Costumes das igrejas de Deus (VII)

 

Carlos M. Oliveira

 

Denominacionalismo
 
     Atualmente o chamado mundo religioso Cristão caracteriza-se tragicamente pela existência de várias denominações. 
 
     Significado de Denominação
 
     Uma denominação pode ser definida como um grupo de igrejas locais unidas sob um conjunto de doutrinas e nome comuns e organizadas sob uma única hierarquia administrativa e jurídica, ou uma organização religiosa que une num único órgão administrativo e legal um determinado número de congregações locais.
 
     Em termos muito simples podemos dizer que se trata de um grupo de congregações que se unem sob uma organização governante comum.
 
     Exemplos: Igreja Batista, Igreja Metodista, Igreja Luterana, Igreja Episcopal, Igreja Anglicana, Igreja Pentecostal, Igreja Congregacional, Igreja Presbiteriana, Igreja do Nazareno, etc.
 
 
Significado de denominacionalismo
 
O denominacionalismo é a devoção aos princípios ou interesses denominacionais; é a tendência para a separação em denominações e respetiva defesa.
 
 
Porque é errado o denominacionalismo
 
 
Em primeiro lugar, o denominacionalismo é errado por não ser bíblico, ou seja, não tem suporte bíblico.
 
Não há qualquer base nas Escrituras para as igrejas locais serem divididas em vários grupos denominacionais. Nenhuma denominação pode apontar para uma passagem na Bíblia e dizer: a minha denominação está aqui.
 
Cada uma das igrejas de Deus era autónoma e com governo próprio. A sua organização limitava-se ao seio da congregação local com os seus próprios anciãos (também conhecidos como pastores, bispos, presbíteros), cuja responsabilidade era apascentar apenas os crentes da congregação em que estavam em comunhão. 
 
Na Bíblia a única autoridade sobre cada igreja local é Cristo - a Cabeça da Igreja. Ela é exercida através do ditame das Escrituras bem manejadas.
 
Indivíduos, concílios, sínodos, etc., que presumam ter autoridade sobre as congregações locais fazem-no sem qualquer autoridade ou base bíblica.
 
 
Em segundo lugar, o denominacionalismo é errado por ser contrário às Escrituras.
 
Paulo condena o denominacionalismo na sua epístola aos Coríntios:
 
“Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo sentido e em um mesmo parecer.
 
“Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloe que há contendas entre vós.
 
“Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolos, e eu de Cefas, e eu de Cristo.
 
“Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?” (1 Coríntios 1:10-13).
 
Ele afirma mesmo que o denominacionalismo é um sinal de carnalidade:
 
“Porque ainda sois carnais: pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?
 
“Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolos: porventura não sois carnais?
 
É lamentável ver alguns erguer paredes de separação quando Cristo veio demolir uma parede de separação (Efésios 2:14-16).
 
O Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para reconciliar o homem com Deus em UM CORPO. 
 
“E pela cruz reconciliar ambos com Deus em UM CORPO, matando com ela as inimizades” (Efésios 2:16).
 
Paulo diz 4 vezes que e SOMOS “UM SÓ CORPO (Romanos 12:5; 1 Coríntios 10:17; 12:12; Efésios 4:4).
 
 
Em terceiro lugar, o denominacionalismo é errado por ser lesivo a Cristo e à Sua causa.
 
O denominacionalismo apropria-se da autoridade que só Cristo tem sobre a Sua igreja. Se só Jesus é a Cabeça da Igreja, o que quer que seja que usurpe o Seu lugar torna-se num ídolo, pois toda e qualquer coisa que ocupe o lugar que só pertence ao Senhor é um ídolo.
 
O Senhor Jesus Cristo, quando na Terra, orou pela unidade dos crentes, reconhecendo que esta é muito importante para que os descrentes creiam .
 
“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em Mim, e eu em Ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste”(João 17:21). 
 
O contrário também é verdade. Portanto, o denominacionalismo fomenta a incredulidade. Face às palavras do Senhor, não é surpresa vermos os descrentes serem renitentes em aceitar a verdade do Evangelho oriunda de uma igreja dividida.
 
Muitos ateus e agnósticos desculpam-se com a igreja dividida para não crer em Deus. O mesmo acontece com Islâmicos e Judeus. 
 
Em suma, o denominacionalismo é:
 
1. Carnal (I Co. 3:1-3);
2. Divisionista (I Co. 1:10);
3. Idólatra e gerador de incredulidade (1 Cor 10:14; Rom. 2:24).
 
 
Autonomia da igreja local
 
Cada uma das igrejas de Deus tinha por costume primar pela sua autonomia relativamente às outras, dependendo unicamente da Cabeça da Igreja – o Senhor Jesus Cristo. Não era, por conseguinte, denominacionalista.
 
     Nós não lemos nas Escrituras de qualquer supervisão humana sobre uma igreja local que não seja a dos seus próprios anciãos ou pastores; assim, não tendo nenhuma autoridade humana externa sobre ela, cada igreja local era autónoma para dirigir os seus próprios assuntos, não sendo parte de qualquer estrutura organizacional, como prevalece no denominacionalismo moderno. 
 
     A autonomia da igreja local é a primeira e a última linha de defesa contra a ameaça sempre presente de se criar denominações.  Ao lermos as Escrituras vemos que não havia nenhuma ligação estrutural ou algum tipo de hierarquia entre as igrejas locais. Nenhuma se impunha ou ditava regras às outras igrejas. Por isso, também, podemos afirmar que as igrejas locais eram autónomas. 
 
     "Autonomia" significa, "o direito de autogovernação" ou "liberdade de tomar as próprias ações, comportamento, etc. A palavra "autonomia" não surge nas Escrituras, mas o conceito geral é claramente visto no ensino das Epístolas e na prática das igrejas no livro dos Atos. 
 
     O princípio da autonomia das igrejas locais é transdispensacional.
 
     Cada uma das sete igrejas do Apocalipse é representada por um castiçal. Muitos têm-se interrogado sobre a razão de Deus usar sete castiçais separados para representar as sete igrejas e não um único castiçal que as representasse, visto que um castiçal tem sete braços que poderiam representá-las. 
 
     A razão é simples e óbvia: Deus pretendeu mostrar e evidenciar a autonomia de cada igreja local. Nos sete castiçais independentes temos um belo quadro da autonomia das igrejas de Deus. O Senhor “no meio dos sete castiçais” significa que as igrejas estão sob o Seu controlo e não sob o controlo que qualquer denominação.
 
     A autonomia de cada igreja local, ao contrário do que possa parecer, protege-a como não a protegeria uma denominação a que ela pertencesse. Por exemplo, no tempo das perseguições, se as igrejas fossem comandadas por uma organização externa governante, se os perseguidores dominassem esta organização, dominariam todas as igrejas. Mas sendo estas autónomas, para que o perseguidor as dominasse todas, teria que dominar cada uma delas, o que lhes seria uma tarefa praticamente impossível, como se veio a comprovar.
 
 
Testemunho de grandes vultos da História da Igreja
 
     A compreensão do erro do denominacionalismo levou alguns homens de Deus do passado a pronunciarem-se. 
 
     Martinho Lutero, líder do Movimento da Reforma, escreveu:
 
     “Peço que os homens não façam qualquer referência ao meu nome, e não se chamem de luteranos, mas de Cristãos. O que é Lutero? A minha doutrina, tenho a certeza, não é minha, nem eu fui crucificado por ninguém. Paulo, em 1 Coríntios 3 não permitiu que os Cristãos se chamassem de Paulinos ou Petrinos mas simplesmente de Cristãos. Como é que então eu, pobre carcaça fétida que sou, daria aos filhos de Cristo um nome derivado do meu nome banal? Não, não, meus queridos amigos, abolamos todos os nomes sectários, e chamemo-nos simplesmente de Cristãos, tomando o Nome d’Aquele cuja doutrina temos.”- Hugh Thomason Kerr, A Compend of Luther's Theology (Philadelphia: The Westminster Press, 1943, p. 135).
 
     John Wesley, outro grande líder da reforma, entre cujos seguidores estão os metodistas, wesleyanos, etc., disse:
 
     "Quisera Deus que todos os nomes sectários, e frases e formas não bíblicas que têm dividido o mundo Cristão, fossem esquecidos e que o próprio nome [Metodista] nunca mais pudesse ser mencionado, mas fosse enterrado no esquecimento eterno." - John Wesley, Universal Knowledge, A Dictionary and Encyclopedia of Arts, Science, History, Biography, Law, Literature, Religions, Nations, Races, Customs, and Institutions, Vol. 9, Edward A. Pace, Editor (New York: Universal Knowledge Foundation, 1927, p. 540).
 
     Charles Spurgeon, um dos maiores pregadores Batistas que já viveu, disse:
 
     "Eu aguardo com prazer o dia em que não haverá um Batista vivo! Espero que o nome Batista pereça em breve, e que o nome de Cristo perdure para sempre."- Spurgeon Memorial Library, vol. I., p. 168.
 
 
Uma pergunta pertinente e esclarecedora
 
Conta-se a história de dois cristãos que se encontraram pela primeira vez numa viagem de comboio. Depois de conversa agradável sobre as coisas de Deus, um deles perguntou:
 
     "A que denominação pertence?" 
 
     O outro respondeu: "Esse é o meu problema e talvez me possa ajudar. Supondo que tivesse apenas a Palavra de Deus para o guiar, que denominação me aconselharia a seguir?" 
 
     O seu companheiro de viagem pensou um pouco e depois disse: "Bom, se eu tivesse apenas a Palavra de Deus como autoridade não poderia aconselhá-lo a juntar-se a nenhuma!" 
 
     "É essa, exatamente, a minha posição", respondeu o outro, "e, é por isso que me reúno com aqueles que procuram viver o que acham escrito na Palavra de Deus e que procuram reunir-se apenas no nome do Senhor Jesus Cristo, afastados de toda a confusão trazida pelo grande número de denominações".
 
     É esta a nossa posição. 
 
     O desejo de pertencer a algo grande sempre perseguiu o povo de Deus. Quem quer pertencer a algo pequeno? A história da Cristandade revela repetidas vezes essa inclinação. Mas, porquê e para quê, se em vez de pertencermos a algo, pertencemos a Alguém? Não! Em vez de fazermos um nome para nós, prefiramos engrandecer o incomparável Nome do Senhor Jesus Cristo. Este também era um dos costumes das igrejas de Deus.
 
(Continua)
 
- C.M.O.

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