Os irmãos litigiosos
Nasceram das sementes da mesma pinha e ambos sobreviveram ao assalto dos pássaros cheios de fome e às intempéries. Germinaram e cresceram bem juntinhos fazendo sombra um ao outro conforme a rotação do sol. Todos pensavam que um dos dois, o mais débil, não conseguiria sobreviver. Pelo contrário nada disso aconteceu, depois de seis meses de difícil convivência, ei-los ainda lá, jovens e prestantes raminhos prontos a arreliarem-se um ao outro, chicoteando-se cada vez que uma rajada de vento os fazia agitar.
Cresceram um virado a norte e o outro a sul, enfim quase abraçados, mas sempre a tentarem roubar o pouco espaço que havia entre eles.
Agora mergulhavam os seus ramos vigorosos e as fortes raízes no espaço um do outro numa contínua série de provocações e de punições alimentando diariamente rancor e ressentimento. Primeiro importunavam-se depois contrariavam-se e por fim, odiavam-se.
O nortenho com a sua folhagem obscurecia o sol ao do sul, que por sua vez colocou um dos seus ramos mais baixo justamente contra o tronco de modo que quando soprava a nortada serrava-lhe a casca do tronco.






