A compreensão do dispensacionalismo - realidade e mitos (5)

Realidade e mitos

 

OBJEÇÕES AO DISPENSACIONALISMO (continuação)

5. O Dispensacionalismo deve ser ignorado pelo povo de Deus

     Rejeitar as dispensações equivale a rejeitar a Palavra de Deus? Alguns dos que ensinam as dispensações vão a extremos e devem ser evitados.

     Qualquer forma de dispensacionalismo que rejeite a instituição da igreja local e a Ceia do Senhor é extremista e deve ser rejeitada. No entanto, ignorar o ensinamento bíblico acerca das dispensações é errar na direção oposta. Paulo afirmou que lhe fora confiada uma dispensação do Evangelho (1 Coríntios 9:17). Referiu-se à futura dispensação da «plenitude dos tempos» (Efésios 1:10). Também afirmou que lhe fora confiada a dispensação da graça de Deus (Efésios 3:2).

     Assim, ignorar as dispensações da Bíblia torna impossível obedecer a 2 Timóteo 2:15 e obriga a ignorar 1 Coríntios 10:32.

     A prática de 2 Timóteo 2:15 exige que procuremos as divisões existentes nas Escrituras e lhes obedeçamos. Uma distinção correta entre os Judeus, os Gentios e a Igreja de Deus, juntamente com o conhecimento do grupo a que pertencemos, deverá conduzir-nos às partes da Palavra de Deus que se destinam a nós.

     Por conseguinte, nenhum crente que deseje estudar a Palavra de Deus pode ignorar o estudo das dispensações. Contudo, o hiperdispensacionalismo deve ser rejeitado.

 

6. O Dispensacionalismo é perigoso para a tua igreja e para o teu ministério

     Outra objeção ao ensinamento das dispensações é a crença de que representa um perigo para as igrejas. Esta objeção parece plausível porque muitos ministérios dispensacionalistas são conduzidos de forma inadequada. Isso acontece quando se leva demasiado longe algo que é bom. Um exemplo clássico é o ensinamento dos batistas missionários. Este grupo levou ao extremo a doutrina da igreja local. Raciocinam que a igreja local é a noiva de Cristo. Depois, concluem que a sua igreja batista local é a noiva de Cristo. A conclusão a que chegam é que a sua igreja batista é a noiva de Cristo e que todas as outras igrejas estão excluídas.

     Certamente, não rejeitaríamos a doutrina da igreja local só porque alguns batistas ou católicos, ou outros, abusaram do seu ensinamento. Embora a sua doutrina seja sectária e divisiva, não devemos permitir que isso diminua o nosso zelo pela igreja local. Do mesmo modo, alguns levaram o ensinamento das dispensações a extremos e prejudicaram a sua igreja local. Ainda assim, não nos atrevemos a rejeitar este ensinamento bíblico por causa dos abusos de outros.

     A Bíblia fala de algo bom que é levado demasiado longe. O livro de Provérbios diz que devemos comer mel, porque é bom. Contudo, comer mel em excesso provoca vómitos (Provérbios 25:16). Temos aqui algo bom que, quando usado de forma inadequada, causa doença.

     As perspetivas extremistas sobre qualquer doutrina são perigosas e devem ser evitadas. Vimos o abuso que Calvino fez da soberania de Deus. A perspetiva extremista de alguns acerca da igreja batista levou-os a concluir que apenas um pequeno grupo de batistas constitui a noiva de Cristo.

     Do mesmo modo, alguns levaram a doutrina do Dispensacionalismo a extremos. Os hiperdispensacionalistas são, geralmente, hiper-calvinistas. Esta é uma combinação fatal para qualquer igreja.

     Uma igreja deve ocupar-se da obra do Pai: ganhar almas, realizar missões e pregar a Bíblia. O púlpito deve manter-se ativo, e os santos devem ser levados à convicção do pecado, do serviço, do ganhar almas, da mordomia e da segunda vinda. Não devemos evitar o esforço de dividir corretamente a Palavra de Deus, de manejá-la bem. Contudo, os extremos devem ser evitados.

 

Conclusão

     Não devemos negligenciar o importante estudo das dispensações. A Bíblia ensina claramente a sua existência. O Apóstolo Paulo foi claro a esse respeito. A história da Igreja revela que os primeiros Pais da Igreja acreditavam em diferentes administrações e economias dentro das Escrituras, e que essa crença não surgiu tardiamente.

     O ensinamento das dispensações não leva à conclusão de que outras partes da Bíblia sejam irrelevantes ou não inspiradas. O povo de Deus não deve ignorar o Dispensacionalismo, nem este prejudicará qualquer igreja se for ensinado corretamente e se forem evitados os extremos.

     A igreja local deve observar a Ceia do Senhor. Acreditamos que a principal missão da Igreja é ganhar almas e enviar missionários a todo o mundo com o Evangelho. Devemos alimentar o rebanho de Deus, edificar os santos e pregar a Palavra. Contudo, a única maneira de obedecer biblicamente a estas responsabilidades é dividir corretamente a Palavra da Verdade, é manejá-la bem. A obediência a esse mandamento, em 2 Timóteo 2:15, exige que se ensinem as dispensações.

(FIM)

A compreensão do dispensacionalismo - realidade e mitos (1)
A compreensão do dispensacionalismo - realidade e mitos (2)
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