Todas as religiões são boas?

SapateiroO tio Firmino e o sr. Doutor

     O tio Firmino, sapateiro, é assíduo assistente ao «estudo bíblico», e pudemos convencer-nos no outro dia a respeito do seu aproveitamento ouvindo-o discutir com um médico. Propositadamente não nos intrometemos na palestra, para ver como ele «descalçava a bota», e temos que confessar que sentimos certo orgulho escutando-o.

     A conversa versava sobre a superioridade da religião Cristã.
 

     - Ora veja, tio Firmino - dizia o médico - o gasto que os Cristãos fazem com as suas missões é perfeitamente inútil, porque todas as religiões são boas. Eu tenho feito o estudo comparativo das religiões e encontro muita coisa boa em todas. No Alcorão...

     - Desculpe, sr. doutor, que o interrompa; V Ex.ª encontra muita coisa boa em todas as religiões, mas desejo fazer-lhe notar que na religião Cristã se encontra tudo bom e sem mistura de mal.

     - Oh! isso é dogmatismo! Todas têm seus defeitos.

     - Aponte-me «um» na de Cristo.

     - Oh! não sou nenhum teólogo, mas se eu buscar bem...

     - Ah, sim; quer dizer que ainda os não encontrou?

     - Ora veja, nas religiões da Índia, como no Maometismo e em todas as outras, encontram-se máximas morais tão preciosas como na Bíblia, e visto que todas tendem igualmente a moralizar, não se deve desprezar uma em benefício das outras.

     - V. Ex.ª terá sem dúvida notado que os adeptos do Novo Testamento não queimam as suas viúvas, nem casam suas filhas aos sete anos, como na Índia, nem se casam com uma dúzia de mulheres como os Maometanos, nem...

     - Ah! claro, claro, o progresso... a evolução... isso é natural!

     - O progresso e a evolução? Então será um progresso e uma evolução ao contrário; visto que Maomé é posterior a Cristo. Cristo santificou o matrimónio, e Maomé, séculos depois, prostituiu-o. Que progresso e que evolução são esses?

     - Ah! sim... não... sim, mas... eu falava das religiões na Índia!

     - Pois exactamente ali é onde até ao dia de hoje, nalguns lugares, continua o casamento obrigatório para as meninas de sete anos e até de menos. Onde está o tal progresso?

     - Oh! Mas isso é somente em regiões muito bárbaras...

     - Exactamente! Nas regiões onde o europeu ainda não pôde estabelecer a religião do Novo Testamento.

     - Está bem! Concordo! Mas o que V. não pôde negar-me é que essas religiões têm máximas muito morais e que a sua moralidade...

     - Ora vamos, sr. Doutor, estamos a perder tempo. V. Ex.ª resume toda a sua religião em «moralidade»; para mim a religião é alguma coisa mais, e muito mais, do que a moral. Vou dar-lhe um exemplo: com alguma habilidade eu podia fazer a V. Ex.ª um par de botas bem talhadas, esplêndido cabedal e cosidas com toda a perfeição, um verdadeiro modelo de «estilo» que chamaria a atenção de toda a gente e que poderiam parecer tão boas ou melhores que outras num mostruário. Mas, apesar de tudo isto, podem as botas ter dois defeitos capitais que as inutilizariam por completo...

     - Quais?

     - Em primeiro lugar, que não lhe servissem nos seus pés, em segundo lugar que tivessem solas ... de papel, e que, portanto, à primeira chuva que caísse, V. Ex.ª ficaria descalço no meio da rua!

     - Mas o que tem o par de botas com as máximas de que lhe falei?

     - Que o tal par de botas pode parecer tão bom e ter umas certas condições tão aceitáveis como quaisquer outros; mas, considerando bem, nota-se que lhe faltam as duas condições essenciais para que as botas sejam realmente úteis a V. Ex.ª isto é, que lhe sirvam e que possam defender os seus pés da chuva e humidade.

     - Mas o que tem que ver o par de botas com...

     - Muito, muito, sr. doutor! Em primeiro lugar, as religiões inventadas pelos homens não se adaptam às necessidades de todos os homens. Na religião de Cristo há consolo, instrução, luz, graça, força e outras bênçãos para mim que sou um pobre e ignorante sapateiro, e há tudo isso igualmente para os reis e imperadores. O português, o espanhol, o inglês, o chinês, o japonês, etc., ainda que tenham ideias, gostos e civilizações tão diferentes acham, todos, que o ensino da Bíblia se adapta de igual modo às suas necessidades espirituais; cada um deles, quando chega a compreender o livro, aceita-o como se na realidade o livro fosse escrito especialmente para ele, seja qual for a sua condição social, moral ou espiritual. Isto não acontece com nenhuma outra religião. Ainda que a Romana (Católica) tenha uma táctica para o aldeão e outra para os reis, somente a religião de Cristo satisfaz a todo e qualquer homem que a aceita.

     - Confesso que V. não discorre mal, tio Firmino! E o que é que V. quer dizer com as «solas de papel» do seu par de botas?

     - O quê!! Pois o sr. doutor ainda não entendeu? Como disse, as botas representam as religiões de origem humana. Essas religiões têm, é verdade, algumas máximas morais e certos conselhos bons, mas a isso se reduz toda a sua bondade. Assim também o par de botas tem bonita forma, finíssimo cabedal etc. Mas como ele precisa do principal: uma boa sola; assim a essas religiões falta-lhes o essencial: um Salvador para a alma perdida!

     Todas dão bons conselhos, mas só a religião Cristã nos ensina onde acharemos PODER para seguir esses conselhos. Todas ordenam ao homem que seja bom, mas o homem é mau, e nenhuma religião, a não ser a Cristã, lhe ensina o modo como o homem mau pode converter-se em bom.

     Todas falam ao homem a respeito do céu, mas só a Cristã mostra e proporciona ao homem o meio divino para que ele possa subir ali.

     Todas falam de moral, todas querem moralizar, mas o pecador perdido precisa PRIMEIRO QUE TUDO, salvar-se do domínio do pecado para DEPOIS ser verdadeiramente moral.

     - A sua filosofia, tio Firmino...

     - Eu não sou filósofo, sr. doutor. Sou um ignorante sapateiro, mas quando estava mergulhado em vícios e pecados, a Bíblia mostrou-me a minha ruína e igualmente mostrou.me o meu Salvador. Do mesmo modo, milhões e milhões se têm salvo; as suas vergonhosas vidas de pecado se converteram em vidas de santidade, e as suas mortes foram um triunfo. Nem as falsas religiões nem o «estudo» comparativo das religiões, por muito interessante que isso seja, podem produzir semelhantes frutos.

     - Está bem, cada um tem a sua opinião, e....

     - Desculpe, sr. doutor! Não se ofenda se lhe digo que só um desequilibrado pode atrever-se a falar da «sua opinião» depois de Deus ter manifestado a Sua. Que importa todas as opiniões do mundo, juntas, se Deus declara que se o homem se arrepende e se refugia em Jesus será salvo, e SENÃO — NÃO? Pense nisto, sr. doutor! 

- Daniel Hall

             

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