
O Evangelho
Muitos argumentam que existe apenas um único Evangelho na Bíblia: "Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema" (Gálatas 1:9). Todos devemos concordar que o único evangelho, ou boas notícias, que Deus tem para os pecadores perdidos, pode ser encontrado em Jesus Cristo, mas notemos certas distinções que mostrarão que aqui também há o Evangelho do Reino e o Evangelho da Graça dada a Paulo e por seu intermédio. Essas duas mensagens são paralelas em muitos detalhes: ambas são baseadas na Sua morte e ressurreição, ambas trazem perdão dos pecados e envolvem um novo nascimento. Mas há certas diferenças que mostrarão que esses dois Evangelhos não são idênticos.
Antes de mais, observe que era possível pregar o Evangelho do Reino sem se dizer uma única palavra sobre a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Em Lucas 9:1-6 e 18:31-34, aprendemos que os Doze pregaram o Evangelho por alguns anos, ignorando completamente o facto de que Jesus morreria. Pedro até protestou com o Senhor quando Jesus revelou a Sua morte iminente (Mateus 16:21-22). Agora perguntemos: Hoje poderemos pregar o Evangelho de Deus sem mencionar a morte, sepultura e ressurreição de Cristo (1 Coríntios 15:1-4)? Certamente, que a morte de Cristo era o fundamento da salvação sob o Evangelho do Reino, mas o ponto aqui é que esse Evangelho foi pregado antes da morte de Cristo e era uma proclamação que não dizia nada sobre a Sua morte.
Isso conduz-nos à pergunta: o que é que as pessoas precisavam de fazer para serem salvas ou nascer de novo antes do nosso Evangelho ser revelado por meio de Paulo? Sabemos que sem fé é impossível agradar a Deus, portanto, a fé tem sido um requisito em todas as épocas. Hebreus 11 diz-nos o que esses santos da antiguidade tinham que crer para serem salvos. Eles tinham que crer na mensagem que Deus lhes revelou. Deus disse a Abraão que multiplicaria sua semente como as estrelas do céu e Abraão creu em Deus, e isso foi-lhe imputado como justiça (Génesis 15: 6). Deus não lhe disse que um dia Jesus viria para morrer pelos seus pecados, e que se ele aceitasse Jesus Cristo como seu Salvador pessoal, ele seria salvo. Assim, as pessoas que viviam sob a Lei foram salvas porque creram na mensagem que Deus lhes deu. Quando Jesus veio à terra, os homens foram salvos, não crendo que Jesus iria morrer por seus pecados, mas crendo que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus (Mateus 16:16). Pedro certamente foi salvo quando fez essa confissão, mas, como vimos, ele ignorava totalmente a verdade de que Jesus iria morrer pelos seus pecados.
Observe a seguir o caso de Nicodemos. Jesus disse que ele tinha que nascer de novo. Sabemos de João 19:38-39 que Nicodemos era um crente secreto em Jesus como sendo o Messias. Temos todos os motivos para acreditar que ele nasceu de novo. Se ele não nasceu de novo, certamente outros nasceram, mas quem pensaria em argumentar que uma pessoa salva ou nascida de novo, antes da morte de Cristo, estava identicamente na mesma posição que aquela que nasce de novo hoje? Muitas coisas aconteceram depois que Pedro e Nicodemos nasceram de novo enquanto Cristo estava na Terra. O Espírito Santo certamente não foi dado então como foi derramado em Pentecostes. Nicodemos certamente não foi batizado pelo Espírito no Corpo de Cristo, pois este Corpo ainda não havia sido formado. Sem dúvida, nós que nascemos de novo hoje (ver 1 Coríntios 4:15) temos bênçãos e uma posição que os de outras épocas não tiveram. Portanto, embora exista um paralelo nessas experiências, elas não são idênticas.
- Charles F. Baker
(Continua)
Paralela ... Não Idêntica (1)
Paralela ... Não Idêntica (2)
Paralela ... Não Idêntica (3)
Paralela ... Não Idêntica (4)
Paralela ... Não Idêntica (5)
Paralela ... Não Idêntica (6)

Graça
Como frequentemente nos referimos à nossa mensagem como a Mensagem da Graça, ou o Testemunho da Graça, alguns têm ficado com a impressão de que queremos dizer que, sempre que a palavra graça aparece na Bíblia, isso é para a Igreja, e onde quer que apareça a palavra lei, isso é para os Judeus. Os teólogos pós-milenistas foram mais ou menos culpados de tal interpretação, mas esse não é de todo o nosso ponto de vista. O programa do Reino tem muita graça nele. Enquanto Cristo proclamava esse reino, as pessoas maravilhavam-se com as palavras de graça que saíam da Sua boca (Lucas 4:22). Certamente que foi uma graça maravilhosa (Lucas 7:42) os dois devedores terem sido perdoados gratuitamente quando nada tiveram com que pagar. E o que diremos da graça mostrada a Israel quando o Senhor orou: "Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem" (Lucas 23:34)? E o que dizer da graça derramada sobre Israel em Pentecostes e depois, quando Deus enviou a Sua salvação primeiro de tudo aos que haviam assassinado o Seu Filho (Atos 3:26)?
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