Só Tu és digno

 
Só o Senhor é digno
 
 
     «Ninguém fora achado digno...» Apocalipse 5:4

     Muitas vezes o Senhor tem que repetir a Sua Palavra: «Os Meus pensamentos não são os vossos pensamentos...» e, ainda assim, é custoso ao coração do homem admitir que não pensa, nem avalia as coisas como Deus, e especialmente no que diz respeito a si próprio.

     No capítulo sete do Evangelho segundo S. Lucas, um centurião romano mandou pedir ao Senhor que viesse curar um servo seu que estava moribundo. Havia uma multidão em volta do Senhor quando o mensageiro chegou e ouviram o pedido que o homem fez e conheceram logo o centurião que o tinha mandado. Era um homem que lhes merecia toda a estima, um homem que tinha ganho a sua aprovação, ainda que romano, e pertencendo portanto ao povo que dominava a Palestina. Logo que ouviram mencionar o seu nome disseram, com entusiasmo, ao Senhor:

     «É digno de que lhe concedas isto, porque ama a nossa nação, e ele mesmo nos edificou a sinagoga».

     Em outras palavras: «Se alguém merece a tua bênção, Senhor, é esse homem que tão bom tem sido para nós, e tanto dinheiro gastou no edifício da sinagoga – realmente é merecedor de que lhe faças alguma coisa!»

     Na sua mente, aquele povo estava a fazer o que tantos fazem hoje – media o homem pelo homem – e alguns forçosamente hão-de sair com boa medida por causa da maldade dos outros! Como alguns que conhecemos sobressaem!

     Como Saúl, são «cabeça e ombros acima dos outros» por causa da sua natural bondade, amor ao próximo, e desejo de fazer o bem; são gigantes entre os outros porque tantos dos outros são tão mesquinhos, tão avarentos, tão destituídos de toda a virtude natural. Assim era com este centurião – um homem de destaque entre os homens. Mas aquela multidão errou numa outra coisa em que tantos erram também hoje: pensou que o facto de o homem ser tão bom, merecia as bênçãos do Senhor. «É digno de que lhe concedas isto». As bênçãos do Senhor não são ganhas aqui na terra; o Senhor não abençoa o homem por causa da sua dignidade mas por causa da sua necessidade. Não podemos reclamar nenhuma bênção do Senhor porque o mereçamos, como o centurião reconheceu.

     Apesar de ele ser gentio, conhecia mais do Senhor do que os judeus que tinham sido criados na Lei de Deus.

     Enquanto eles afirmavam ao Senhor a sua dignidade – comparando-o com os outros homens – o centurião via-se na presença do Senhor, a quem tinha mandado pedir socorro e manda dizer ao Senhor por outros servos: «Não sou digno de que entres debaixo do meu telhado...».

     Como a medida parece outra quando nós nos medimos com o Senhor da Glória! «Não sou digno...», dizia o centurião, porque se tinha visto à luz da presença d'Aquele de quem João Baptista disse: «Não sou digno de Lhe desatar as correias das alparcas». A presença do Senhor sempre muda a nossa linguagem a respeito de nós mesmos. Os vestidos que o filho pródigo trazia podiam parecer próprios enquanto apascentava porcos, mas, na presença do Pai, fizeram-no clamar: «Não sou digno de ser chamado teu filho, faze-me...»

     O centurião bem sabia que se ia receber do Senhor a cura do seu servo não podia ser na base da sua própria dignidade, mas sim, na base da bondade e misericórdia do Senhor em dispensar a Sua Graça a um que nada merecia. É assim que Ele nos salva e nos concede todas as outras bênçãos – porque quer usar de graça e misericórdia para com aqueles que só merecem o inferno – louvado seja o Seu Nome!

     O cântico da eternidade no céu é: «TU és digno», como temos no livro do Apocalipse; digno de todo o louvor, de toda a honra, de toda a glória, digno de tomar o Seu lugar acima de todas as potestades e poderes, o mais alto lugar que o céu e a terra Lhe podem dar, pois Ele é mais digno ainda pela maravilhosa graça que manifestou em Se humilhar a si mesmo até à morte, e a morte da cruz, para trazer a Si uns miseráveis que nada mereciam senão o castigo! Ele é digno!

     Podemos fazer coro com João Baptista: «Não sou digno», mas ao mesmo tempo regozijar-nos de que é Cristo em nós que nos torna dignos da “vocação celestial” (Efésios 4:1).

Frank Smith
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