O Véu feminino tem, ou não, base bíblica? (III)

CMO 29OUT17b

 

 O ensino sobre o véu em 1 Coríntios 11

     Nas Escrituras a apresentação da verdade do véu feminino começa com o seguinte texto: 

     Sede meus imitadores, como também eu de Cristo.
 
     “E louvo-vos irmãos, porque em tudo vos lembrais de mim, e RETENDES OS PRECEITOS COMO VO-LOS ENTREGUEI
 
     “Mas QUERO QUE SAIBAIS …” (1 Cor. 11:1,2,3).
 
 
Uma nova doutrina para uma nova dispensação
 
     O termo “preceitos” significa, regras, normas ou doutrina.
 
     A palavra Grega traduzida aqui por “preceitos” é paradosis. O Exegético de W. E. Vine apresenta o seu significado como sendo "legado".
 
     De facto, a doutrina, ou ensinamentos de Paulo, são o seu legado à Igreja, ou no dizer de Paulo a Timóteo, “o bom depósito” (2 Tim. 1:14; 1 Tim. 6:20) da Igreja, o Corpo de Cristo. Ele entregou-nos o que o Senhor lhe revelou, “Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que PARA CONVOSCO me foi DADA (Efé. 3:2). À medida que Paulo ia recebendo do Senhor as revelações da doutrina para a Igreja, ele entregava-a aos crentes. 
 
     Já mostrámos em artigos anteriores que Paulo recebeu uma série de VÁRIAS REVELAÇÕES (Atos 22:14; 26:16; 2 Cor. 12:1,7)  - não uma revelação única, de uma vez - até ao final do Livro dos Atos (Atos 28:28), quando Deus pôs definitivamente de parte a nação de Israel, e a revelação da doutrina para a Igreja ficou finalmente concluída. 
 
     Como a carta aos Coríntios foi escrita durante o período intermédio dos Atos é natural vermos que Paulo já tenha ENTREGUE alguns preceitos que recebera do Senhor. Mas por ainda se encontrar em fase de receber do Senhor mais revelações, é natural vê-lo agora, consequentemente, com mais PRECEITOS para ENTREGAR.
 
     É por isso que ele diz, “QUERO QUE SAIBAIS …” (ver.3). Ele iria dar-lhes mais um preceito, neste caso, sobre a verdade do Véu feminino, ou mais rigorosamente, como veremos mais adiante, sobre a Glória de Deus na Igreja, razão pela qual o véu se tornaria necessário.
 
     Ao elogiá-los por terem retido os preceitos como ele os havia entregue, Paulo está como que a encorajá-los a continuarem no mesmo espírito relativamente à nova doutrina, ou preceito, que ele lhes iria entregar e que incluía o véu feminino. Ele esperava que relativamente à verdade do véu eles a retivessem como ele a legaria.
 
     O Véu feminino é, portanto, uma das verdades reveladas pelo Senhor glorificado ao Apóstolo Paulo como parte do ensino para a Igreja, o Corpo de Cristo. O ensino que Paulo apresentou sobre o véu feminino é algo absolutamente NOVO. Não fazia parte da tradição Judaica , tratando-se de puro Cristianismo genuíno. Os “preceitos” atrás referidos são, pois, exclusivamente Paulinos.
 
     De acordo com o contexto, “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo”, significa imitar, ou seguir, na doutrina e não na conduta; significa que os Coríntios deveriam continuar a reter os preceitos exatamente como Paulo lhes entregara, pois estes tinham sido recebidos do Senhor exatamente como ele lhos entregara. Os preceitos deveriam ser experimentados por decalque, por imitação, para não serem deturpados, corrompidos, modificados.
 
     A terminologia usada por Paulo reforça o que afirmamos.
 
     “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo”. Paulo não diz, “… como também eu de JESUS, mas “… como também eu de CRISTO
 
     JESUS foi o nome que Deus deu ao nosso Senhor, pelo qual Ele foi conhecido na Terra. Em Atos 2:36, quando o nosso Senhor ressuscitou, lemos que Deus O fez “SENHOR E CRISTO”. Paulo nunca O conheceu na Terra como JESUS. Foi como SENHOR E CRISTO, exaltado acima de tudo, que Paulo o conheceu e seguiu, quando por revelação direta o Senhor lhe confiou a gloriosa “dispensação da graça de Deus … o mistério manifestado pela revelação”, o “mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos” (Efé. 3:2,3;  Col. 1:26) em preceitos, ensinamentos, doutrina. 
 
     Paulo não recebeu doutrina de Jesus na Terra, mas de Cristo no Céu, glorificado.
 
     É importante aqui relembrar que a DOUTRINA, a posição, a conduta e o destino da Igreja estão exclusivamente nos escritos de Paulo.
 
     A Palavra de Deus mostra, pois, claramente em 1 Coríntios 11 que a doutrina da cobertura da cabeça nas mulheres, o véu feminino, faz parte da revelação do mistério que foi dado ao Apóstolo Paulo. É Paulo, nesta sua carta, que pela primeira vez revela ao mundo a verdade da cobertura da cabeça e os seus propósito e significado. Nunca alguém antes referira, e muito menos ensinara, esta verdade.
 
     Mais adiante, neste mesmo capítulo, Paulo aborda um dos preceitos que tinha já sido entregue por ele aos crentes Coríntios - a verdade sobre Ceia do Senhor para o Corpo de Cristo: “Porque eu RECEBI DO SENHOR O QUE TAMBÉM VOS ENSINEI: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão …” (1 Cor. 11:23). A verdade que Paulo recebeu do Senhor sobre a Ceia também é inteiramente nova e diferente. A verdade da ceia do Senhor que Jesus instituíra no Seu ministério terreno só contemplava a verdade do corpo físico de Cristo, não a verdade do Corpo místico de Cristo que Paulo recebeu. As verdades da “comunhão do sangue” e “comunhão do corpo”, da unidade do corpo“um só pão e um só corpo” -, da “mesa do Senhor”, do anúncio da morte do Senhor e do Arrebatamento são verdades exclusivamente Paulinas que foram reveladas da glória pelo Senhor a Paulo e que o Senhor quando estava na Terra nunca revelou. 
 
     As verdades do “véu e da “Ceia do Senhor” fazem parte, pois, dos preceitos que Paulo recebeu e nos legou – fazem parte do “bom depósito” que devemos guardar (2 Tim. 1:14; 1 Tim. 6:20).
 
     Se formos imitadores de Paulo como ele foi de Cristo, reteremos por decalque os preceitos como nos foram entregues.
 
     Por conseguinte, o ensino do véu e verdades associadas fazem parte da doutrina para a Igreja, sendo um ensino absolutamente novo, antes desconhecido de todos os crentes, pois foi revelado pelo Senhor em primeira mão a Paulo e depois a toda a Igreja por seu intermédio.
 
     A verdade do véu feminino não se trata de uma verdade que estivesse em vigor e que entretanto foi abolida por uma mudança dispensacional qualquer. Pelo contrário, trata-se de uma NOVA verdade que passou a vigorar com a introdução de uma NOVA dispensação - a dispensação da graça de Deus -, e que portanto será vigente enquanto esta presente dispensação durar – até ao Arrebatamento da Igreja.
 
     Aqueles que pensavam que quando Paulo se dirigiu a Jerusalém foi receber instruções dos Doze apóstolos, e especialmente de Pedro Tiago e João, ou certificar-se de que o que ele andava a pregar estava de acordo com o que eles pregavam (Gálatas 2:1-10), talvez agora consigam finalmente perceber e ver que Paulo foi-lhes expor e comunicar o que eles ignoravam, que Paulo conhecia algo que eles desconheciam e precisavam de conhecer – “o Evangelho” que ele pregava entre os Gentios, o “Evangelho da Graça de Deus”. Estes “preceitos” do véu e da Ceia do Senhor são um exemplo típico de que o ministério do Apóstolo Paulo era claramente distinto do ministério dos Doze Apóstolos. Foi Paulo que recebeu estas verdades e foi através dele que todos as puderam conhecer. Pena é que a maioria da Igreja não esteja a reter estes preceitos como ele os entregou.
 
(Continua)
 
- C.M.O.

 

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