A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (4)

C. R. Stam

 

ISAÍAS 65:24

     “E será que antes que clamem, Eu responderei: estando eles ainda falando, Eu os ouvirei”.

     A passagem atrás citada é um outro exemplo dum texto constantemente tomado fora do seu contexto e duma forma que é positivamente supersticiosa.

     Sem mesmo inquirirem a quem é que esta declaração é dirigida ou a que altura se refere, milhares de crentes têm-na tomado para si fora do contexto a que pertence e têm-na aceite como uma promessa de Deus para eles.

     Na realidade eles dividem em duas partes a promessa de Isaías 65.24,25. Apropriam uma parte para si e desprezam a outra, pois a declaração continua a dizer que sucederá também que

     “O LOBO E O CORDEIRO SE APASCENTARÃ0 JUNTOS E O LEÃO COMERÁ PALHA COMO O BOI; E PÓ SERÁ A COMIDA DA SERPENTE. NÃO FARÃO MAL NEM DANO ALGUM EM TODO O MEU SANTO MONTE, DIZ O SENHOR”.

     São estas as palavras do versículo 25, mas diga a alguns, que têm apropriado para si o versículo 24, que a promessa ali encerrada não é uma promessa de Deus para eles e eles acusá-lo-ão de duvidar da Palavra de Deus!

     Esperamos que nenhum dos nossos leitores trate assim as Escrituras.

     Suponhamos que numa circunstância excepcional encontramos um lobo e um cordeiro a apascentarem-se juntos. Estaríamos a usar legitimamente as Escrituras ao chamarmos a esse facto um cumprimento da promessa de Isa. 65.25? Certamente que não, pois não é regra os lobos hoje apascentarem-se conjuntamente com os cordeiros. Esta promessa ainda não se cumpriu.

     Suponhamos, então, que recebíamos como exceção alguma bênção antes de a pedirmos. Estaríamos a usar legitimamente as Escrituras se chamássemos a isso um cumprimento da promessa de Isa. 65:24? Com toda a certeza que não, pois os nossos pedidos não são, em regra, respondidos assim tão prontamente.

     Esta promessa, como a seguinte a que a ela está agregada, ainda não se cumpriu.

     Quantas vezes temos que clamar como David, “Até quando, Senhor, até quando?” Quantas vezes temos que dar ouvidos ao seu conselho para “esperarmos pacientemente pelo Senhor”!

     Até Paulo “rogou três vezes ao Senhor” para que um espinho na carne lhe fosse removido, e tão-somente para ouvir, “A Minha graça te basta” (2 Cor. 12:8,9).

     A quem é que então é feita a promessa de Isaías e quando é que ela se cumprirá?

     Sem dúvida que é feita a Israel no que diz respeito ao futuro reino de Cristo. Então, e não antes, a promessa será totalmente cumprida.

     O reconhecimento deste facto roubar-nos-á alguma bênção?

     Mesmo que esse reconhecimento nos privasse de bênçãos que pensávamos ser nossas, certamente que quereríamos conhecer a verdade. Nenhum crente quererá decerto fechar os olhos perante factos e tentar apropriar para si promessas que nunca lhe foram feitas. Nós não devemos tomar quaisquer promessas, que simplesmente desejamos para nós, e deixarmos o resto, juntamente com as maldições, para Israel!

     Todavia, graças a Deus, nós não sofremos qualquer perda mas, pelo contrário, grande ganho, ao manejarmos bem a Palavra da verdade.

     Primeiro de tudo, é para nós uma vantagem as nossas orações ficarem muitas vezes muito tempo por responder, neste “presente século mau”.

     Com tanta coisa a procurar desviar-nos de Deus, respostas demoradas têm geralmente o efeito salutar de nos levar a orar mais fervorosamente e de nos aproximar mais d'Ele.

     Em contraste impressionante com Isa. 65.24, encontramos o apóstolo Paulo a instruir os santos para que

     “OREM EM TODO O TEMPO COM TODA A ORAÇÃO E SÚPLICA NO ESPÍRITO E VIGIANDO NISTO COM TODA A PERSEVERANÇA E SÚPLICA ...” (Efé. 6:18).

     Uma tal exortação não seria necessária se fosse parte da experiência normal Cristã recebermos as respostas aos nossos pedidos tão prontamente como acontecerá um dia, segundo Isa. 65.24.

     Esta mesma exortação à perseverança na oração (ainda que não necessariamente na oração por uma determinada coisa particular) também é vista na exortação de Paulo para se “orar sem cessar” (1 Tes. 5:17). Porque é que ele nos haveria de dizer para não deixarmos de orar se as nossas orações fossem respondidas com a prontidão de Isa. 65:24?

     Mas em segundo lugar, nas trevas deste século, para nós, é muitas vezes melhor termos os nossos pedidos por conceder.

     Paulo achou que sim. Ele quereria ser libertado do seu espinho na carne sem demora se tal pudesse ser. Não era um impedimento para o seu ministério? Não tornava a sua pregação e ensino e o próprio viver difíceis?

     Assim pareceu-lhe, e por isso orou três vezes ao Senhor para que aquele aparente impedimento ao seu ministério fosse removido. Todavia o Senhor sabia o que era melhor para ele.

     O Senhor sabia que de facto aquela carga não era de forma alguma um impedimento, mas uma ajuda para o seu ministério. Ele necessitava de um espinho na carne para se manter no lugar de humildade e de dependência do Senhor. Quando ele aprendeu finalmente a lição, escreveu:

     “E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar.

     “Acerca do qual três vezes orei ao Senhor, para que se desviasse de mim.

     “E disse-me: A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza ...” (2 Cor. 12:7-9).

     E a isto ele acrescenta aquelas palavras maravilhosas que ninguém pode dizer que reivindicam libertação das enfermidades como promessa de Deus:

     “DE BOA VONTADE POIS ME GLORIAREI NAS MINHAS FRAQUEZAS, PARA QUE EM MIM HABITE O PODER DE CRISTO.

     “PELO QUE SINTO PRAZER NAS FRAQUEZAS NAS INJÚRIAS NAS NECESSIDADES, NAS PERSEGUIÇÕES NAS ANGÚSTIAS POR AMOR DE CRISTO. PORQUE QUANDO ESTOU FRACO ENTÃO SOU FORTE” (2 Cor. 12:9,10).

     Será que Paulo sentia que lhe tinha sido roubada a bênção porque ele não podia gozar o que tinha sido prometido aos de outra dispensação? Será que ele pensava que tinha errado por ter começado a orar pela coisa errada? Teria ele ficado desiludido e em espírito de amargura por a resposta à sua oração ter sido, não meramente demorada, mas totalmente negada?

     Não, pois ele compreendia claramente que o povo de Deus hoje, devido às trevas deste presente século mau, muitas vezes não sabe o que pedir e tem de deixar com Ele a operação de tudo para seu próprio bem.

- Cornelius R. Stam
(Continua)

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