
QUE DESOLAÇÃO! O Inverno é sempre triste. O sol parece ter perdido o seu poder tonificante, pelo que o campo está dum verde sem brilho. Desapareceram os álacres cânticos das aves. As nuvens, tão vastas e juntas, são como rebanhos a passar sobre os montes; dando mesmo a impressão de terem preferido os seus bicos para rasgarem neles as suas entranhas e derramarem no mundo as suas abundantes águas. No bosque reina o silêncio. As folhas caíram. E agora, arrastadas pelo enxurro, exalam o cheiro de estrume. O chão está coberto de galhos partidos, caídos indolentemente do arvoredo. As árvores, sem folhas nem beleza, parecem cadáveres hirtos que, regelados pelo frio, tivessem ficado de pé no vale. Até a formosa figueira, depenada, sem sinal de vida, está indolente no campo. Mas então, erguendo-Se o Salvador, diz: «Olhai para a figueira, e para todas as árvores; quando já têm rebentado, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o Verão» (Lucas 21:29,30).