A compreensão do dispensacionalismo - realidade e mitos (2)

OBJEÇÕES AO DISPENSACIONALISMO
1. Despreza a Bíblia inteira
Uma das principais críticas ao Dispensacionalismo é a de que os seus adeptos não acreditam na Bíblia inteira. Parte-se do princípio de que, quando alguém divide a Palavra de Deus conforme as instruções de Paulo, deve rejeitar as partes que não foram especificamente escritas para a era da Igreja. Por exemplo, ouvimos pessoas dizerem: «Aqueles que acreditam nas dispensações não acreditam na epístola de Tiago, nem em 1 e 2 Pedro. Nem sequer acreditam no Antigo Testamento.»
Contudo, acreditar nas dispensações não afeta, de modo algum, a crença na Bíblia inteira. Os que acreditam nas dispensações acreditam em tudo o que Deus disse desde Génesis até Apocalipse. Acreditam que o relato do Dilúvio é literal e que o chamamento de Abraão é historicamente exato. O Êxodo, a conquista e a dispersão são relatos verdadeiros da maneira como Deus lidou com Israel. Todos os que compreendem o verdadeiro ensinamento das dispensações acreditam nas advertências e nos clamores dos profetas.
A compreensão das dispensações bíblicas reconhece que as leis e as regras alimentares do Antigo Testamento foram dadas exclusivamente a Israel. Quem acredita nas dispensações não põe em causa as Escrituras que tratam desses assuntos. A crença nas dispensações não entra, de modo algum, em conflito com a crença no tabernáculo, na Lei, no sacerdócio e nos concertos. Limita-se a reconhecer que essas coisas foram dadas a Israel, e não à Igreja desta dispensação.
O apóstolo Paulo deixa claro que os elementos acima mencionados se destinavam aos Judeus:
«Porque eu mesmo poderia desejar ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne; que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas; dos quais são os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne, o Qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém!» (Romanos 9:3-5).
É necessário distinguir entre «aplicação» e «interpretação». Toda a Escritura contém ensinamentos históricos, doutrinários e práticos. É aqui que surgem os principais mal-entendidos. Ao interpretarmos um texto, temos de respeitar as regras de interpretação. É necessário considerar o lugar em que a passagem se encontra. A regra do contexto tem de ser respeitada. Quem está a falar e a quem se dirige a passagem?
Por fim, toda a Escritura deve ser interpretada literalmente, a menos que isso viole o sentido do próprio texto. É aqui que começa a divergência entre o ensinamento das dispensações e aqueles que não reconhecem a sua importância.
Muitos confundem aplicação com interpretação. Toda a Bíblia tem aplicação. Por exemplo, Abraão recebeu a ordem de oferecer o seu filho, Isaque, em sacrifício. Compreendeu a ordem literalmente, aplicou a Palavra de Deus a si próprio e agiu em conformidade. Como resultado, foi chamado «amigo de Deus».
Esperamos que ninguém, nos dias de hoje, seja tão insensato que pegue numa faca e ofereça o seu filho primogénito só porque Abraão recebeu essa ordem. No entanto, podemos aprender e aplicar à nossa vida muitas «lições» desta história. Aprendemos que devemos obedecer a Deus mesmo quando não compreendemos o Seu plano.
É necessário exercer uma fé firme na Palavra de Deus. Por fim, não devemos colocar nada acima de Deus, mesmo que seja a nossa única esperança terrena. Isso é aplicação, e é sempre apropriado.
Espera-se que aprendamos com todas as histórias da Bíblia. Não se espera que reproduzamos as ações das pessoas nelas envolvidas. Por exemplo, a Páscoa é um relato maravilhoso da salvação da nação de Israel por Deus. Somos levados a adorá-Lo por causa do Seu amor, da Sua sabedoria e do Seu poder, manifestados nos acontecimentos da Páscoa. Nenhum de nós acredita que Deus espera que observemos literalmente a Páscoa tal como a ordenou a Israel.
A diferença entre «interpretação» e «aplicação» é uma das principais causas de mal-entendidos. É possível acreditar nas dispensações e, ao mesmo tempo, acreditar na Bíblia inteira. Somos instruídos a dividi-la corretamente, a manejá-la bem. Para sermos fiéis às Escrituras, devemos também permitir que o Espírito Santo fale ao nosso coração e nos leve a aplicar a Palavra conforme Ele determinar.
(Continua)
A compreensão do dispensacionalismo - realidade e mitos (1)
A compreensão do dispensacionalismo - realidade e mitos (2)



