Sete Vezes Um Fracasso (VI)

C. R. Stam
 

A DISPENSAÇÃO DA GRAÇA

     Com o apedrejamento de Estêvão tudo parecia estar pronto para o derramamento da ira de Deus sobre Israel e as nações, contudo o amor divino interveio para introduzir a presente “dispensação da graça de Deus” (Efé. 3.1-3).
 

     “Veio porém a lei para que a ofensa abundasse; MAS ONDE O PECADO ABUNDOU, SPERABUNDOU A GRAÇA;

     PARA QUE, ASSIM COMO O PECADO REINOU
na morte, TAMBÉM A GRAÇA REINASSE pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor” (Rom. 5.20,21).

     Ao interromper o programa profético precisamente quando o terrível juízo era eminente, Deus salvou Saulo de Tarso, o líder da rebelião contra Cristo,1 e fez dele não apenas o arauto, como a demonstração viva da Sua superabundante graça. Agora, com o coração corrupto do homem plenamente exposto era suficientemente evidente que o homem necessitava de salvação pela misericórdia e graça de Deus, e Paulo foi por toda a parte oferecendo “as riquezas da graça de Deus” por meio dos méritos do Cristo crucificado, ressuscitado e exaltado. Tudo o que este grande apóstolo tem a dizer nas suas cartas acerca do perdão, justificação, santificação, qualidade de membro no Corpo de Cristo, a nossa posição nos celestiais e as nossas “todas as bênçãos espirituais” ali, baseiam-se na gloriosa obra consumada, toda suficiente, que Cristo realizou no Calvário.

     Apesar das epístolas de Paulo compreenderem apenas uma pequena porção da Bíblia, encontramos, contudo, nessas epístolas mais acerca da cruz, do sangue, da morte de Cristo, e do que essa morte conseguiu, do que em todo o restante da bíblia junto.

     Seria de todo o interesse para o leitor tomar cada uma das três palavras atrás mencionadas e nas suas derivadas e ver numa boa concordância quão absolutamente verdade é esta declaração. A totalidade da “pregação de Jesus Cristo segundo a revelação do mistério”, centra-se na cruz e na morte do nosso Salvador pelo pecado, e ninguém poderá ter uma clara compreensão do “Evangelho” de Paulo ou das boas novas a respeito do “mistério”, se não compreender primeiramente “o mistério (ou segredo) do evangelho” (Efe. 6.19), centrado nas gloriosas vitórias do nosso Senhor Jesus Cristo no Calvário.

     Poder-se-ia supor com toda a certeza que esta gloriosa mensagem da graça, proclamada por Paulo, seria aceite, mas não.

     A narrativa com que a Dispensação da Graça principia é uma vez mais um profundo desapontamento e mais uma demonstração da depravação do coração humano.

     Quase por todo o lado por onde o apóstolo ia com esta alegre mensagem ele “sofria trabalhos como um malfeitor” (II Tim. 8.8) Finalmente acabamos por o encontrar preso em Roma, “um embaixador em cadeias”   (Efe. 6.10,20).

     Será então alguma admiração que nós, embaixadores de Cristo nos nossos dias, soframos quando procuramos proclamar esta mensagem aos outros? Na verdade, se nós não sofremos, isso é indicação de timidez e infidelidade, pois a mensagem por que Paulo viveu e morreu a fim de a tornar conhecida, hoje em dia não é mais popular, mesmo nos círculos religiosos, que foi nos seus dias.

     Assim o Apóstolo exortou Timóteo e outros, como também o Espírito Santo nos exorta a nós:

“Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza e de amor, e de moderação.

     Portanto não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim que sou prisioneiro Seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus” (II Tim. 1.7,8).

     “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer n’Ele, como também padecer por Ele” (Fil. 1.29).


1 Ver Actos 8.3; Gál. 1.13

(Continua)

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