Costumes das igrejas de Deus (I)

Carlos M. Oliveira

 

      “… nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus(1 Cor. 11:16).

 

     Um, ou vários pastores por igreja?

         Qual era o costume das igrejas de Deus relativamente ao seu governo, ao seu pastorado? Eram governadas por um pastor único ou por vários pastores? 

     Em todas as cartas escritas por Paulo, ele nunca menciona a palavra ‘pastor' (singular) referindo-se a um homem, algo que teria sido uma omissão muito grave da sua parte se Deus pretendesse que houvesse um pastor em cada uma das igrejas locais.

     De facto, segundo podemos confirmar nas Escrituras, um dos costumes existentes nas igrejas de Deus era a pluralidade de pastores (mais do que um) em cada uma delas. 

     Infelizmente, nos nossos dias, são poucas as igrejas que são fiéis ao modelo bíblico.

     Pastor (singular) era algo que não existia em nenhuma igreja bíblica. Nas Escrituras, o termo Pastor (singular) é reservado exclusivamente para o Senhor Jesus Cristo. Ele é chamado de “bom”, “grande” e “SumoPastor (João 10:11;  Hebreus 13:20; 1 Pedro 5:24). Sempre que a Bíblia se refere a homens com este dom, apresenta-os como pastores (plural).

     Biblicamente, “pastores”, “bispos”, “presbíteros” ou “anciãos” são palavras sinónimas que surgem sempre no plural. Estes vocábulos são usados intermutavelmente, mostrando assim que têm o mesmo significado, como podemos constatar nas seguintes passagens:

     Em Atos 20:17,28  lemos que os anciãos são chamados de bispos e que apascentam, pelo que também são pastores.

     “E de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da igreja

     “Olhai pois por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”.

     Em Tito 1:5,7 lemos que os presbíteros são também chamados de bispos.

     “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei:

     “Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância”.

    Em 1 Pedro 5:1,2 lemos que os presbíteros apascentam, pelo que são igualmente pastores.

     “Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar:

     “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente: nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto”.

     Portanto, na Bíblia, um ancião é o mesmo que bispo, presbítero ou pastor.

     Em Efésios 4:11,12 lemos que o Senhor deu pastores (plural) à igreja:

     “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,

     “Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo”.

     A palavra é usada no plural, ou seja, “pastores”. Isto é significativo. Na igreja de modelo bíblico os pastores não são singulares, mas plurais (mais do que um). Assim, pois, não há qualquer suporte bíblico para a prática do Sola Pastora (pastor único).

 

A vitaliciedade dos dons

     Também é importante constatar que, sendo um dom, o dom de pastor, como os demais dons, é vitalício. Nem faria sentido de outra forma, sendo um membro do corpo. Não é assim que o corpo humano, que é uma figura do Corpo de Cristo, funciona? Na Bíblia não há nenhum exemplo de um dom que alguma vez tivesse deixado de o ser. A mão será sempre mão, e o pé será sempre pé, e por aí fora. Os dons podem não ser exercitados por negligência, por ignorância ou por disciplina, devido a pecado, mas nunca deixam de ser dons. Alguns querem fazer da igreja uma empresa, transformando os dons em cargos, mas a igreja não é uma empresa; é um corpo. Os crentes na igreja não são como os membros de uma empresa, que hoje têm um determinado cargo e amanhã deixam de o ter. Os dons não são cargos. Nas Escrituras não há nenhum exemplo de pastores, ou anciãos, ou presbíteros, ou bispos, que alguma vez tivessem deixado de o ser. 

 

O reconhecimento dos dons

     Os dons são dados por Deus (Atos 20:28; Efésios 4:7-12) - não são fabricados pelos homens em seminários, ou institutos e escola bíblicas. Aos homens apenas compete reconhecê-los atendento ao seu desempenho bíblico (1 Tesssalonicenses 5:12).

      "E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam. E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós" (1 Tes. 5:12,13).

 

Os dons não são objeto de eleição

     A igreja não é nenhuma democracia para os dons serem eleitos pelos homens. Atos 14:23 é citado por alguns para justificar a realização de eleições nas assembleias para a escolha de quem as governa. 

     "E havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja, orando, com jejuns, os encomendaram ao Senhor, em quem haviam crido" (Atos 14:23).

     Este texto não tem o suporte para tal prática por duas razões. Em primeiro lugar porque os que vemos fazer aquele trabalho ali, são os apóstolos, e hoje, como bem sabemos, não há apóstolos para o poderem fazer. Em segundo lugar, a palavra Grega usada para eleito (cheirotoneō), é uma palavra que quer lider literalmente indicado, ou apontado com dedo estendido. Ou seja, os apóstolos indicavam aos crentes com pouca experiência da vida Cristã, pois tinham-se convertido pouco tempo antes, não tendo experiência, quem eram aqueles, entre eles, os que estavam a manifestar os dons dados pelo Senhor, a fim de que os reconhecessem (1 Tes. 5:12). Hoje, quando uma igreja local se forma, compete aos crentes locais o reconhecimento (1 Tes. 5:12) dos dons entre eles, podendo ser ajudados nesse reconhecimento por aqueles, de fora, cuja experiência da vida Cristã é um facto, principalmente por aqueles que os levaram ao conhecimento da verdade do Evangelho. 

     "E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam" (1 Tes. 5:12).

  
     Exemplos de pluralidade
 
     A existência de um só pastor numa igreja significa desvirtuamento do costume bíblico, um sinal de declínio e, como veremos, exposição a grandes perigos.
 
     Escrevendo aos Filipenses, o Apóstolo Paulo refere haver vários pastores na igreja em Filipos.
 
     “Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus, que estão em Filipos, com os bispos e diáconos” (Filipenses 1.1).
 
     Para termos uma noção da proporção do desvio bíblico, notemos que enquanto hoje, em muitas situações, existe um bispo para várias igrejas, nos tempos bíblicos cada igreja tinha vários bispos. Algo tem mudado …, e não foi para melhor.
 
     A igreja em Éfeso tinha vários pastores ou anciãos, como podemos ver em Atos 20:17,28 , versículos citados acima.
 
     A Igreja em Jerusalém tinha vários anciãos (Atos 15:2, 4, 6, 22, 23; 16:4; 21:18).
 
     A igreja em Antioquia também tinha vários anciãos (Atos 11:30).
 
     Em Atos 14:23 lemos de forma enfática que havia “anciãos EM CADA IGREJA
 
     Um grupo de anciãos (plural) é, por conseguinte, o modelo bíblico de governo para cada igreja local. 
 
     Em Hebreus lemos que os crentes tinham que sujeitar-se, não a um mas, a vários pastores:
 
      “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão-de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (13:17).
 
     Nos vários registos bíblicos nunca vemos nenhuma igreja, por menor que fosse, que tivesse um só pastor. O padrão bíblico é, de facto, a pluralidade de pastores. 
 
     Portanto, a prática comum de a maioria das igrejas hoje terem um só pastor por congregação, não tem qualquer fundamento bíblico.
 
     Algumas igrejas têm inventado uma estrutura hierárquica do tipo “pastor sénior”, “pastor executivo”, “pastor assistente”, “pastor de jovens”, mas esta solução é meramente humana, não tendo igualmente qualquer base bíblica. Segundo as Escrituras a paridade entre os pastores é total, ainda que ca da um possa ter características muito próprias. Na Bíblia um pastor nunca é destacado de outro - são sempre vistos em conjunto, em total paridade. Na Bíblia não há pastores de primeira, de segunda, e de terceira classe. Se na Bíblia existe um Pastor Sénior, só pode ser Jesus Cristo, pois acerca d’Ele lemos que é o “Grande Pastor, “o Sumo Pastor” (Heb.13:20; 1 Pet.5:4). 
 
(Continua)
 
- C.M.O.

P.S. - Saiba mais sobre este importante assunto vendo e ouvindo a mensagem em vídeo, "Não têm pastor?".

Sermões e Estudos

Fernando Quental
Prevenção

Tema abordado por Fernando Quental em 28 de fevereiro de 2021

Carlos Oliveira
A certeza da fé

Tema abordado por Carlos Oliveira em 26 de fevereiro de 2021

Alberto Veríssimo
O valor da dor

Tema abordado por Alberto Veríssimo em 21 de fevereiro de 2021

Estudo Bíblico
Estudo Bíblico

Sobre a Epístola aos Colossenses 3:18,19 em 24 de fevereiro de 2021

 
ver mais
 
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • 966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • QUINTA DO CONDE
    Clique aqui para ver horário