22-10-2026 - As esposas cristãs devem adotar o apelido do marido

A Bíblia defende que as esposas devem adotar o sobrenome dos maridos.
Em 1855, uma sufragista chamada Lucy Stone recusou-se a adotar o apelido do novo marido, num ato discreto de rebeldia que as feministas modernas consideram um dos primeiros grandes golpes contra o chamado patriarcado.
Com efeito, com o passar do tempo, as sufragistas, as atrizes de Hollywood, as mulheres em cargos executivos e uma enorme percentagem das feministas da terceira vaga seguiram o seu exemplo e decidiram que a decisão mais importante que podiam tomar imediatamente após entrarem no santo matrimónio era afirmar a sua individualidade.
Atualmente, 14% de todas as mulheres que se casam pela primeira vez mantêm o apelido de solteira (outras 6% juntam os dois apelidos com um hífen), de acordo com um estudo do Pew Research de 2023. Contudo, os investigadores também descobriram que estes números estão a aumentar: 25% das mulheres casadas mais jovens, com idades entre os 18 e os 49 anos, optam por manter integralmente o apelido de solteira, em comparação com 9% das mulheres com mais de 50 anos. Entretanto, 33% das mulheres solteiras afirmaram que nunca adotariam o apelido do marido, caso decidissem casar-se.
Acontece que, embora esta decisão possa ajudar uma nova esposa a evitar uma deslocação ao serviço local de registo automóvel depois do casamento ou facilitar que velhos amigos a encontrem no Facebook, não traz qualquer benefício para a estabilidade a longo prazo.
Uma nova investigação do Institute for Family Studies (IFS) [Instituto de Estudos Sobre a Família] concluiu que os casais com apelidos diferentes se divorciam a uma taxa 50% superior e que os seus casamentos terminam, em média, 30% mais cedo do que os daqueles que partilham o apelido do marido.
Naturalmente, ter o mesmo apelido não é uma solução mágica que elimine a possibilidade de um divórcio futuro. No entanto, há claramente uma razão subjacente a esta conclusão da investigação, e é esta: a decisão de uma esposa de adotar o apelido do marido é um forte indicador de que está inteiramente comprometida com o casamento, de que está disposta a «deixar» a família de origem e a sua própria identidade individual para trás e a «unir-se» ao novo marido, tornando-se «uma só carne» (Génesis 2:24).
Por outras palavras, a decisão voluntária de uma esposa de adotar o apelido do marido como seu constitui uma expressão exterior, real e tangível, do ato interior de submissão e entrega à aliança matrimonial, que está no próprio cerne de um casamento bíblico capaz de resistir ao teste do tempo.
Recuperar o verdadeiro significado da submissão
Para compreender devidamente porque razão partilhar um apelido é importante, é necessário encarar a profunda aversão da cultura atual à palavra «submissão». No discurso moderno, a palavra submissão é automaticamente associada a inferioridade, a opressão e ao apagamento do próprio valor.
Na tradição cristã, a submissão não é fraqueza nem passividade. É um ato consciente e voluntário. Para uma mulher que escolhe abandonar o apelido de solteira e adoptar o do marido, trata-se de uma declaração muito significativa. Significa que a sua individualidade deixou de ser mais importante do que a unidade familiar de que agora faz parte.
Mais uma vez, Génesis 2:24 estabelece o modelo divino para o santo matrimónio: «Portanto, deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.» Aos olhos de Deus, o casamento não é um acordo de coabitação entre duas pessoas auto-suficientes que, por acaso, partilham as despesas. Cria uma nova entidade. Tal como um crente recebe uma nova identidade em Cristo, também quem entra na aliança matrimonial passa a ter uma nova identidade.
Adotar um apelido como ato de aliança
Quando uma noiva adota o apelido do marido, está, na prática, a dizer que passa a fazer parte da família dele. Trata-se de uma rejeição direta da atitude moderna de manter «um pé fora da porta».
Insistir em manter apelidos diferentes é, muitas vezes, uma espécie de seguro emocional: uma forma subtil de dizer: «No fundo, continuo a ser uma pessoa independente e estou preparada para seguir sozinha se este acordo não resultar e se não sentir a satisfação pessoal que procuro.»
O relatório de Stone, do IFS, deixa claro que os casais que optam por partilhar o apelido têm uma probabilidade significativamente maior de adotar uma abordagem à vida conjugal em que «a equipa vem primeiro». Isso, por sua vez, conduz a níveis mais elevados de cooperação, a uma maior confiança e a um sentido muito mais sólido de destino comum.
O elevado preço da liderança do marido
A submissão bíblica não é uma via de sentido único, na qual a mulher simplesmente se submete ao marido como se ele fosse uma espécie de monarca absoluto. A submissão da esposa ao apelido e à liderança do marido só pode ser devidamente compreendida no contexto de Efésios 5 e da enorme obrigação de amor e sacrifício colocada sobre o marido.
Paulo ordena: «Maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela.» Cristo amou a Igreja não reivindicando direitos, mas derramando o Seu sangue e morrendo por ela.
Quando uma mulher entrega o seu apelido ao marido, está a depositar a sua confiança na disposição dele para dar a vida por ela. A sua submissão é uma resposta directa à liderança servidora do marido. Deus confia-lhe a protecção desse apelido, a honra que lhe está associada e a responsabilidade de governar a sua casa à maneira de Cristo: com graça, mansidão, humildade e cuidado sacrificial.
Refletir o Evangelho de Cristo
A Igreja, a Noiva de Cristo, adopta o nome do Noivo. Somos literalmente chamados pelo nome de Cristo. Somos aqueles que foram redimidos, que se submeteram à vontade do Pai na cruz e que foram integrados na família de Deus.
A noiva, no plano físico, ao adotar o apelido do marido, reflete esta realidade espiritual. É a renúncia alegre ao interesse próprio para entrar numa relação de pertença estabelecida por uma aliança.
A oposição às práticas tradicionais de adoção do apelido do marido, do ponto de vista secular, é bastante evidente. A investigação do IFS mostra que a prática de manter apelidos separados se encontra predominantemente entre mulheres com níveis de educação mais elevados, mais jovens e politicamente mais liberais, que a encaram como um meio de preservar a sua identidade e construir a sua reputação profissional. No local de trabalho, argumenta-se frequentemente que o nome de uma mulher lhe pertence e reflete as suas realizações individuais e as qualificações que conquistou.
Contudo, esse argumento ignora completamente o significado do sacrifício cristão. O discipulado consiste em renunciar a si próprio. «Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-Me» (Lucas 9:23). O casamento é um dos principais instrumentos de santificação através dos quais somos conformados à imagem do Filho de Deus. É um processo que exige que tanto o marido como a esposa morram diariamente para si próprios.
Construir um alicerce duradouro
É por isso que a correlação entre apelidos partilhados e taxas de divórcio mais baixas não é surpreendente. Os casamentos desmoronam-se frequentemente devido ao orgulho, ao interesse próprio e à falta de disposição para temer a Deus e submeter-se um ao outro.
Um casal que entrou no casamento e decidiu manter apelidos separados tem muito mais probabilidades de desistir e fugir quando as coisas se tornam difíceis. Construiu o seu casamento sobre a areia movediça do ego, em vez de o construir sobre a rocha sólida de Cristo (Mateus 7:24–27).
Por outro lado, se escolher deliberadamente adotar o apelido do marido, a esposa estabelece desde logo uma barreira contra a separação. Desde o início, ambos sabem que estão juntos nesta caminhada, para o melhor e para o pior, sob o mesmo teto e em conformidade com a ordem estabelecida por Deus na criação.
Adotar o apelido do marido é muito mais do que um costume ou uma exigência legal. É um ato que exige que a esposa deposite plena confiança na liderança do marido, à semelhança de Cristo, e que, por sua vez, exige que o marido viva de modo digno dessa confiança.
Numa cultura saturada de adoração do próprio eu, uma unidade familiar que partilha um único apelido constitui um testemunho poderoso e vivo do amor estabelecido por uma aliança e da verdade da Bíblia.
Por Dillon Burroughs, Op-ed contributor
- In The Christian Post
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