Duas questões que os descrentes perguntam muitas vezes sobre a ressurreição

por Lee Strobel
Os Evangelhos
Eu costumava crer que os documentos históricos que compreendem o Novo Testamento e descrevem a ressurreição eram irreparavelmente falhos por terem sido escritos muito tempo depois – talvez 100 anos – dos eventos. Como um professor me disse na universidade, a lenda e o pensamento sôfrego desenvolveram-se durante este período intermédio e distorceram completamente o registo de quem Jesus foi e o que fez.
Mas como jornalista descobri que muitos académicos estão a concluir que nunca houve o tal hiato entre a vida de Jesus e a crença de que ele é o Filho de Deus ressuscitado. A chave para isto reside no estabelecimento de uma data exacta para quando o Livro dos Actos foi escrito e depois trabalhar para trás para calcular quando os relatos da ressurreição foram registados.
Jesus foi crucificado no ano 30 ou 33 A.D.. No seu livro Escalando a Cidade Secular (Baker Academic, 1987), o académico J. P. Moreland cita meia dúzia de razões convincentes para concluir que o Livro dos Actos, que é a história da igreja primitiva, foi escrito antes dos anos 60 A.D..
Por exemplo, as três principais figuras dos Actos – Pedro, Paulo e Tiago – foram mortos entre 61 e 65 A.D., mas não há nenhuma menção disso nos Actos, que dá muitos outros detalhes das suas vidas. E os Actos não abordam a perseguição do Imperador Nero à igreja no meio dos anos 60 ou a guerra entre Judeus e Romanos, que estalou em 66 A.D.. Decerto que tudo isto teria sido incluído se os Actos tivessem sido escritos depois destes eventos, portanto deve ter sido escrito antes deles.
Nós já sabemos que os Actos foram escritos pelo historiador Lucas, e é a segunda parte de uma obra. A primeira parte é o Evangelho de Lucas, que declara Jesus como o Filho de Deus ressurrecto, e portanto sabemos que foi escrito antes dos Actos.
E a maioria dos historiadores concorda que o Evangelho de Marcos – que também testifica que Jesus é o Filho de Deus ressurrecto – foi escrito antes de Lucas porque Lucas aparentemente incorporou algum do material de Marcos no seu. Por conseguinte, o registo de Marcos é mesmo mais próximo dos eventos da vida de Jesus. De facto, há evidências de que uma fonte chave que Marcos incluiu quando escreveu sobre o túmulo vazio pode ser datada numa data que não excede o ano 37 A.D..
Ora o hiato tem sido estreitado tanto que não foi deixado tempo para uma lenda corromper o registo histórico. O académico de renome da Universidade de Oxford, perito na história Grega e Romana antigas, A. N. Sherwin-White, concluiu que até mesmo a passagem de duas gerações não seria tempo suficiente para que uma lenda destruísse um registo sólido de factos históricos.
Mais, há um credo da igreja primitiva que o apóstolo Paulo inclui em 1 Coríntios 15:3,4, que confirma que Jesus morreu pelos nossos pecados, foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, como foi predito pelas Escrituras. Baseados numa variedade de factores, alguns académicos datam este credo 24 a 36 meses depois da crucificação – e o registo das testemunhas oculares que o sustenta vai até à própria cruz. Em termos históricos, isto soa a notícias bem quentes de última hora”.
Quando Paulo mencionou em 1 Coríntios 15:6 que o Jesus ressuscitado apareceu a 500 pessoas de uma só vez, ele declarou especificamente que muitos deles ainda estavam vivos, no momento que escrevia. Com efeito, ele estava a dizer, “Hei, isto aconteceu tão recentemente que estas testemunhas ainda andam por aí – perguntai-lhes vós mesmos se não credes em mim, e elas dir-vos-ão que é verdade!”
Eis quão seguro ele estava, exactamente como nós podemos ter confiança na credibilidade dos registos bíblicos da ressurreição.
As testemunhas oculares da ressurreição de Cristo estariam alucinadas?
Não somente o túmulo de Jesus estava vazio, como durante um período de 40 dias ele apareceu vivo uma dúzia de vezes diferentes a mais de 515 indivíduos – a homens e mulheres, a crentes e a cépticos, a pessoas de mente dura e a almas sensíveis, a grupos, a indivíduos, por vezes entre quatro paredes, por vezes ao ar livre em plena luz do dia.
Ele falou com pessoas, comeu com elas, convidou até um céptico a colocar o dedo nos orifícios dos cravos nas suas mãos e a colocar a mão no lado ferido pela lança a fim de verificar que era realmente Ele. Esta experiência foi tão transformadora que o discípulo Tomé morreu de morte violenta no sul da Índia, ao proclamar que Jesus tinha, de facto, ressuscitado.
Eu cobri inúmeros julgamentos criminais como jornalista de investigação criminal, e nunca vi ninguém que tivesse 515 testemunhas. Colocando as coisas em perspectiva, se chamasses cada uma delas a depor por apenas 15 minutos, e não fizesses nenhum intervalo, isso levar-te-ia desde o pequeno-almoço de segunda-feira até ao jantar de Sexta-feira, para as poderes ouvir a todas. Depois de escutares quase 129 horas seguidas o testemunho de testemunhas oculares, quem poderia sair dali sem ficar convencido?
Certamente que, como céptico, eu tentei detectar buracos nas suas histórias. Por exemplo, estes aparecimentos poderiam ser alucinações? O Dr. Gary Collins – presidente de uma associação nacional de psicólogos, professor universitário de psicologia há 20 anos, e autor de mais de 40 livros de psicologia sobre assuntos relacionados – diz que isso é simplesmente impossível.
As alucinações, disse ele, são como os sonhos – são eventos individuais que não podem ser partilhados entre as pessoas. Um perito disse que 500 pessoas partilharem a mesma alucinação seria um milagre maior do que a própria ressurreição!
Mas eu ainda não estava a ponto de ceder. Se aquilo não eram alucinações, talvez fosse um exemplo do que os psicólogos denominam de “pensamento de grupo” – uma espécie de pensamento sôfrego onde as pessoas num grupo encorajam-se subtilmente umas às outras por meio do poder da sugestão para verem algo que não existe.
Porém Collins, disse que isso também não seria possível porque as circunstâncias eram completamente erradas. Os discípulos não estavam a antecipar uma ressurreição, que teria sido totalmente estranha às suas crenças Judaicas, por conseguinte não foram inebriados para essa espécie de “pensamento de grupo” ocorrer. Ademais, Jesus comeu com eles, conversou com eles, e apareceu numerosas vezes diante de toda a espécie de pessoas em diferentes estados emocionais – tudo contrário à teoria do “pensamento de grupo”.
Mais ainda, o que diremos do túmulo vazio? Se as testemunhas oculares tivessem meramente falado em imaginar uma visão de Jesus, então o Seu corpo ainda estaria na sepultura – e certamente que os Romanos tê-lo-iam apresentado.
O veredicto da história
Visto que todos os fragmentos da documentação histórica sobre a ressurreição de Jesus de entre os mortos são evidência da nossa própria ressurreição, então podemos encarar o futuro com confiança expectante. A esperança de que os Cristãos vencerão a sepultura e passarão a eternidade com Deus não é uma aspiração desesperada de pessoas que receiam encarar a sua própria mortalidade. Pelo contrário, é uma conclusão racional e lógica baseada no testemunho convincente da história.
“Nenhum corpo de jurados inteligente no mundo”, disse Lord Darling, o brilhante Presidente do Supremo Tribunal de Inglaterra, “poderia falhar em chegar ao veredicto de que a história da ressurreição é verdadeira”. E nós podemos continuar com confiança ousada, graças à evidência da história que estabelece com clareza convincente como Jesus não somente nos precedeu na morte mas também voltou dos mortos e abriu o caminho para o céu. “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:31)
Este artigo está baseado num capítulo do livro de Lee Strobel, God's Outrageous Claims (Declarações Ultrajantes Sobre Deus) (Zondervan, 1998).



