A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (9)

C. R. Stam

 

Uma Vez Mais Roubados?

     Examinando assim esta passagem à luz do seu contexto e de outras passagens com ela relacionadas, será que teremos sido "roubados duma outra promessa preciosa";

     Na verdade, não. Já provámos que se aplicarmos a nós esta promessa nós é que somos roubadores, pois não temos nenhum direito de tomar o que não nos pertence.

     Contudo, é uma verdade bendita, o facto de, em Cristo, termos de longe mais do que o que foi prometido aos que abandonaram tudo pelo Messias, na Terra, Além disso, apesar de não podermos viver como eles viviam, tendo tudo em comum (1 Tim. 5:8), é todavia também uma verdade bendita que aqueles que nos nossos dias se sacrificam por Ele, receberão mesmo recompensas maiores.

     Será necessário que repitamos de novo as passagens que têm a ver com a nossa presente posição exaltada e o nosso futuro glorioso? Se for necessário é porque o leitor ainda não obedeceu a Col. 3:1-3:

     “PORTANTO SE JÁ RESSUSCITASTES COM CRISTO BUSCAI AS COISAS QUE SÃO DE CIMA, ONDE CRISTO ESTÁ ASSENTADO À DEXTRA DE DEUS.

     “PENSAI NAS COISAS QUE SÃO DE CIMA, E NÃO NAS QUE SÃO DA TERRA;

     “PORQUE JÁ ESTAIS MORTOS, E A VOSSA VIDA ESTÁ ESCONDIDA COM CRISTO EM DEUS”.

     Por muitas bênçãos temporais que possamos gozar na nossa experiência Cristã não as devemos confundir com aquilo que nos foi outorgado como nossa porção particular - "TODAS AS BENÇÃOS ESPIRITUAIS NOS LUGARES CELESTIAIS, EM CRISTO” (Efé. 1:3).

     Certamente que poderíamos continuar a considerar promessas que são erroneamente reivindicadas pelo povo de Deus hoje, mas o exame que fizemos nas páginas precedentes, estabeleceu, esperamos, os seguintes factos:

     1. Não é verdade que todas as promessas na Palavra de Deus nos foram feitas a nós.

     2. Não temos nada a perder, ao reconhecermos isto.

     3. Forçar ou alterar o significado de qualquer promessa a fim de a tornarmos aplicável a nós impedirá necessariamente a nossa compreensão dos propósitos de Deus e destruirá a eficácia do nosso serviço para Ele.

 

UMA CONSIDERAÇÃO BÁSICA

     No momento em que for salientado que uma determinada promessa nas Escrituras foi feita a outros e não a nós, temos a certeza de que se ouvirá: “Eles estão-nos a roubar bênçãos” ou “Eles estão a pôr em dúvida as promessas” ou “Eles estão a mutilar passagens da Palavra de Deus”.

     Porém, amado, dizer que determinada promessa não te foi feita a ti não é pôr em dúvida essa promessa, nem de forma alguma se questiona em qualquer sentido que esta seja inspiração Divina da Palavra de Deus. Tu não tens qualquer direito de apropriar as promessas de Deus duma forma promíscua; tomar apenas as que te parecem adaptáveis às tuas necessidades e deixar o resto, com todas as maldições, para Israel.

     Não, como já vimos, nós não perderemos nada com este reconhecimento. Muitas promessas são erroneamente reivindicadas por crentes sinceros simplesmente porque falham em ver a posição e bênçãos mais elevadas dos membros do Corpo de Cristo.

     Antes de podermos ser inteligentemente usados por Deus, por conseguinte, temos de aprender a lição básica de que apesar de toda a Escritura ser para nós, certamente que não foi toda escrita acerca de nós ou a nosso respeito. Isto é, podemos aprender lições preciosas de toda ela - lições acerca da natureza e necessidade do homem e acerca do carácter e fidelidade de Deus, porém não temos qualquer direito de olhamos para ela como se fosse toda dirigida a nós.

     Pode-se supor que um facto tão simples dificilmente careceria de ter de ser declarado, mas os homens são naturalmente supersticiosos e esquecem-se depressa do que parece tão evidente. Querem olhar para a Bíblia como um grande Livro de dizeres benditos dos quais podem escolher o que querem.

     Mas, por exemplo, há uma grande diferença entre Moisés a dirigir-se aos filhos de Israel no deserto, Pedro a dirigir-se ao Sinédrio e Paulo a escrever aos Gentios. Há una grande diferença entre as promessas de Deus a Israel a respeito da sua bênção futura na terra de Canaã e as Suas promessas a nós a respeito da nossa porção nos séculos vindouros.

     Para além das passagens das Escrituras que falam à humanidade em geral, há as que nos falam em particular e estas são para nós apropriarmos como peculiarmente nossas - o nosso correio privado. Certamente que nos referimos às epistolas Paulinas. Os crentes neste século Gentílico têm negligenciado a declaração de Paulo em Romanos 11:13:

     “PORQUE CONVOSCO FALO GENTIOS, QUE ENQUANTO FOR APÓSTOLO DOS GENTIOS, GLORIFICAREI O MEU MINISTÉRIO”.

     Tomemos, então, a nossa posição nas epistolas Paulinas, e examinemos a partir dessa posição vantajosa toda a Palavra de Deus. Assim, e só assim, é que podemos tirar o máximo partido da Santa Palavra de Deus.

 

O QUE É QUE PODEMOS APROPRIAR PARA NÓS?

     Significará isto que nós não poderemos reivindicar quaisquer promessas fora das epistolas Paulinas? Não, mas significa que não deveremos apropriar promiscuamente toda e qualquer promessa que nos possa tocar.

     Como já indicámos, há algumas promessas que têm a ver com a humanidade em geral. Também há promessas que, embora não nos tenham sido diretamente feitas a nós, contudo nos afetam. (Ver Gén. 22:18 e Rom. 15:8,9).

     Ademais, muitas das promessas de Deus feitas aos outros ensinam-nos factos acerca do Seu carácter que nos deveria levar a confiar n'Ele em circunstâncias semelhantes. Porém não deverá ser apropriada nenhuma promessa que não seja compatível com a mensagem e o programa de Deus para nós hoje, como condensa o apóstolo Paulo.

     Não, 2 Tim. 3:16 não contradiz 2 Tim. 2:15. Na realidade estas duas passagens andam de mãos dadas e todo o crente deveria associá-las na sua mente.

     2 Tim. 3.16,17: “TODA A ESCRITURA DIVINAMENTE INSPIRADA É PROVEITOSA PARA ENSINAR, PARA REDARGUIR, PARA CORRIGIR, PARA INSTRUIR EM JUSTIÇA;

     "PARA QUE O HOMEM DE DEUS SEJA PERFEITO, E PERFEITAMENTE INSTRUÍDO PARA TODA A BOA OBRA".

     2 Tim. 2:15: “PROCURA APRESENTAR-TE A DEUS APROVADO COMO OBREIRO QUE NÃO TEM DE QUE SE ENVERGONHAR, QUE MANEJA (ou DIVIDE) BEM A PALAVRA DA VERDADE”.

- Cornelius R. Stam
(Continua)

A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (1)
A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (2)
A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (3)
A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (4)
A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (5)
A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (6)
A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (7)
A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (8)
A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (9)
A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (10)

Sermões e Estudos

Fernando Quental
Como o Senhor transforma

Sermão proferido por Fernando Quental em 08 de dezembro de 2019

José Carvalho
Clamei a Deus

Sermão proferido por José Carvalho em 01 de dezembro de 2019

Dário Botas
Moisés e Paulo

Sermão proferido por Dário Botas em 24 de novembro de 2019

Estudo Bíblico
Estudo Bíblico

Sobre a Epístola aos Colossenses 3:1 em 11 de dezembro de 2019

 
ver mais
 
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • 966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • QUINTA DO CONDE
    Clique aqui para ver horário