BATIZADOS EM CRISTO (1)

Introdução
Há alguns anos, uma família da nossa região de Nova Jérsia começou a frequentar a nossa igreja. Passado algum tempo, alguém da antiga igreja dessa família foi visitá-los e perguntou-lhes:
— Onde estão a frequentar a igreja agora?
A família disse-lhes onde estava a congregar-se, e as pessoas da antiga igreja reagiram com surpresa:
— Não deviam frequentar essa igreja. Eles não acreditam no batismo!
Quero começar por afirmar uma coisa com toda a clareza: quero deixar bem assente que acredito no batismo. Ao estudar aquilo que Deus diz na Sua Palavra acerca do batismo, fiquei entusiasmado. Este é o tipo de assunto que nos enche de entusiasmo.
Há, contudo, uma coisa de que precisa de se lembrar se quiser apreciar o estudo do batismo. Paulo diz em 1 Coríntios 10:
«Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar» (vv. 1-2).
Paulo recua até ao livro de Êxodo, no Antigo Testamento, e diz:
«Irmãos, quero que saibam isto. Não quero que ignorem que todos os nossos pais foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar.»
Aquelas pessoas foram batizadas. Se voltar a Êxodo 14 e 15, encontrará cinco referências, nesses capítulos, a que, quando aquelas pessoas atravessaram o mar com Moisés — quando foram batizadas em Moisés —, passaram pelo mar em terra seca.
O princípio que quero destacar ao iniciarmos este estudo é que, de acordo com a Bíblia, é possível ser batizado sem ficar molhado.
Todos aqueles foram batizados em Moisés. Foram identificados com Moisés quando atravessaram o mar em terra seca, e não ficaram molhados de modo algum.
Há muitas pessoas que, mal veem a palavra «batismo», associam-na imediatamente à ideia de batismo na água. Mas, se estudar a Palavra de Deus, descobrirá que, na maioria das vezes em que a palavra «batismo» é usada, não se refere, de maneira alguma, ao batismo na água.
Se não associar automaticamente o batismo à água, estará a caminho da compreensão e da bênção — ficará até entusiasmado e maravilhado com aquilo que a Bíblia ensina acerca do batismo.
A Minha Experiência com o Batismo
Dito isto, preciso de lhe contar que nem sempre me senti entusiasmado por ensinar ou falar acerca do batismo.
Nos meus primeiros anos de ministério, quando era pastor de uma igreja em Chicago, não falava sobre o batismo. Não batizava ninguém. Não compreendia o assunto. Não sabia por que razão o praticávamos. A nossa igreja, em teoria, acreditava nele, mas eu tinha dificuldades com o assunto.
«E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado» (Marcos 16:15-16).
Eu conhecia Romanos 4:5:
«Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.»
De acordo com este versículo, uma pessoa é salva pela fé sem obras.
Efésios 2:8-9 diz:
«Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.»
Uma pessoa é salva pela graça, por meio da fé — sem obras, sem sacramentos, sem ordenanças, sem rituais, sem religião.
Depois, cheguei a Marcos 16 e li, no versículo 16: «Quem crer e for batizado será salvo.»
Aquilo incomodou-me. Por que razão disse o Senhor «e for batizado»? Não é suficiente ser salvo somente pela fé?
Assim, tinha um problema com o batismo. Li livros que tentavam explicar o assunto de modo a eliminar a dificuldade. Alguns livros diziam-me simplesmente para arrancar aquela página da minha Bíblia! E eu não falava sobre o assunto. Pensava que devia esperar até o compreender antes de começar a ensiná-lo.
Continuei, então, a ler a minha Bíblia até chegar a Atos 2. Que capítulo maravilhoso! Na igreja onde era pastor e na escola onde me formei, ensinávamos que a igreja tinha começado em Atos 2, no Dia de Pentecostes. Naturalmente, ficaríamos entusiasmados por ensinar a passagem onde tudo começou! Que capítulo importante!
Mas nunca preguei sobre Atos 2.
Chegava ao versículo 38, e Pedro dizia algo que me deixava embaraçado. No versículo 37, vemos as pessoas que estavam na multidão ficarem profundamente tocadas no coração e convencidas do pecado de terem crucificado o Messias. Então, perguntam a Pedro e aos restantes apóstolos:
«Que faremos, varões irmãos?»
No versículo 38, Pedro responde:
«Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.»
Eu chegava a esta passagem e ficava embaraçado, porque, se estivesse ali no Dia de Pentecostes e a multidão me perguntasse: «Que faremos?», eu não teria respondido: «Arrependei-vos e sede batizados.» Teria dito: «Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo», tal como Paulo fez em Atos 16:31.
Mas, sempre que lia esta passagem e pensava que estava na altura de pregar sobre Atos 2 — «onde a igreja começou» —, chegava a este versículo e dizia para comigo: «Não. Também não posso pregar sobre este.»
Cheguei a Atos 22, pensando que poderia começar a meio do livro... mas só consegui avançar até ao versículo 16. Aqui, Ananias está a falar com Saulo e diz-lhe:
«E agora, por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor.»
O quê? Pensava que ele tinha sido salvo no caminho de Damasco... E desde quando é que o batismo lava os pecados?
Aqui estava mais um versículo acerca do batismo que não se enquadrava no meu sistema. Não o compreendia e decidi que não pregaria sobre o livro de Atos.
Passei então para 1 Pedro, capítulo 3. (Certamente haveria alguma coisa na minha Bíblia sobre a qual pudesse pregar!)
No versículo 21, Pedro diz:
«Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo (não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus), pela ressurreição de Jesus Cristo.»
O quê? O batismo salva agora? Eu não pregava isso! Não acreditava nisso! A Bíblia diz: «Pela graça sois salvos, por meio da fé» — não pelas obras, não pela religião, não pelo batismo; é somente pela fé no Senhor!
Li os comentários bíblicos. Os seus autores faziam verdadeiras acrobacias exegéticas, torcendo e retorcendo as Escrituras, tentando demonstrar que Pedro não queria realmente dizer aquilo que estava a afirmar.
Mais uma vez, disse para comigo: «Será que há alguma coisa na Bíblia sobre a qual possa pregar?»
Percorri Efésios. Cheguei ao capítulo 4 e li:
«Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo» (vv. 3-5).
Nesta passagem, li que, de acordo com o ensino de Paulo, o batismo devia ser algo que nos unisse — algo que aproximasse os Cristãos e fizesse de nós um só corpo —, e que devíamos preservar essa unidade.
No entanto, ao olhar à minha volta, no mundo cristão, vi que o batismo não era algo que nos unisse, mas algo que fragmentava o Corpo de Cristo em centenas de denominações diferentes.
Lembro-me de que, no meu último ano do seminário, fui falar com um dos meus professores.
— Professor — disse eu —, estou a terminar três anos neste seminário e, em breve, vou sair daqui para pastorear uma igreja algures. Mas não sei a que igreja devo pertencer. Não sei onde me enquadro. Sou um rapaz católico que foi salvo, e o Senhor chamou-me para o ministério, mas, com 400 denominações diferentes (ou algo semelhante), não sei para onde ir!
O velho professor ficou sentado, a sorrir, e fez-me uma única pergunta:
— O que acredita acerca do batismo?
Ele tinha toda a razão.
O batismo é uma das principais questões que dividiram o mundo cristão em centenas de denominações.
«Quem batiza?»
Batizam-se adultos, crianças ou bebés? Batizam-se apenas os crentes? Cada uma destas posições deu origem a grupos de denominações.
«Como se batiza?»
A água é aspergida? É derramada? A pessoa é mergulhada uma vez ou três vezes na água? Mais uma vez, a resposta que der determinará a que igreja se juntará.
«O que significa o batismo? O que faz?»
Salva-nos? Há quem acredite que sim — uma parte muito significativa do mundo cristão acredita que é salva por ter sido aspergida com água. O batismo lava o pecado original? É o sinal e o selo de uma aliança? Ou é um testemunho dado depois de a pessoa ter sido salva pela fé?
Aquilo em que acreditar sobre estas questões determinará ainda mais especificamente o grupo a que pertence.
E depois poderia perguntar-se: «Procura outro batismo — o batismo do Espírito?»
A sua resposta abriria todo um novo leque de denominações que poderia considerar.
Seja qual for aquilo em que acredita acerca do batismo, estará em minoria. Não existe uma posição maioritária sobre a doutrina do batismo.
Esta doutrina, que Paulo disse que devia unir-nos, acabou por nos dividir em centenas de denominações com doutrinas contraditórias e incompatíveis.
Houve um tempo — e tenho a certeza de que, se não tivéssemos um governo tão bom, isso aconteceria ainda hoje — em que Cristãos matavam Cristãos por não acreditarem nas mesmas coisas acerca do batismo!
Ao percorrer Efésios, nunca esquecerei o domingo em que cheguei a este versículo. Perguntei a mim mesmo: «O que quer Paulo dizer com um só batismo? Qual deles?»
Se ler os livros sobre o assunto, descobrirá que todos tentam transformar dois em um — ou três em um...
Certo dia, li que alguém tinha perguntado a um dos antigos pregadores dos chamados “Irmãos”:
— O que diz acerca do batismo?
A resposta dele foi:
— Não digo nada.
Creio que hoje estaríamos muito melhor se houvesse mais pregadores como ele, em vez de pregadores que disfarçam e distorcem a própria Palavra de Deus para a fazerem encaixar nas tradições denominacionais dos homens.
Estes homens pegam na Palavra de Deus e não hesitam em alterar as palavras e o significado, afirmando depois: «Não significa aquilo que diz — está errada.»
Mas graças a Deus, há uma resposta para esta confusão.
Deus não pretendeu que o batismo fosse uma doutrina divisiva, que fragmentasse o Corpo de Cristo. A resposta às muitas questões levantadas pela doutrina do batismo só pode ser encontrada ao «manejar bem a palavra da verdade» e ao estudar a Bíblia da maneira como Deus no-la deu: de forma dispensacional.
É isso que gostaria de fazer nas páginas seguintes.
(Continua)
Por Dennis Kiszonas



