Costumes das igrejas de Deus (IX)

 

Carlos M. Oliveira

 

Ecumenismo
 
Se o denominacionalismo, através da existência de denominações, é divisionista, desagrupando e dividindo o que Deus uniu, o ecumenismo, através da existência de uma única igreja mundial, é agregador, unindo o que Deus quer separado. 
 
     O que significa ecumenismo
 
     Ecumenismo vem do Grego Oikoumene, que quer dizer “este mundo habitado”, ou, “mundial”
 
     Em termos religiosos trata-se de um movimento que visa a unificação, não só de todas as chamadas igrejas Cristãs, como de todas as religiões do mundo, criando uma única igreja mundial. A máxima do movimento ecuménico é: Um só mundo, Uma só igreja. 
 
     Aparentemente, à primeira vista, a ideia parece boa e sã, porém errada e muito perigosa.
 
     Para além de idólatras essa igreja mundial engloba também animistas, politeístas e panteístas. Todos eles são parte desta igreja Cristã apenas de nome, Cristã apenas na aparência, visto que é recheada de Cristãos de imitação.
 
     A unificação preconizada pelos ecuménicos (defensores do ecumenismo) é resultante de uma imitação, e por conseguinte falsificação, que urge denunciar e rejeitar.
 
     A estratégia de Satanás é promover uma falsa união. É preciso muito cuidado, porque ele é um grande imitador. 
 
     A origem do movimento ecuménico aconteceu em Babel (Génesis) e terá o seu auge na Grande Babilónia (Apocalipse). 
 
 
A origem de Babilónia 
 
     “E era toda a terra duma mesma língua, e duma mesma fala.
 
     “E aconteceu que, partindo eles do Oriente, acharam um vale na terra de Sinear, e habitaram ali.
 
     “E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos, e queimemo-los bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal.
 
     “E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.
 
     “Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam;
 
     “E disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer.
 
     “Eia, desçamos, e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro.
 
     “Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade.
 
     “Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra, e dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra”(Génesis 11:1-9).
 
     A unidade era o lema dos habitantes de Babel. No entanto notemos a natureza da sua unidade. A unidade produzida pelos Babilónios consistia em “tijolo por pedra” e “betume por cal”. Porque será que Deus nos dá pequenos detalhes desta espécie? Qual o seu significado? 
 
     O “tijolo” serve para substituir a pedra, imitando-a, falsificando-a. A “cal” é um pó branco obtido pela calcinação de certas pedras e que se emprega especialmente na construção misturado com água e areia sob a forma de argamassa ou cola. O betume funcionava em vez da argamassa. É curioso que os Incas davam ao “betume” um nome que significava "goma da terra" (cola da terra). 
 
     Na Bíblia, os crentes são pedras vivas, no edifício que Deus está a construir (I Cor. 3:9; Efé. 2:21; 1 Pedro 2:5). Os Babilónios quiseram fazer uma habitação para o seu deus, usando pedra e cola feitos pelo homem - tijolo e betume, respetivamente. É exatamente isto que se está a passar nos nossos dias com o movimento ecuménico. Satanás quer construir, através dos ecuménicos, uma grande igreja, imitação da verdadeira, falsa portanto, para enganar os incautos. Como não pode contar com “pedras vivas”, por estas pertencerem ao Senhor, serve-se de material de imitação, falsificado, “tijolos”, religiosos com aparência de crentes, mas que são descrentes, com aparência de vida, mas estando mortos em delitos e pecados, unindo-os uns aos outros com cola de imitação – “betume por cal”. E assim Babel produz uma unidade substituta por imitação - falsificada. 
 
    O Espírito Santo é a cola (cal) celestial que une os verdadeiros crentes. Os crentes são selados numa unidade maravilhosa pelo Espírito - a cola do Céu (não da terra) -, porém os religiosos, porque não têm o Espírito, carecem de uma imitação terrena que realize a sua unidade. É o que está a acontecer com o chamado movimento ecuménico. Em vez de se tornarem, pelo Evangelho, pedras vivas unidas por laços de vida, constituem-se tijolos mortos ligados uns aos outros por cola terrena.
 
     Babilónia foi originada por Nimrod, que desafiou a Deus. Nimrod significa rebelde. O seu propósito era erguer um centro religioso de adoração pagã. Dizem que Semíramis, sua mulher, era mais ímpia que Jezabel. Abraão teria 50 anos quando ela terá morrido. Ela tem a fama de ter originado a religião Babiloniana mistério e de ter sido a primeira sumo-sacerdotiza deste sistema idólatra. Ela fundou um sistema religioso com muitos ritos secretos que incluía a idolatria e prostituição consagradas. Ela é um protótipo notável da mulher que tem escrito na testa "MISTÉRIO, A GRANDE BABILÓNIA, A MÃE DAS PROSTITUIÇÕES E ABOMINAÇÕES DA TERRA" (Apocalipse 17:5). Dizem que ela terá vivido 42 anos depois de Nimrod e que devido à sua licenciosidade teve um filho depois da morte dele. Ela terá dito que o filho teve um nascimento miraculoso e deu-lhe o nome de Tamuz, apresentando-o como Salvador do povo e falso Messias que cumpriria Gén. 3.15. Dizem que ele terá sido morto por uma fera mas que ressuscitou. Nos seus rituais eles tinham o hábito de aspergir água “santa”. A mãe era retratada como A Raínha dos Céus com o filho nos braços. Várias religiões pagãs contam este facto. 
 
     Os nomes podem variar mas a história é a mesma. Sabemos qual a Igreja atual, idólatra e prostituta, que tem uma “Rainha dos Céus”. Esta religião começada em Babel está a tornar-se na mãe de todas as religiões do mundo. É a mãe das prostituições, da Cristandade apóstata. Acabará por transformar-se na Grande Babilónia de Apocalipse.
 
     O Babilonianismo não está morto; está bem vivo. A Igreja infiel dá-lhe hoje continuidade, estando tudo a fazer para colar a si toda a Cristandade e até religiões pagãs, como referimos atrás. O conjunto de falsos Cristãos irá acabar por se tornar numa super Igreja mundial, infiel a Cristo, que está descrita em Apoc. 17 e 18.
 
     Muito tem sido escrito, falado e pregado sobre este assunto. Todos concordamos que a Igreja deveria ser UMA SÓ, na prática, e que é esse o propósito de Deus. Devemos considerar o cisma como uma falta grave. Mas há muita confusão e desacordo quanto ao que constitui a natureza da unidade da Igreja, e o modo pelo qual ela é obtida e preservada. 
 
 
Organização VITAL; não organizacional
 
     A unidade a que as Escrituras se referem é uma unidade VITAL; não organizacional, como preconiza o ecumenismo.
 
     A Bíblia enfatiza por diversas vezes a unidade do Corpo de Cristo – “um só Corpo” (1 Cor. 12:12; 10:16,17; Efé. 4:3,4).Se no corpo físico os membros estão unidos uns aos outros por vida física, no corpo espiritual – o Corpo de Cristo – os membros estão unidos uns aos outros por vida espiritual.
 
     Se um corpo físico vivo rejeita qualquer membro morto, o Corpo de Cristo rejeita os que estão mortos em delitos e pecados. Só quando uma pessoa recebe a vida eterna por crer no Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, é unida pelo Espírito Santo (a cola do Céu) ao Corpo de Cristo. Todos os que têm a vida eterna ficam automaticamente unidos uns aos outros por laços de vida eterna.
 
     João 17.11 é um dos textos favoritos dos ecuménicos:
 
     “E eu já não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós”.
 
     O Senhor orou para que "aqueles" fossem UM como Ele e o Pai são. Quem são "aqueles"? Em João 17.9 é claro que o Senhor ora apenas pelos que foram separados do mundo, os que são Seus:
 
     “Eu rogo por eles: não rogo pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são Teus.
 
     Ou seja, o Senhor ora apenas pelos que são crentes (ver também o versículo 20). Ele não ora pela unidade de crentes e descrentes.
 
     Nós não podemos ser UM em Cristo se não estivermos em Cristo. A única maneira de sermos UM é estarmos em Cristo. 
 
     Como se está em Cristo? I Cor. 15. 22 ajudar-nos-á a perceber. 
 
     “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (I Cor. 15. 22).
 
     Estar em Adão significa que somos membros da raça humana ou Adâmica. Como é que nos tornamos membros da raça humana? Por nascimento! Ora nós passamos a estar em Cristo igualmente por nascimento - pelo novo nascimento, ou regeneração. 
 
     “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5).
 
     Perante o quadro exposto o ecumenismo não faz qualquer sentido. Não faz nenhum sentido unificar descrentes com crentes. 
 
     Aliás, a Bíblia vinca bem a necessidade que há de separação nesse caso:
 
     “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?
 
     “E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?
 
     “E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei: e Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo.
 
     “Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei;
 
     “E Eu serei para vós Pai e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor todo-poderoso” (2 Coríntios 6:14-18).
 
     Os crentes autênticos devem demarcar-se do espírito e movimento ecuménico, por muito “inocente” que estes se afigurem, tendo cuidado com a astúcia utilizada por muitos agentes ecuménicos.
 
 
Unidade feita por Deus; não pelos homens
 
     Além do mais, convém que todos saibam que apesar de todos os esforços que o movimento ecuménico faz para fazer a unidade que perseguem, a sua tarefa é inglória, pois quem faz a unidade dos crentes é o Espírito de Deus - não os homens. É o Espírito Santo que faz esta unidade ao integrar-nos no Corpo de Cristo, no momento em que nos convertemos. Aos crentes genuínos apenas compete procurar
 
     “… guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Efésios 4:3).
 
     A unidade é feita pelo Espírito de Deus e guardada por nós.
 
     Não nos prendermos a um jugo desigual também é um dos costumes das igrejas de Deus.
 
(Continua)
 
- C.M.O.

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