O Arrebatamento da Igreja – uma verdade Paulina (III)

Carlos M. Oliveira

 

      “Filho do Homem” é um dos títulos atribuídos ao Senhor Jesus Cristo na linha profética. É um título de Juiz.

     Em João 5:27 lemos:

     “E deu-Lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do Homem”.

     “E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante ao Filho do Homem, que tinha sobre a sua cabeça uma coroa de ouro, e na Sua mão uma foice aguda” (Apocalipse 14:14).
 
     Nos quatro Evangelhos, o Senhor Jesus Cristo refere-se a Si próprio cerca de 80 vezes como "O Filho do Homem". Este título baseia-se numa passagem na profecia de Daniel que se refere a Jesus como o Filho do Homem a Quem o "domínio, a honra, e o reino" são dados. Este reino, diz a passagem, "não passará, e ... [é] o único que não será destruído." 
 
     “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o Filho do Homem: e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele.
 
     “E foi-lhe dado o domínio e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas O servissem: o Seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o Seu reino o único que não será destruído” (Daniel 7:13,14). 
 
     Filho do Homem refere-se claramente ao Senhor Jesus Cristo na Sua ação como Juiz universal.
 
     O termo "Filho do Homem" é, pois, um título Messiânico. Jesus é o único a quem foi dado o domínio, a honra e o reino. Quando Jesus usou esse termo em referência a Si mesmo, Ele estava a atribuir a profecia do “Filho do Homem” a Si mesmo. Os judeus daquela época com certeza estariam bem familiarizados com o termo e a Quem se referia. Ele estava a proclamar ser o Messias.
 
     O Senhor Jesus fez uso deste título inúmeras vezes, identificando-se nitidamente com a profecia de Daniel (7.13,14,26,27).
 
     Em relação ao Corpo de Cristo, em relação ao “mistério”, este título é absolutamente estranho. O nosso Senhor Jesus Cristo NUNCA se apresenta em relação à Igreja, o Corpo de Cristo, como Juiz, mas como “Salvador do Corpo” (Efésios 5:23). Em vão procuraremos este título do Senhor nas epístolas de Paulo – e faz todo o sentido, pois Jesus não é o Messias da Igreja, mas de Israel.
 
     Já referimos que a verdade do Arrebatamento da Igreja era um mistério (1 Coríntios 15:51) que foi revelado a Paulo e que, portanto não poderia ser contemplada nos chamados Evangelhos – registos que dizem respeito a um período que antecede a conversão do Apóstolo. 
 
     Aqueles que têm dúvidas, apesar de todas as explicações já dadas, sobre se algumas passagens nos chamados Evangelhos não poderão referir-se ao Arrebatamento, têm como complemento precioso de ajuda à dissipação das mesmas, a ocorrência nelas do título “Filho do homem”, um título claramente associado à Sua vinda à Terra, como Juiz, para estabelecer o Seu reino há muito profetizado, e por conseguinte estranho à Igreja, o Corpo de Cristo, ao seu arrebatamento e à sua vocação celestial.
 
     “Porque o Filho do Homem virá na glória de Seu Pai, com os Seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras. 
 
     “Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do Homem no Seu reino” (Mateus 16:27,28).
 
     “E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos d’Israel” (Mateus 19:28).
 
     “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mateus 24:47).
 
     “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do Homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mateus 24:30).
 
     “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem” (Mateus 24:37).
 
     “E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mateus 24:39).
 
     “Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do Homem há-de vir à hora em que não penseis” (Mateus 24:44).
 
     “Vigiai pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do Homem há-de vir” (Mateus 25:13).
 
     “E quando o Filho do Homem vier em Sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então Se assentará no trono da Sua glória” (Mateus 25:31).
 
     “Disse-lhes Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do Homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu” (Mateus 26:64).
      
A seguinte passagem é repleta de significado.
 
     “E disse: Eis que vejo os CÉUS ABERTOS, e o FILHO DO HOMEM, que está EM PÉ à mão direita de Deus” (Atos 7:56).  
 
     Sabemos que o Senhor Jesus Cristo não se assentou à mão direita de Deus para sempre.
 
     “Disse o Senhor ao Meu Senhor: Assenta-Te à Minha mão direita, ATÉ que ponha os Teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Salmo 110:1).
 
     Com a nação de Israel a rejeitar a oferta do reino pelo Espírito Santo (Atos 7:51), depois do Senhor Jesus Cristo, também rejeitado, ter dito,
 
     “… Todo pecado e blasfémia se perdoará aos homens; mas a blasfémia contra o Espírito não será perdoada aos homens
 
     “E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado, mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado …” (Mateus 12:31),
 
     tudo se conjugava para que o juízo caísse sobre a nação implacavelmente. Por isso vemos Jesus EM PÉ COMO FILHO DO HOMEM, pronto para vir ao mundo julgar.
 
     Tal, porém não aconteceu, pois Deus resolveu revelar a verdade do Mistério, o segredo nunca contemplado na profecia, suspendendo por assim dizer o relógio profético.
 
     O mistério consistia, entre outras coisas, em enviar graça a um mundo que merecia juízo, e Deus deu prova da sua intenção salvando logo a seguir Saulo de Tarso (Atos 8 e 9), o líder da rebelião, constituindo-o exemplo dos que a partir dali se salvariam (1 Tim. 1:16). O grupo de salvos resultante desta mensagem de graça constituiria a Igreja que é o Seu Corpo.
 
     Logo que o último membro complete o Corpo, este será arrebatado para se juntar à sua Cabeça, o Senhor Jesus Cristo, nos ares (1 Tes. 4:13-18). Assim se fechará o parêntesis da graça; assim será retomado o funcionamento do relógio profético, que será reiniciado exatamente no ponto onde foi interrompido – Céu aberto e Jesus em pé pronto para vir julgar. É assim que lemos:
 
     “E vi o CÉU ABERTO, e eis um cavalo branco: e O que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e JULGA e peleja com justiça” (Apocalipse 19:11).
 
     Concluindo, quando a Bíblia se refere à vinda do Senhor Jesus Cristo como Filho do Homem, refere-se à Sua vinda gloriosa à Terra para estabelecer o Seu reino milenar; não se refere à Sua vinda aos ares para arrebatar a Sua igreja.
 
- C.M.O.
 

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