Costumes das igrejas de Deus (XI)

 

Carlos M. Oliveira

 

Perigos dos Seminários e Institutos teológicos
 
     A introdução na igreja de métodos humanos, como os da instrução, expõe-na a muitos perigos. 
 
Exemplo paradigmático de alerta
     É incrível que, a maioria de igrejas requeiram como exigência para o cargo de pastor a graduação de uma escola, instituto ou seminário teológico. Todavia não há base bíblica para tal, mesmo que afirmem viver de acordo com a Bíblia e digam seguir o exemplo de Jesus. O exemplo mais próximo nas Escrituras para uma escola ou seminário teológico é o sistema de educação farisaico. O resultado do seu sistema de ensino é muito claro. Eles não podiam nem sequer reconhecer Deus quando Ele veio a eles na pessoa de Jesus. Eles realmente acreditavam que amavam a Deus, mas na verdade eles odiavam-No (Jesus), porque Deus não se encaixava na teologia que havia sido ensinada nas suas escolas. Eles recusavam-se a acreditar na verdade. Eles foram para o Inferno, porque a sua educação era uma pedra de tropeço. Eles eram orgulhosos, arrogantes, hipócritas, e procuravam a aprovação e honra dos homens. Deus escondeu intencionalmente deles o entendimento espiritual. 
 
     "Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças Te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos." (Mateus 11:25).
 
     O sistema de ensino dos fariseus era um sistema de ensino falhado e o sistema de educação seminarista de muitas igrejas é muito semelhante a ele.
 
     Normalmente a teologia dos seminaristas torna-se no filtro através do qual a Escritura é julgada e interpretada, quando devem ser as teologias que nos cercam que devem ser julgadas pelas Escrituras para se determinar o que é verdade.
 
Perigo de maior enfraquecimento da igreja local. 
     Porque a igreja local não ensina suficientemente a Bíblia como deveria, o seminário teológico surge como lugar onde as pessoas podem ir para aprender a Bíblia em "profundidade". Isso resulta no culto da igreja tornar-se cada vez mais superficial e desprovido de alimento espiritual sólido. Como o seminário assume a tarefa de ensinar a doutrina da Bíblia, a Igreja sente-se ainda menos compelida a fazê-lo. O resultado é que os crentes da igreja em geral, que não são estudantes do seminário, ficam espiritualmente subnutridos.
 
Perigo de não estar dotado por Deus.
     Muitos vão para os institutos e seminários teológicos e saem de lá com um canudo nas mãos que os habilita a ser líderes em igrejas que os aceitam, mas sem que tenham dom do Senhor para o efeito. E pior ainda, em alguns casos sem que estejam salvos – uma verdadeira tragédia.
 
Perigo de ensino liberal
     Muitos dos institutos e seminários teológicos enveredaram pelo liberalismo e os seus alunos tornam-se vítimas dos ensinos liberais que tanto têm destruído as igrejas. Em termos sumários, o liberalismo teológico nega a inerrância da Bíblia, a historicidade dos milagres, o nascimento virginal, a divindade, a ressurreição corpórea e a vinda de Cristo.
 
Perigo da formatação
     Muitas pessoas saem dos seminários, da mesma maneira que as salsichas saem de uma máquina de salsichas -  todas parecendo-se iguais. Os Spurgeons, Tozers e Lloyd-Jones do mundo seriam desconhecidos, se tivessem emergido através desse sistema. Por aqui se vê o quanto perde a igreja ao abrir mão da sua tremenda capacidade educadora personalizada.
 
Perigo do foco errado
     O foco destas instituições está normalmente errado. Os seminários são instituições voltadas para as mentes, mas o que Cristo quer de nós é o caráter, a fé, a coragem, o serviço. Não é que a mente não seja importante, mas não é o mais importante.
 
Perigo de que já se sabe tudo
     Nos seminários a tendência é ficar-se com a impressão de que o conhecimento é o mais importante. Isto não somente é errado, como pode facilmente resultar nos alunos pensarem que os seus dias de aprendizagem terminam com a formação na escola bíblica e que agora já sabem tudo. Ora, o crente nunca deixa de aprender. Paulo, apesar de ser quem era, quando estava prestes a deixar este mundo, pediu a Timóteo que lhe trouxesse “os livros, principalmente os pergaminhos”, pois continuava em fase de aprendizagem.
 
     “Quando vieres traze a capa que deixei em Troade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos” (2 Timóteo 4:13).
 
Perigo do clericalismo
     Formar crentes em seminários é o primeiro passo para o clericalismo acerca do qual já escrevemos antes. O levantamento desta classe divide a igreja entre clero e leigos, quando os crentes devem ter todos uma posição de igualdade, sem exceção. Como escrevemos atrás, 
 
     “Através de alguns anos de estudo religioso e de ordenação humana, alguns ergueram-se como grupo de influência passando a pregar e a dirigir com exclusividade as congregações. Os leigos, que não tiveram tal educação e não foram ordenados pelos homens deixaram de ter acesso à pregação e direção, tendo que se contentar com lugares de subalternidade na igreja … O clericalismo é a assunção de uma posição de privilégio e de exclusividade na liderança do culto e do exercício do ministério e liderança da igreja, por certas pessoas que se destacam dos outros membros do corpo de Cristo. Essa distinção dos demais não se baseia em escolha divina nem em qualificações espirituais, mas numa educação de estilo secular e de preferência e aprovação humanas.”
 
Perigo da soberba.
     Bem diz a Bíblia que o orgulho incha. E os seminaristas têm a propensão de se ensoberbecer por pensar que sabem coisas que acham que os colocam acima dos outros. Como têm um DR ou outra distinção honorífica atrás do seu nome, têm a tendência para pensar que devem ser respeitados e exaltados. 
 
Perigo de más influências
     Os alunos, ao conviverem com colegas denominacionais nesses seminários são muitas vezes afetados pelas más influências que estes trazem do denominacionalismo. 
 
Perigo do compromisso.
     Como muitos seminários são normalmente interdenominacionais no seu caráter, para não ofenderem e, assim, perderem o apoio de qualquer dessas denominações, limitam o alcance dos ensinamentos da Bíblia. Muitas verdades são, por causa disso, tacitamente evitadas, e os seus alunos acabam por ficar com pouco conhecimento do que a Bíblia tem a dizer sobre as mesmas. 
 
Perigo da dependência.
     Muitas pessoas são mais leais a um seminário ou outra organização para-eclesiástica do que à a sua própria igreja local. As igrejas são mais afetadas pelos seminários do que os seminários pelas igrejas que enviam para lá os seus estudantes. Porque é que os seminários e institutos teológicos se hão-de tornar na norma e medida da nossa fé e prática, e não as igrejas locais? Isto não deveria ser assim, à luz, entre outras coisas, do facto de Jesus ter chamado à igreja local "a coluna e a firmeza da verdade" (1 Timóteo 3:15).
 
     Sim, um dos costumes das igrejas de Deus é a instrução estar sediada em cada uma delas - não em seminários, institutos ou escolas teológicas.
 
(Continua)
 
- C.M.O.

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