23-04-08 - O testemunho da filha mais nova de Billy Graham
Angústia e desgosto não são estranhos a Ruth Graham.Ruth Graham, filha mais nova do evangelista Billy Graham, viu três casamentos desfazerem-se e os seus filhos lutarem com o vício das drogas e a gravidez juvenil. A sua querida mãe, Ruth Bell Graham, morreu no ano passado, e ela sabe que o seu pai está a viver um tempo emprestado.
Ruth diz que quando ia à igreja, era tentada a manter as aparências e a pretender que a sua vida fosse magnífica.
As famílias na igreja estão continuamente a ser atingidas por coisas como depressão, aborto, divórcio e dependência de drogas, mas ninguém o admite, disse Ruth. “Pensamos que se não falarmos nestas coisas, elas se dissiparão,” disse ela.
Assim há alguns anos ela decidiu que a missão da sua vida era falar sobre o que ela denomina de “os elefantes da igreja no mundo”.
“Jesus sempre encontrou as pessoas onde elas se encontravam, e penso que a igreja hoje tem de encontrar as pessoas onde elas estão. ... Temos de providenciar um lugar onde as pessoas sabem que não vão ser condenadas, onde sabem que não irão ser julgadas,” disse Tex Reardon, um veterano das cruzadas de Billy Graham.
Ruth, agora com 57 anos de idade, ao ser transparente com as suas próprias falhas, a despeito de ser filha de Billy Graham, abre a porta a outras pessoas para que façam também o mesmo.
“A minha preocupação tem sido com as pessoas na igreja que usam máscaras,” disse ela, “e quando usamos máscaras ficamos mais isolados e mais sós. A maioria das pessoas usa máscaras porque há uma ferida – e muitas vezes dizem que a igreja é o último lugar onde querem ir.”
O curso da sua vida levou uma volta
Ela começou como uma “boa filha” que nunca quis causar problemas aos pais. Mas no fim da casa dos seus 30 anos a sua vida começou a desintegrar-se.
Ruth descobriu que o seu marido andava a enganá-la há anos, e o colapso do seu casamento colocou-a numa profunda depressão.
“Cresci crendo que consultar um psicólogo significava falta de espiritualidade”, disse Ruth. “Eu não conhecia ninguém que tivesse padecido de depressão.”
As coisas tornaram-se tão más que Ruth considerou o suicídio. Apesar dela ter decidido contra isso e de mais tarde ter conseguido obter ajuda para a sua depressão, as suas lutas não terminaram ali. Ela repetiu o divórcio com um “casamento novamente falhado”, que durou cinco semanas.
Por fim, acabou por ir ver os pais.
Numa reportagem publicada no jornal The Tennessean, Ruth partilha estes pormenores delicados da sua vida quando ela bateu no fundo e voltou para casa do pai em Montreat, N.C., como a filha pródiga, onde ela encontrou o pai que a aguardava. “Ele tomou-me nos braços e disse-me, “Bem-vinda a casa,” disse ela. “O meu pai não é Deus, mas naquele dia ele mostrou-me o amor de Deus”.
Mais tarde, o pai disse-lhe, “Nós vivemos todos sob a graça e fazemos o melhor que podemos.” Até ao presente, ela traz estas palavras no seu coração.
Em 1990 ela escreveu um livro – In Every Pew Sits a Broken Heart (Em Cada Banco de Igreja Assenta-se um Coração Partido) - em que regista o desenrolar das suas tribulações.
O Pai ainda trabalha arduamente
Quando visita outras cidades, colocam-lhe questões sobre a sua família e todos querem saber a mesma coisa - como está o seu pai.
Dada a sua saúde precária e a perda da sua companheira duma vida inteira, o seu pai, com 89 anos de idade, vai andando “tão bem quanto se possa esperar,” disse ela.
No ano passado ele foi hospitalizado duas vezes, tem dificuldades em ouvir, sofre de degeneração macular e tem pouca força para os seus afazeres diários.
Do pai hoje, Ruth é citada como tendo dito, “Ele ainda é um cavalheiro. Ele tem tido muita dificuldade para caminhar e não tem muita força, mas pede desculpa por não se levantar quando uma senhora entra na sala ou por não abrir a porta. Ele ainda revela o seu modo sempre cortês.” E a despeito da sua idade avançada, ela diz que ele está a trabalhar num novo livro sobre o envelhecimento. “Penso que ele tem algo a dizer àqueles de nós que o seguem atrás, sobre como Deus fala à velhice, quando os nossos corpos começam a vacilar.”
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