A Maldição do Homem Moderno

AW Tozer

     Existe uma maldição antiga que permanece connosco até hoje — a disposição da sociedade humana de ser completamente absorvida por um mundo sem Deus.

     Embora Jesus Cristo tenha vindo a este mundo, este é o pecado supremo dos incrédulos, o qual levou o homem a não sentir — nem sentirá — a presença d’Aquele que permeia todas as coisas. O homem não pode ver a verdadeira Luz, tampouco pode ouvir a voz do Deus de amor e verdade.

     Temos nos tornado uma sociedade “profana” — completamente envolvida em nada mais do que os aspectos físico e material desta vida terrena. Homens e mulheres gloriam-se do facto de que são capazes de viver em casas luxuosas, vestir roupas de estilistas famosos e conduzir os melhores carros que o dinheiro pode comprar — coisas que as gerações anteriores nunca puderam ter.

     Esta é a maldição que jaz sobre o homem moderno — ele é insensível, cego e surdo na sua prontidão de esquecer que existe Deus. Aceitou a grande mentira e crença estranha de que o materialismo constitui a boa vida. Mas, querido amigo, saiba que o seu grande pecado é este: a presença eterna de Deus, que alcança todas as coisas, está aqui, e não pode senti-Lo de maneira alguma, nem O reconhece no menor grau? Não está ciente de que existe uma grande e verdadeira Luz que resplandece intensamente e que não pode vê-la? Não tem ouvido, na sua consciência e mente, uma Voz amável sussurrando a respeito do valor e importância eterna da sua alma, mas, apesar disso, tem dito: “Não ouço nada?”

     Muitos homens imprudentes e inclinados para o secularismo respondem: “Bem, estou disposto a agarrar as minhas oportunidades”. Que conversa tola de uma criatura frágil e mortal! Isto é tolice porque os homens não se podem dar ao luxo de agarrar as suas oportunidades — quer sejam salvos e perdoados, quer sejam perdidos. Com certeza, esta é a grande maldição que jaz sobre a humanidade dos nossos dias — os homens estão envolvidos de tal modo no seu mundo sem Deus, que recusam a Luz que agora brilha, a Voz que fala e a Presença que permeia e muda os corações.

     Por isso, os homens buscam dinheiro, fama, lucro, fortuna, entretenimento permanente ou apego aos prazeres. Buscam qualquer coisa que lhes remova a seriedade do viver e que os impeça de sentir que há uma Presença, que é o caminho, a verdade e a vida.

     Eu mesmo fui ignorante até aos 17 anos, quando ouvi, pela primeira vez, a pregação na rua e entrei numa igreja onde ouvi um homem a citar uma passagem das Escrituras: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim... e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11. 28,29).

     Eu era realmente pouco melhor do que um pagão, mas, de repente, fiquei muito perturbado, pois comecei a sentir e reconhecer a graciosa presença de Deus. Ouvi a voz d’Ele no meu coração a falar indistintamente. Discerni que havia uma Luz a resplandecer nas minhas trevas.

     Novamente, andando pela rua, parei para ouvir um homem que pregava, num cantinho, e dizia aos ouvintes: “Se não sabem orar, vão para casa, ajoelhem-se e digam: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. Foi exactamente isso que fiz. E Deus prometeu perdoar e satisfazer qualquer pessoa que esteja com bastante fome espiritual e muito interessada, a ponto de clamar: “Senhor, salva-me!”

     Bem, Ele está aqui agora. A Palavra, o Senhor Jesus Cristo, tornou-Se carne e habitou entre nós; e ainda está entre nós, disposto e capaz de salvar. A única coisa que alguém precisa de fazer é clamar com um coração humilde e necessitado: “Ó Cordeiro de Deus, eu venho a Ti; eu venho a Ti!”
 

A. W. Tozer

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