A tua fé na Palavra de Deus é supersticiosa ou inteligente? (7)

C. R. Stam

 

MATEUS 19:29

     “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor do Meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna”.

     Marcos e Lucas, ao registarem esta declaração do Senhor, acrescentam o detalhe de que o “cem vezes tanto” seria recebido no tempo então presente, acrescentando Marcos ainda à lista das coisas a receber, “perseguições”. (Ver Lucas 18:30 e Marcos 10:30).

     Quantos missionários e obreiros sinceros dos nossos dias têm considerado esta promessa como tendo sido feita a eles pelo Senhor! Quantos têm testificado que, ao terem sacrificado o lucro terreno, o Senhor lhes deu mais do que aquilo que possuíam antes! Talvez não em dinheiro ou terras, mas em coisas colocadas à sua disposição como missionários de Cristo. Têm recebido a sua porção de perseguições, certamente, mas isso é apenas parte da promessa. Quantas casas, mães, irmãs, irmãos, etc., têm ganho em troca do seu sacrifício? O escritor já ouviu mais do que um missionário a instar com os jovens crentes para que sacrifiquem o seu tudo por Cristo, prometendo-lhes que as recompensas não seriam meramente a 100 por cento mas a 10.000 por cento, feitas bem as contas.

     Quase que já podemos ouvir um leitor a protestar, “Ele também nos quererá roubar esta promessa?” A isso replicaremos, "Também quer furtar esta promessa?"; sim, pois esta promessa, caro membro do Corpo de Cristo, nunca lhe foi feita a si, e se a reivindicar, reivindicará o que não lhe pertence. Já possuímos uma posição e bênçãos incomparavelmente maiores e melhores que as descritas nesta passagem. Porque é que havemos de nos apegar a uma promessa que foi claramente feita a outros e aplicá-la a nós? Não temos o direito de decidir arbitrariamente quais as promessas na Palavra de Deus que se aplicam a nós. As Escrituras é que decidem isso.

 

Abandonar Tudo - Um Requisito do Reino

     Em primeiro lugar, a entrega das possessões terrenas não é um requisito para a salvação nos nossos dias.

     “PORQUE PELA GRAÇA SOIS SALVOS, POR MEIO DA FÉ; E ISTO NÃO VEM DE VÓS; É DOM DE DEUS.

     “NÃO VEM DAS OBRAS PARA QUE NINGUÉM SE GLORIE” (Efé. 2:8,9).

     Nem a entrega das possessões terrenas é um requisito para uma pessoa se tornar membro do Corpo de Cristo, pois hoje Deus está a reconciliar os homens a Si num só corpo “PELA CRUZ” (Efé. 2:16).

     Todavia a entrega das possessões terrenas era um requisito para o discipulado com Cristo na Terra e para se conseguir um lugar no reino Messiânico.

     Ao jovem rico, cuja história introduz este tema no mesmo texto, o Senhor disse,

     “Ainda te falta uma coisa: vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no Céu; vem, e segue-Me” (Lucas 18:22).

     Não admira Ele ter dito aos Seus discípulos a respeito deste mesmo rico,

     “É mais fácil entrar um camelo pelo fundo duma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Lucas 18:25).

     Ninguém entraria no reino - e ninguém entrará - rico. Noutros artigos temos provado pelas Escrituras que a entrega das possessões terrenas era requerida a todos os que quisessem ser discípulos do Messias. Aqui citaremos apenas Lucas 14:33,

     “ASSIM, POIS, QUALQUER DE VÓS, QUE NÃO RENUNCIA A TUDO QUANTO TEM, NÃO PODE SER MEU DISCÍPULO”.

     Certamente que se subentende que os discípulos não podiam vender e distribuir as mulheres, ou irmãs, ou irmãos, mas eles também tinham que os “renunciar”, na verdadeira aceção da palavra, para conseguirem um lugar no reino, pois na passagem acima citada o Senhor também diz,

     “SE ALGUÉM VIER A MIM, E NÃO ODIAR A SEU PAI E MÃE, E MULHER, E FILHOS, E IRMÃOS, E IRMÃS, E AINDA TAMBÉM A SUA PRÓPRIA VIDA, NÃO PODE SER MEU DISCÍPULO” (Luc. 14:26).

     Aqui a palavra “odiar”, é uma tradução correta. Certamente que é usada num sentido comparativo e serve para enfatizar a plenitude do sacrifício requerido.

     Tudo isto é muito diferente do programa de Deus para os nossos dias. A nós não nos é dito para entregarmos as nossas possessões para herdarmos a vida eterna. Cristo é que se tornou pobre por amor de nós para que nós pudéssemos ser enriquecidos. Não nos esqueçamos que nos encontramos debaixo da graça,.

     “PORQUE JÁ SABEIS A GRAÇA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, QUE, SENDO RICO POR AMOR DE VÓS SE FEZ POBRE; PARA QUE PELA SUA POBREZA ENRIQUECESSEIS” (2 Cor. 8:9).

     Esta verdade de forma alguma desencoraja o sacrifício da parte dos crentes, pois a graça tem sempre produzido maiores resultados do que a lei, e os homens farão muito mais por Cristo extravasados de puro amor e gratidão do que com requisitos ou para ganho.

- Cornelius R. Stam
(Continua)

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