Costumes das igrejas de Deus (IV)

Carlos M. Oliveira

 
Ainda sobre o costume das igrejas de Deus relativamente à forma de tratamento dos crentes
 
     “… porque irmãos somos” (Génesis 13:8). 
 
     Como disse muito bem Donald Norbie em Vós sois irmãos, “As conquistas profissionais pessoais podem ter peso - e têm - no mundo, mas na assembleia ‘todos vós sois irmãos’ (Mateus 23:8). Quando alguém entra na assembleia de Deus, a glória e a distinção terrenas devem ficar à porta. Ali o escravo ergue-se ao mesmo nível do seu possuidor. Ambos foram remidos pelo sangue de Cristo e ambos são habitados pelo mesmo Espírito (Col. 3.11). Ali, o carpinteiro senta-se ao lado do engenheiro, sendo ambos igualmente aceites por Deus. ‘Todos vós sois irmãos’".
 
     O espírito e o costume nas igrejas de Deus também é revelado no seguinte:
 
     “Que os homens nos considerem como ministros [servos] de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus” (1 Coríntios 4:1; cf Atos 15:23; 1 Cor. 3:5; 2 Cor. 4:5; 12:11; Efé. 3:8). 
 
     “Pois quem é Paulo, e quem é Apolos, senão ministros [servos]  pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um?” (1 Cor. 3:5). “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus(2 Cor. 4:5).
 
     Ao contrário do que acontece com grande parte dos pastores modernos, Paulo queria que as igrejas o considerassem e aos outros líderes da igreja como meros servos.
 
     Ao admoestar os presbíteros, o apóstolo Pedro refere-se a si igualmente como "presbítero" (1 Ped. 5:1). Ele teve aqui a sua grande oportunidade para se exaltar com um título honorífico, como, por exemplo, "pastor sénior", mas não – nunca - o fez! 
 
     É também importante notar que Pedro admoestou os presbíteros a apascentarem “o rebanho de Deus, que está ENTRE vós …”, NÃO ABAIXO de vós (1 Pedro 5:2). Segundo Pedro os presbíteros/anciãos/PASTORES ESTÃO NO MESMO NÍVEL DO REBANHO; NÃO ACIMA dele.
 
     Da mesma forma, quando o apóstolo João escreveu às sete igrejas da Ásia, ele apenas se refere a si mesmo como seu "irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo” (Apo. 1, 9). Será que isto soa àquele tipo de homens que exigem ou esperam que os outros lhes chamem de "Reverendo", "Doutor", ou qualquer outro título que insufle o ego?
 
     Na Bíblia os crentes são reconhecidos pela virtude do seu serviço humilde e sacrificial (Atos 15:26; Rom. 16:1-2,4,12; 1 Cor. 16:15-16,18; 2 Cor. 8:18; Fil. 2:29-30; Col. 1:7; 4:12-13) – não por títulos! Não é admirável constatar que estes crentes evitavam títulos honoríficos, escolhendo antes termos simples e humildes como "irmão," "servo," e "companheiro"? Um escritor disse bem: "A coleção de títulos eclesiásticos que acompanham os nomes de muitos líderes Cristãos da atualidade é completamente estranha ao Novo Testamento, e teria chocado os apóstolos e os crentes primitivos” (Alexander Strauch, Biblical Eldership [Littleton, CO: Lewis & Roth Publishers, 1986] p.259).
 
     O mundo Cristão, ao que parece, é consumido por títulos exaltados e honoríficos por parte de muitos que estão em posições de liderança ou influência. Alguns pastores, de facto, ficam bastante ofendidos quando os membros da sua congregação os tratam simplesmente pelo seu nome, ou apenas como "irmão". Muitos consideram desrespeitoso ou inconveniente tratar-se um teólogo Cristão de qualquer outra forma que não por "doutor" ou "professor".
 
     Choramos pela Igreja, porque parece que estamos a exibir muitas das características que Jesus disse que não queria - "Mas entre vós não será assim …" (Marcos 10:43). Vergonhosa arrogância e soberba têm atingido proporções epidémicas entre muitos líderes da igreja ...
 
     Talvez um dos motivos porque alguns pastores se sintam impelidos a terem os seus nomes atrelados a um grau ou título honorífico, se deva a um complexo de inferioridade ou por incapacidade de granjearem o respeito de modo legítimo - bíblico. Também é importante notar que muitos têm enveredado na carreira do ministério pastoral por todas as razões menos a glória de Deus. Aliás, muitos procuram a honra e reconhecimento dos homens, em vez de a honra e o reconhecimento de Cristo (João 5:44, Gálatas 1:10).
 
     Afinal, para que usam os títulos, aqueles que os usam? Decerto que não será para agradar a Deus!
 
     “Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo”.
 
 
"Todos vós sois irmãos" (Mateus 23:8)
 
     "TODOS vós sois irmãos". O Senhor quer que sejamos TODOS iguais. Ninguém chama ao ensinador da Bíblia, Ensinador Silva, mas simplesmente irmão Silva. No entanto, se o irmão Silva fosse pastor seria por muitos chamado Pastor Silva. Porquê? Tal diferenciação não faz sentido. Nós devemo-nos tratar uns aos outros como irmãos, não queiramos ser tratados por um título que implique estarmos de alguma forma acima dos outros. 
 
     O Senhor ascendido deu pastores à igreja para alimentarem o rebanho, não para alimentarem o seu ego.
 
     O Filho de Deus "aniquilou-Se a Si mesmo, [ou tornou-Se sem reputação, AV]" (Filipenses 2:7), mas alguns dos Seus servos parecem determinados em seguir a senda oposta. Cristo convida-nos a aprender d'Ele que era "manso e humilde" (Mateus 11:29), no entanto alguns dos Seus representantes continuam a exaltar-se com títulos que os glorificam. 
 
     É claro que no seio das primeiras igrejas havia doutores, evangelistas, anciãos ou pastores e diáconos, mas estes não eram utilizados como títulos individuais formais. Todos os Cristãos eram santos, mas não havia nenhum "São João". Alguns eram anciãos, mas não havia nenhum "Ancião Barnabé". Alguns eram bispos, não havia nenhum "Bispo Paulo". Alguns eram diáconos, não havia nenhum "Diácono Estêvão". Alguns eram pastores, mas não havia nenhum "Pastor Timóteo." Em vez de adquirirem honra através de títulos e posições, os crentes das igrejas de Deus recebiam honra principalmente pelo seu serviço e trabalho (Atos 15:26;  Romanos 16:1,2,4,12, 1 Coríntios 16:15,16,18; 2 Coríntios 8:18; Filipenses 2:29,30, Colossenses 1:7, 4:12-13, 1 Tessalonicenses 5:12, 1 Timóteo 3:1). Os crentes destas igrejas referiam-se uns aos outros pelos seus nomes pessoais (Timóteo, Paulo, Tito, Tiquico, Epafras, Filemon, etc.), pelos termos "irmão" ou "irmã", ou pela descrição do seu caráter espiritual ou obra realizada: "Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo"(Atos 6:5), "Barnabé … homem de bem, e cheio do Espírito Santo e de fé" (Atos 11:22-24), "Filipe, o evangelista" (Atos 21:8), "Priscila e a Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus" (Romanos 16:3), "Maria, que trabalhou muito por nós” (Romanos 16:6), etc.
 
     É apropriado aplicar aqui as seguintes palavras de Paulo: 
 
     “Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam” (Fil. 3:17).
 
     Quando são fiéis às instruções bíblicas, os anciãos não permitem que os tratem por títulos honoríficos, como "Pastor Brito", "Ancião Tomás", "Bispo Castro", ou " Reverendo Saraiva" (Mateus 23:7-12). Tais títulos naturalmente elevam os líderes da igreja a um plano acima dos demais irmãos na assembleia. Os líderes das igrejas de Deus eram vistos como irmãos comuns e estavam tão acessíveis e disponíveis aos santos como qualquer outro crente na igreja. Não havia diferença.
 
     O costume das igrejas de Deus relativamente à forma de tratamento dos crentes era simples e humilde. 
 
(Continua)
 
- C.M.O.

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