A Salvação, segundo Rom. 10:9,10, afinal consegue-se pelas obras?
"A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo.
"Visto que, com o coração se cré para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação".
- Rom. 10.9,10
O apóstolo Paulo estabelece nestas nestas palavras sublimes o simples plano de Deus para a salvação. No versículo anterior ele denomina-o de "a palavra da fé, que pregamos".
O alarmante desvio da mensagem Paulina em que a Igreja tem caído é hoje evidenciado pelo facto duma grande parte dos crentes, que dizem pregar "a palavra da fé", ter introduzido nestas palavras de PauIo o elemento das obras meritórias .
Quantas vezes crentes recém-convertidos, bebés em Cristo, são exortados a testemunharem publicamente com base nestas palavras! É-lhes lembrado que Rom. 10.9 diz, "Se com a tua boca confessares ... serás salvo. "
Frequentemente, os pregadores que não dividem bem a Palavra da verdade, dão força a este argumento ao apelarem para as palavras de nosso Senhor em Mat. 10.32,33:
"Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, Eu o confessarei diante do Meu Pai que esta nos céus.
"Mas, qualquer que Me negar diante dos homens, Eu o negarei também diante do Meu Pai que está nos céus".
E assim o elemento das obras meritórias é injectado na "palavra da fé que pregamos".
E é dado assim a sentir aos bebés recém-nascidos em Cristo que um coração de fé não basta para os tornar seguros; que é necessário erguerem-se em testemunho publico para que a sua salvação vingue.
Apesar de serem poucos os crentes entre nós que explicitem abertamente o que afirmamos, ousamos contudo dizer que a maioria dá essa impressão nos comentários que faz a estes versículos.
"Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Ver. 13).
É claro que tudo isto não minimiza a importância e o valor do testemunho que devemos dar como crentes. Só que não devemos atemorizar os filhos de Deus no seu testemunho para Ele. Não devemos duvidar da sua salvação por não terem tido a coragem de dar testemunho público. A salvação não se obtém por meio de coragem, mas "por meio da fé". Nunca devemos fazer sentir aos bebés em Cristo que a segurança do crente se alcança pelas obras. Acima de tudo, nunca adulteremos a mensagem da graça nem alteremos as Escrituras.
Se lermos Rom. 10.9,10 compreendendo bem o seu significado não alteraremos a mensagem da graça. Se lermos esta passagem, compreendendo-a bem, veremos como ela apresenta o maravilhoso e simples plano de Deus de salvação graciosa para os pobres pecadores perdidos neste presente século mau.
Tive conhecimento, há alguns anos, dum homem que assistia regularmente algures, aos sábados à noite, a umas reuniões "evangelísticas" com a esposa. Ela era crente, mas ele não. A princípio ele ia só para lhe agradar, mas depois de ter assistido a algumas reuniões foi despertado para a sua necessidade espiritual e disse que não perderia mais uma única reunião aos sábados à noite.
A mulher orava muito pela salvação dele, porém ele nunca respondia ao convite para levantar o braço e vir à frente no fim das reuniões. As semanas passavam, e, apesar de profundamente convicto do seu pecado e da sua necessidade de se salvar, ele não conseguia levantar o braço e muito menos ir à frente.
Uma noite, quando a caminho de casa, a mulher perguntou-lhe, "Querido, porque não levantaste o braço e foste à frente?" "Não sei", respondeu ele, "Parece que estou colado ao assento. Acho que não tenho coragem. Pode ser que da próxima vez me desiniba".
Este caso é um exemplo clássico da forma como Rom. 10.9,10 tem sido pervertida. Como se teria regozijado este homem se lhe tivesse sido tornado claro que ele não tinha sequer de mover um dedo para ser salvo! Oh, preguemos com fidelidade e clareza o evangelho da graça de Deus, não na base dos feitos pessoais, mas da obra de Cristo gloriosa, consumada, toda-suficiente.
- C.R.S.



