Costumes das igrejas de Deus (II)

 

Carlos M. Oliveira

 
Razões da pluralidade de pastores
 
     Porque razão Deus não quer um único pastor por cada igreja local, mas vários?
 
     Evidentemente tem de haver razões fortes óbvias para que Deus queira que cada igreja local seja governada por vários pastores, e não por apenas um. 
 

Perigos
 
     Quando o pastorado numa igreja é desempenhado por um só homem este tende a ceder à ambição pessoal e ao desejo de controlar. Isto não quer dizer que todos os pastores nessas condições cedam a estes instintos negativos, contudo o perigo está sempre latente e é agravado pela falta de freios e contrapesos que a existência de mais pastores proporcionam e oferecem.
 
     Se o pastor for único e falhar moralmente, ou adoecer, ou lhe suceder qualquer outro impedimento, deixa a igreja numa situação muito difícil e complicada – sem direção. Pior ainda, esse pastor, tal Sansão que está “em pé entre as colunas … em que se sustém a casa”, faz desabar todo o edifício. Logicamente que isto é muito mais difícil de acontecer se a igreja tiver vários pastores. Uma equipa de anciãos pode, pela graça de Deus, aguentar e suportar “a casa” se um deles adoecer, cair ou se desviar.
 
     Se a igreja é dirigida por um só pastor e ele cai em falso ensino, toda a igreja pode ser desencaminhada, seguindo a heresia com relativa facilidade.  O mesmo será muito mais difícil de acontecer se houverem vários pastores. A pluralidade de pastores é uma grande proteção dada por Deus a cada igreja local.
 
     Segundo a Bíblia, a existência de um só homem na liderança de uma igreja, é mau sinal, pois tende à prepotência e potencia o despotismo, a ditadura, a tirania. O único exemplo que a Bíblia apresenta de um homem assim, encontra-se em III João:
 
     “Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe.
 
     “Pelo que, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja (Vers. 9,10).
 
 
Vantagens
 
     A liderança partilhada tem o benefício de cada pastor ter as suas insuficiências colmatadas pelas suficiências dos demais, e de ter a carga de trabalho aliviada e distribuída por todos. A liderança partilhada traz-lhes uma responsabilidade acrescida – responder perante o presbitério.
 
     Uma igreja com vários pastores beneficia de um ministério equilibrado, múltiplo e diferenciado, incomparavelmente mais enriquecedor, uma vez que os vários pastores se complementam e completam no seu ofício. Paulo não diz que há “diversidade de dons, … de ministérios, … de operações” (1 Cor. 12:4-6)? Isso é verdade também em relação aos pastores.
 
      “… com muitos conselheiros há sucesso” (Provérbios 15:22 NTLH). Quando a responsabilidade é partilhada por vários pastores, a igreja beneficia e lucra da sua sabedoria combinada.
 
     O pastor que serve com outros pastores tem a oportunidade de se sentar para ouvir a pregação de outros. Os pastores também precisam de se alimentar da Palavra de Deus pregada.
 
     Quando a carga é partilhada, cada pastor fica com mais tempo para atividades "comuns". Desse modo será mais fácil para o rebanho lembrar-se que ele, embora pastor, também é, como os demais crentes, uma das ovelhas de Cristo.
 
     Haverá menos tentação de os membros da igreja exaltarem o pastor se houverem outros pastores como ele. Tendo vários pastores, os crentes também se lembrarão mais facilmente que a igreja é de Cristo, e não do pastor.
 
     Quando o pastorado é partilhado os demais crentes entendem mais facilmente que os seus dons também podem ser usados em alguma capacidade na igreja, o que encorajará a sua participação noutros ministérios.
 
     Havendo vários pastores há menos tentação de orgulho por parte de cada pastor. O pastor lembrar-se-á mais facilmente que a igreja não é sua, mas de Cristo. Quando um homem é exaltado guindando-se a figura de proa da igreja, é muito fácil ele ser tentado a desenvolver um estilo de liderança ditatorial.
 
 

Conclusão

     Nos nossos dias houve-se muitos dizerem, “o pastor da minha igreja …”, referindo-se a um homem. Bem-aventurados são os crentes das igrejas que, pelo contrário, podem dizer, “os pastores da minha igreja …”.

     A expressão, “O Pastor da minha igreja”, deveria ser só usada com referência ao Senhor Jesus Cristo, pois Ele é chamado de “O Pastor” por excelência.

     É muito salutar e edificante notar nas Escrituras o intento de Deus na dádiva de pastores:

     “E vos darei pastores segundo o Meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência” (Jeremias 3:15).

     “E levantarei sobre elas [as Minhas ovelhas] pastores que as apascentem, e nunca mais temerão, nem se assombrarão, e nem uma delas faltará, diz o Senhor” (Jeremias 23:4).

     “Portanto, ó pastores, ouvi a Palavra do Senhor” (Ezequiel 34:7,9).

     Em suma, nas igrejas de Deus era costume haver, não um, mas vários pastores (plural) e isto para benefício de cada uma delas. Fomentemos  e preservemos este costume. 
 
(Continua)
 
- C.M.O.
P.S. - Saiba mais sobre este importante assunto vendo e ouvindo a mensagem em vídeo, "Não têm pastor?".

Sermões e Estudos

Alberto Veríssimo
Força na Fraqueza

Tema abordado por Alberto Veríssimo em 27 de setembro de 2020

Carlos Oliveira
A certeza improvável

Tema abordado por Carlos Oliveira em 25 de setembro de 2020

Dário Botas
Não teimes, mas persevera

Tema abordado por Dário Botas em 20 de setembro de 2020

Estudo Bíblico
Estudo Bíblico

Sobre a Epístola aos Colossenses 3:13 em 23 de setembro de 2020

 
ver mais
 
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • 966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • QUINTA DO CONDE
    Clique aqui para ver horário