Costumes das igrejas de Deus (VIII)

 

Carlos M. Oliveira

 

Ainda sobre denominações …
 
O termo denominação também pode querer dizer simplesmente designação - a atribuição de um nome à igreja, independentemente de esta fazer parte de um grupo de igrejas ou não. Muitas igrejas singulares também atribuíram a si mesmas um nome próprio. Muitos nomes diferentes têm sido dados às igrejas, porém a Bíblia mostra que a igreja só tem legitimidade para usar um único nome – o de Cristo
 
     É muito significativo vermos nas Escrituras que Eva tomou o nome de Adão, quando Deus os criou:
 
     Macho e fêmea os criou; e os abençoou, e chamou o seu nome (de ambos) Adão, no dia em que foram criados” (Génesis 5:2).
 
     Vemos claramente nesta passagem que Eva tomou o nome de Adão – algo que fazia todo o sentido, uma vez que ela era parte de Adão:
 
     “E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher: e trouxe-a a Adão
 
     “E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne: esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.
 
     “Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne (Génesis 2:22-24).
 
     Foi com base neste facto que nos casamentos as mulheres passaram a tomar – e em alguns casos ainda tomam, e deveriam tomar sempre, – os nomes dos respetivos maridos, ainda que muitos ignorassem e ainda ignorem a razão de tal procedimento. Afinal, elas são “sua própria carne”, são “seus próprios corpos”, são parte de “si mesmos”, são (conjuntamente) uma só “carne” (Cf. Efé 5:22-33). Faz, portanto, todo o sentido assim ser.
 
     Ora, as Escrituras estabelecem, em Efésios, um paralelismo entre o homem e Cristo, assim como entre a mulher e a Igreja – o Corpo de Cristo. 
 
     O que é que daí se espera que advenha? É muito simples: se a mulher tomou (e deve tomar) o nome do homem, é óbvio, face ao paralelismo estabelecido, que a Igreja tome o nome de Cristo.
 
     Notemos, antes de mais, o paralelismo que referimos:
 
     É em Efésios 5 que Paulo estabelece paralelismo entre a mulher e a igreja, e entre o homem e Cristo. Destacamos as analogias a negrito, para uma mais fácil perceção.
 
     “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor;
 
     “Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja: sendo ele próprio o salvador do corpo.
 
     “De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos.
 
     “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,
 
     “Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra,
 
     “Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.
 
     “Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.
 
     “Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja;
 
     “Porque somos membros do seu corpo.
 
     “Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne.
 
     “Grande é este mistério: digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja” (Efésios 5:22-32).
 
O Cristo de Deus - o Novo Homem     Vejamos agora na carta que Paulo escreveu aos Coríntios como a Igreja toma o nome de Cristo:
 
     “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo assim é Cristo também (1 Coríntios 12:12).
 
     Este versículo atribui claramente o nome de Cristo ao Corpo de Cristo, à Igreja. Sim, a Igreja toma o nome de Cristo. 
 
     Resumindo, “Assim como o corpo [humano], … assim é Cristo”, ou seja, entenda-se: assim é o Corpo de Cristo (Igreja). Porquê? Exatamente porque o Corpo de Cristo está aqui a tomar o nome de Cristo. Cristo, nesta passagem, refere-se, não à Pessoa de Cristo, mas ao Corpo de Cristo, a Igreja. O corpo humano é uma figura do Corpo de Cristo, não da Cabeça. No entanto, o Corpo de Cristo toma ali o nome de Cristo porque, como já dissemos várias vezes – “é segurança para vós” – a Igreja, à semelhança de Eva, toma o nome do “Último Adão” – Cristo.
 
     Também vemos o mesmo na carta aos Efésios:
 
     “Pelo que, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo (Efésios 3:4).
 
     A Pessoa de Cristo não é um, ou o, mistério. Neste versículo “mistério” é o Cristo idealizado por Deus na eternidade passada, também chamado de um “Novo Homem” (Efé. 2:15), e que é constituído pela Pessoa de Cristo (Cabeça) e a Sua Igreja (Corpo) – este corpo e cabeça fazem um Homem (O Cristo de Deus). Ou seja, vemos mais uma vez a Igreja a tomar o nome de Cristo. A figura acima visa simplesmente ajudar a ter uma melhor visualização desta verdade.
 
     Sim, a Adão e Eva, Deus deu o nome de Adão; ao marido e à mulher, Deus deu o nome do marido; a Cristo e à Igreja, Deus deu o nome de Cristo.
 
     Pois bem, se a Igreja tem o nome de Cristo para tomar, que outro nome melhor poderia ela ter?
 
     Não queiramos outro nome. As igrejas de Deus tinham por costume tomar o nome de Cristo. Foi por isso que os descrentes passaram a chamar os crentes de Cristãos (Atos 11:26), que quer dizer “aquele que professa Cristo”
 
     O rei Agripa revela saber o nome que os que criam tomavam, ao exclamar a Paulo:
 
     “… Por pouco me queres persuadir a que me faça Cristão!” (Atos 26:28).
 
     Sim, o Cristão professa o nome de Cristo:
 
     “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus, e qualquer que profere [ou, professa, carrega, toma, traz, usa, utiliza] o nome de Cristo aparte-se da iniquidade”. (2 Timóteo 2:19).
 
     Se a igreja deve tomar o nome de Cristo não queremos outro nome. Este é o nome que “tomamos”, que “professamos”. Costumamos dizer que Cristo é um nome tão grande que não deixa espaço para qualquer outro nome. Portanto, não queremos, não podemos, ter outro nome.
 
     No primeiro século, em vão percorreríamos as ruas de Roma, Antioquia, Corinto, etc., à procura de uma placa ou letreiro que tivesse inscrito: Igreja X ou Igreja Y. As igrejas de Deus eram conhecidas simplesmente pelo nome da localidade onde estavam – “em Roma” (Rom. 1:7), “na cidade de Corinto” (1 Cor. 1:2), “em Éfeso” (Efé. 1:1); “em Filipos” (Fil. 1:1); “em Colossos” (Col. 1:1), etc.
 
     As pessoas descrentes, e não só, normalmente ficam confusas por não termos um nome humano sonante para a igreja. Eis uma boa ocasião para lhes explicarmos esta verdade do Evangelho tão ignorada e tanto para ser abraçada, amada e propagada.
 
     Também estes são costumes das igrejas de Deus.
 
(Continua)
 
- C.M.O.

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