O escritor A. N. Wilson muda de ateu para cristão

A N Wilson

     Desde que Richard Dawkins e companhia começaram a sua cruzada particular para salvar o mundo da crença em Deus, as fileiras do ateísmo sofreram algumas baixas importantes. Primeiro foi o filósofo inglês Antony Flew que, após estudar as recentes descobertas científicas sobre a origem da vida, veio a aceitar a existência de Deus.

     Seguiu-se Andrew Norman Wilson, um novelista, biógrafo e articulista de renome na imprensa britânica, que anunciou o seu regresso à fé cristã num artigo publicado no New Statesman (2 de Abril de 2009).

     Diversamente de Flew, que não abraçou nenhuma religião em particular, a conversão intelectual de A. N. Wilson constituiu um regresso a casa. Nascido em 1950 e baptizado na Igreja Anglicana, perdeu a fé em finais dos anos 80. Nessa altura escreveu um panfleto incendiário intitulado Against Religion.

      Na sua etapa de ateu convencido, Wilson escreveu uma biografia sobre o célebre apologista cristão C. S. Lewis. O livro juntava o fascínio com a perplexidade. Wilson não entendia como um homem com tanto talento podia perder o seu tempo a escrever sobre algo tão infantil como o cristianismo. Na sua opinião, havia alguma causa psicológica oculta que tinha transformado gravemente a alma de Lewis.

     Falando do seu abandono da fé, explica que «o sentido da presença de Deus no mundo e a crença na existência de um Deus misericordioso chocaram brutalmente com a concepção terrível que eu tinha do mundo».

     Naquela época, Wilson retomou a amizade com Richard Dawkins – que conheceu em Oxford – e com Christopher Hitchens, dois dos mais veementes ateus do mundo.

     «Por fim podia juntar-me ao credo que defendiam tantos (tantos?) colegas meus do mundo ocidental: que os homens e as mulheres são pura matéria (signifique isto o que significar), que não existe mais do que aquilo que vemos, e que Deus, Jesus e a religião não são mais do que tontices. Ou pior ainda: a causa de todos os problemas do mundo, desde Jerusalém até Belfast, desde Washington até Islamabad.»

     Wilson explica que a sua visão negativa do cristianismo começou a ser gerada num ambiente carregado de preconceitos. «Como muita gente culta da Grã-Bretanha e do Norte da Europa, cresci numa cultura que era esmagadoramente laicista e anti-religiosa. As universidades, os apresentadores de televisão e os meios de comunicação social em geral, não só eram indiferentes à religião, como anti-religiosos.»

     «Para minha vergonha, reconheço que foi isto o que me fez perder a fé na minha juventude. Pensei que ser crente era algo de nocivo. Com a mentalidade de uma criancinha, sentia de forma visceral que ser religioso era algo tão pouco atractivo como ter borbulhas ou sardas.»

     Impregnado desta mentalidade, Andrew Norman Wilson começou a triunfar enquanto escritor e articulista em diversos jornais da Grã-Bretanha (The Spectator, Evening Standard, Daily Mail, Daily Telegraph …). Ganhou igualmente prémios com a publicação de diversos ensaios, novelas e biografias.

     A conversão de Wilson não foi nada abrupta. Reencontrou-se com a fé, diz, após um lento processo de desencanto com o ateísmo. A vida era demasiado rica e profunda, para deixar tudo nas mãos do materialismo. Também atribui a sua mudança a um crescimento interior que o levou a deixar de lado os preconceitos.

     «O meu regresso à fé surpreendeu-me a mim próprio mais do que a qualquer outra pessoa. Porquê esse meu regresso? Em parte, pela confiança que vim a conseguir ganhar com a idade. Em vez de me diminuir perante os detractores da religião, dei-me conta de que, quando professo a minha fé em Jesus Cristo ressuscitado, estou a desafiar todos esses espertinhos.»
«Mas há algo mais do que isso. Em grande parte, regressei à fé graças ao exemplo das pessoas que conheço. Não são famosos nem santos, mas a verdade é que se portaram como amigos e enfrentaram a vida e a morte com a luz da Ressurreição.»

     Após o seu abandono do ateísmo, Wilson reprova a cegueira dos seus antigos companheiros de viagem: «Quando penso nos meus amigos ateus, inclusivamente no meu pai, parece-me que estou perante pessoas que não têm ouvido para a música, ou que nunca estiveram enamorados.»

- in Notícias ACGD

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