Inventado? Jesus? (II)

As pessoas deliram na sua incredulidade. É impressionante.

JESUS: IDEIA DE HERÓI ESTRANHA - TIDA POR NINGUÉM
 
     Mas não avancemos depressa demais. Vamos ficar, por um momento, com a hipótese de que alguém inventou o personagem Jesus, apresentou essa ficção ao mundo, onde ela imediatamente atraiu pessoas de culturas amplamente diferentes e foi assumida como o seu ideal religioso.

     Porém, essa hipótese cai por terra no primeiríssimo obstáculo. Quanto mais sabemos sobre as principais culturas da época, mais se torna claro que, se o personagem Jesus não tivesse sido uma realidade histórica, ninguém o teria inventado, mesmo que pudesse. O Jesus dos Evangelhos não se ajustava ao conceito de herói de ninguém. Gregos, Romanos e Judeus — todos o achavam exatamente o oposto do seu ideal.

     Tome primeiro os Judeus, e não apenas os Judeus que eram e continuaram a ser hostis a Jesus, mas aqueles comparativamente poucos que eram, a princípio, os seus amigos. Eles próprios dizem-nos — e certamente não inventaram esta parte — que chegou um ponto no qual eles O abandonaram, tão absolutamente contrário ele era relativamente ao que eles procuravam num herói (Mateus 26:47-56). O seu conceito de herói era uma figura messiânica, como Macabeus. Um tipo forte, militar, alimentado com ideais religiosos e preparado para lutar (com a ajuda de assistência angelical, assim acreditava o fervor popular) contra os imperialistas que tinham subjugado a nação e estavam suprimindo a religião nacional.

     Contudo, quando as questões atingiram o ponto culminante entre Jesus e as autoridades, e elas vieram prendê-Lo, Jesus recusou-se a lutar ou a deixar os Seus discípulos lutarem e deliberadamente permitiu-se ser preso. Nesse ponto, todos os Seus seguidores abandonaram-No em desgosto: ele não foi nenhum herói para eles! E muitos Judeus, até hoje, especialmente os que estão em Israel, sentem-se da mesma forma. Eu tenho um amigo Judeu, que simplesmente conseguiu, embora por um fio, escapar das câmaras de gás de Hitler. Ele disse-me francamente: “Esse Jesus de vocês é um fraco. Ele não serve como um Messias para mim. A minha filosofia é que, se alguém te bate no nariz, tu ripostas!” Era assim que os primeiros discípulos de Jesus originalmente pensavam, e foi só a ressurreição de Jesus Cristo que lhes ensinou o contrário e mudou radicalmente as suas ideias daquilo que o Messias deve ser.

     Ou tome os Gregos daquela época. O tipo de herói que os atraía, ou, pelo menos, aos pensadores entre eles, era o ideal Epicurista, que cuidadosamente evitava, tanto quanto possível, todas as dores e os prazeres que poderiam perturbar a sua tranquilidade, ou o ideal Estoico, que, seguindo uma racionalidade rígida, subjugava as suas emoções e recebia o sofrimento e a morte com imperturbada presença de espírito. Sócrates de Platão também, lembremos, bebeu a bebida envenenada com inabalável contentamento e serenidade.

     Quão completamente diferente é o Jesus dos Evangelhos, atormentado com angústia e agonia no Getsêmani até o Seu suor escorrer como pesadas gotas de sangue enquanto pleiteava com Deus para O livrar de beber do cálice que lhe era apresentado e clamando publicamente na cruz: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” Ele certamente não era alguém que um Grego teria reconhecido como um herói, ninguém que um filósofo Grego teria inventado como um ideal no qual se espelhar.

     E, quanto aos Romanos, entre os filosoficamente inclinados, o Estoicismo geralmente era o mais favorecido credo, enquanto os militares e os políticos que entraram em contacto com Jesus O acharam um absurdo impraticável. Ele falou de Si mesmo como um Rei que tinha vindo ao mundo para dar testemunho da verdade.

     “Que é a verdade?”, disse Pilatos. O deus supremo de Pilatos era o poder (João 18:33-38; 19: 1-12). Herodes achou as afirmações de Jesus extremamente engraçadas e os seus soldados consideraram um ‘rei’ como Jesus motivo para a mais cruel das chacotas.

     O facto claro é que Jesus Cristo, no final, foi o oposto do conceito que todos tinham de um herói ideal, político, filosófico ou religioso. Ninguém o inventou, e ninguém, mesmo que o tivesse inventado, teria considerado, por um momento, que estava ali um ideal que instantaneamente apelaria ao público. O maior pregador e missionário Cristão, Paulo, confessa nos seus escritos que a pregação de Jesus Cristo crucificado constantemente parecia escandalosa para os Judeus, e pura loucura para os Gregos. Se não fosse pelo facto de que Jesus ressuscitou dentre os mortos, os primeiros discípulos teriam abandonado toda a fé n'Ele. Os Evangelhos nunca teriam sido escritos.

     Naturalmente, quando recordamos, agora, do ponto privilegiado de dois mil anos de história, as coisas parecem muito diferentes. Os romanos que zombaram de Jesus acabaram por perder o seu grande império, e Tibério César é, para a massa de pessoas no Ocidente, uma sombra esquecida da história. Mas, hoje, milhões consideram Jesus o maior Rei que jamais viveu e vivem a sua vida em disposta obediência a Ele.

     Além disso, o princípio de não retaliação perante o mal que ele exemplificou, quando Se rendeu aos Seus inimigos sem lutar e ao orar por aqueles que O crucificaram, veio a comandar o respeito mundial (mesmo, se não, a Sua obediência) e ainda desafia a nossa insana agressividade e violência humana. Isso tornou a cruz de uma estrutura de vergonha na mais nobre atitude que uma pessoa pode adotar.

     E quanto ao contraste entre a tranquilidade de Sócrates e a terrível agonia de Jesus perante a morte e a confissão de Jesus na cruz de que Deus, por um tempo, O abandonara: isso certamente mostra que Jesus não era nenhum filósofo grego. Mas, então, isso aponta-nos para o facto de que, na cruz de Jesus, estava a acontecer algo infinitamente mais significativo do que a morte de um filósofo grego. Na linguagem do Novo Testamento, estava ali o Cordeiro de Deus a carregar o pecado do mundo e, pelo Seu sofrimento, a tornar possível a remoção da nossa culpa.

     Falaremos disso mais tarde. Por agora, aqui está o meu primeiro argumento: se supõe que Jesus Cristo é um personagem inventado, tem um problema insuperável nas suas mãos para explicar como os autores dos Evangelhos possivelmente poderiam ter conseguido inventá-Lo, e mais, porque eles, de qualquer modo, teriam inventado tal personagem.

- David Gooding & John Lennox

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