Inventado? Jesus? (I)

As pessoas deliram na sua incredulidade. É impressionante.

 

     Suponhamos, por um momento, que os autores dos Evangelhos não descreveram simplesmente um Jesus que realmente viveu, mas inventaram esse personagem, tendo como sua matéria-prima, talvez, algum camponês sábio, mas livremente reconstruindo, adicionando, moldando e exagerando, de modo que o resultado fosse um personagem ideal, mais do que humano, porém, fictício que, como tal, nunca existiu. Suponhamos, digo eu, que assim o era, e, em seguida, elaboremos as implicações da nossa teoria.

     A primeira coisa a se dizer sobre isso seria que, se o personagem Jesus é uma ficção literária, então o que temos aqui é quase um milagre. Nós sabemos muito sobre personagens literários fictícios e como é difícil criar um realmente convincente. A literatura mundial está repleta de tais personagens, alguns bem traçados, alguns não tão bem traçados. Agora, é inegável que, se Jesus é uma ficção literária, ele é um personagem que alcançou fama mundial. Para serem capazes de criar um personagem fictício tão famoso, os autores dos Evangelhos devem ter sido génios literários da maior categoria. Agora, os génios literários dessa grandeza são muito raros: um não dá de cara com outro em cada esquina. Mas, aqui, temos quatro, todos florescendo de uma só vez. Quem eram esses homens? E que tipo de homens eles eram? Bem, um era pescador, um era cobrador de impostos de nível inferior, um era médico e o outro, um jovem não descrito. É possível que todos os quatro vieram a ser génios literários de grandeza mundial?

     Porém, mais. Mesmo os personagens mais brilhantes e mais realistas permanecem para os seus leitores simplesmente como isto: personagens fictícias. Eles não se levantam da página, não assumem uma existência independente, nem se tornam, para os seus leitores, numa pessoa viva e real, que eles possam conhecer da forma como alguém conhece uma pessoa viva e com quem pode ter um relacionamento pessoal. Compreensivelmente, não! Mas foi isso que aconteceu a este personagem supostamente fictício, Jesus Cristo.

     Ele tornou-Se, para milhões de pessoas, ao longo de vinte séculos, uma pessoa viva e real, com quem elas afirmam ter um relacionamento pessoal; uma pessoa a Quem amam a ponto de estarem preparadas para morrer, como milhares, na verdade, o fizeram. Agora, pode-se pensar nelas como ignorantes por se sentirem dessa forma sobre Jesus. Nesta fase, eu não estou a pedir-lhe que aprove. Eu simplesmente estou a afirmar o facto inegável. E o meu ponto é este: se Jesus era, de facto, um personagem inventado pelos autores dos Evangelhos, então, ao criar um personagem que, para milhões, se tornou uma pessoa viva, digna de amor, devoção e sacrifício, esses autores conseguiram uma proeza literária inigualável em toda a literatura mundial. Milagre não seria uma palavra forte demais para isso. Talvez, de facto, devamos começar a adorá-los?

     Há, naturalmente, alguns (embora notavelmente poucos) personagens na literatura que nos parecem pessoas reais, as quais podemos conhecer e reconhecer. Um deles é o Sócrates de Platão. Os diálogos de Platão não são apenas obras filosóficas, são obras da literatura mundial. Mesmo o Sócrates que aparece nelas pareceu a gerações de leitores uma pessoa real, cujos traços do personagem eles reconheceriam em qualquer lugar; tanto é assim que, se a eles fosse apresentada uma representação de Sócrates em alguma obra falsificada, eles diriam imediatamente: “Não, não era assim que o verdadeiro Sócrates teria reagido ou falado”.

     Mas a razão pela qual o Sócrates dos diálogos de Platão nos parece assim é porque Platão não o inventou. Ele era uma pessoa real, histórica, que realmente viveu. A imagem do Sócrates de Platão pode ser altamente polida: mas a pessoa e o personagem de Sócrates não foram nenhuma invenção de Platão. Era precisamente o contrário. Foi o impacto do personagem de Sócrates que ajudou a criar o filósofo e artista literário, Platão.

     E assim é com Jesus Cristo. E ainda mais. Apesar de todo mundo reconhecer que o Sócrates dos diálogos de Platão foi uma pessoa histórica real, ninguém, exceto um lunático, afirmaria conhecê-lo agora como uma pessoa viva real ou ter um relacionamento pessoal com ele. As pessoas hoje não morrem por Sócrates. Porém, fazem-no pelo Jesus do Novo Testamento! De facto ele não é uma ficção literária ou religiosa inventada pelos autores dos Evangelhos. Essas obras descrevem uma figura histórica real que viveu na Palestina, no reinado de Tibério César, que morreu e, como diriam os Cristãos, ressuscitou dos mortos e ainda vive.

- David Gooding & John Lennox

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