazer da vida. A melhor coisa a fazer é encarar honestamente a ferida e tratar dela: orar sobre ela, entregá-la ao Senhor, e aplicar o remédio da Palavra de Deus. Mas por vezes estamos tão feridos que simplesmente parece que não temos forças para tratar a ferida; e é aqui que entra a auto-protecção. Porque foi ferido encolhe-se em torno de si e foge das realidades da vida. Sente-se seguro consigo mesmo; não se sente seguro com os outros.

     Num certo sentido, a depressão é para o seu coração o que o calo é para a sua mão; é uma forma de protecção de emergência. Ajuda a tornar a área da ferida insensível. Isto explica porque é que a maior parte das pessoas deprimidas não têm interesse na vida que as rodeia – a sua família e amigos, os seus trabalhos, até mesmo os seus prazeres usuais. Elas isolam-se porque isso ajuda-as a protegerem-se de ser novamente feridas. Isto leva-nos ao segundo passo: a auto-protecção conduz à auto-comiseração ou auto-piedade. Temos pena de nós mesmos de tal forma que nos encolhemos em torno de nós próprios e abdicamos da vida. Embrulhamo-nos nos nossos problemas e dores e esquecemo-nos que as outras pessoas também têm problemas e dores.

     Isto conduz ao terceiro passo, que é a auto-punição. Protege-se ao retirar-se; depois sente pena de si mesmo porque se sente isolado; e então começa a punir-se pelo que quer que seja que pensa ter feito. Torna-se juiz e tribunal e condena-se a uma vida de dor auto-infligida para expiar quaisquer erros que imagina que cometeu. É aqui que Satanás entra no quadro, porque é o acusador dos irmãos. Ele gosta de recordar-lhe os seus pecados, os seus erros, as suas falhas, até mesmo os seus momentos embaraçosos. Cada uma destas memórias só fazem com que as feridas do nosso coração doam ainda mais, e então retira-se mais profundamente e isola-se da realidade.

     Não admira que algumas pessoas tentem dar o passo seguinte – a auto-destruição. Satanás é o destruidor, e ele sabe como conseguir uma cabeça-de-ponte na sua vida exatamente onde é mais fraco. Mas há uma resposta para esta espécie de depressão. Não tem necessidade de se proteger e de ter pena de si e depois punir-se. Jesus Cristo pode vir a si e satisfazer a necessidade e ajudá-lo a derrotar a depressão.

     Quando se aperceber que a depressão o tem atacado, renda-se imediatamente a Jesus Cristo e diga-Lhe tudo sobre a dor interior profunda. Foi isto que o salmista fez nos Salmos 42 e 43. Ele disse ao Senhor quanto lhe doía, quão desiludido estava quanto à forma como as coisas estavam a acontecer. Ele descarregou com honestidade os seus sentimentos e queixumes. Em vez de alimentar as suas dores, ele entregou o seu coração ao grande Médico.

     O segundo passo é colocar os olhos sobre o Senhor e tirá-los de si. A auto-piedade é uma das atitudes mais perigosas que nós podemos cultivar. Ela envenena o nosso sistema de tal modo que nada nos parece direito; tudo o que as pessoas dizem e fazem parece-nos desprovido de razão. Peça ao Senhor que lhe dê  força para combater a auto-piedade!  Nos Salmos 42 e 43 o salmista escreve: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo … Espera em Deus, pois ainda O louvarei na salvação da Sua presença.. … Contudo o Senhor mandará de dia a Sua misericórdia, e de noite a Sua canção estará comigo. … Envia a Tua luz e a Tua verdade, para que me guiem …” Apesar da sua desilusão, o salmista olha para Deus e vê o que Deus pode fazer por ele. Para si e para mim, isto significa olhar para as promessas da Palavra de Deus. “Envia a Tua luz e a Tua verdade.”

     O terceiro passo é lembrar-se que Jesus Cristo morreu por todos os seus pecados e falhas, e por isso não precisa de se punir a si próprio. Quando confessa os seus pecados e falhas ao Senhor, Ele perdoa e esquece. Pode não sentir que Ele o faça, mas Ele fá-lo mesmo, pois essa é a promessa da Sua Palavra. Deus não trata mais consigo tendo por base a lei; Ele trata consigo tendo como base a graça. “Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus … de seus pecados e de suas prevaricações não Me lembrarei mais.” Porque é que se há-de punir se Jesus Cristo sofreu toda a punição por si? O seu Pai ama-o; Ele perdoa-o; Ele proverá.      
São os montículos que te fazem escalar
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