A Ceia da Meia-noite

Ceia da Meianoite     Há já algum tempo uma senhora casada, tendo recebido Cristo como o seu Salvador, tornou-se uma Cristã verdadeiramente exemplar. O seu marido porém, não obstante este facto, continuou como dantes, um homem do mundo, amante dos prazeres do pecado.
 

     Uma noite em que, como era do seu costume, se achava com os seus companheiros na taberna, a discussão versou sobre as boas qualidades e as faltas das suas esposas. O marido desta senhora crente fazia-lhe os melhores elogios, dizendo que era tudo quanto um homem podia desejar, tendo como único defeito o facto de ser religiosa. «Contudo,» acrescentou, «tal é o domínio que ela tem sobre o seu génio que, por exemplo, mesmo que eu vos levasse à meia noite para a minha casa e a chamasse para levantar-se da cama e vir arranjar-vos uma ceia, ela o faria com todas as boas maneiras possíveis!»

     Os seus companheiros consideraram logo que tal afirmação não passava de exagero e desafiaram-no a fazer a experiência por uma aposta considerável. O nosso homem aceitou a aposta e, mais ou menos à meia noite, lá se dirigiram todos a sua casa. Ao chegarem, o dono da casa perguntou à criada, que ainda estava a pé à sua espera, «Onde está a tua senhora?»

     - Já se foi deitar senhor, respondeu ela.

     - Chama-a já, e diz-lhe que tenho aqui alguns amigos e quero que ela se levante e nos arranje uma ceia.

     Ao receber da criada este recado, a boa da mulher levantou-se imediatamente para satisfazer o extravagante pedido do marido. Vestiu-se à pressa e foi cumprimentar as visitas com toda a civilidade, dizendo-lhes que felizmente acontecia ter alguma galinha já cosida e que depressa se lhes arranjava a ceia.

     Quando tudo estava pronto ela mesma fez as honras da mesa, com a máxima amabilidade como se se tratasse de pessoas previamente convidadas e a uma hora mais razoável. Acabada a ceia os homens não podiam esconder a sua admiração e um deles, indivíduo mais pacato do que os outros, dirigiu-se à senhora dizendo: «Minha senhora, a sua cortesia nesta ocasião enche-nos de estupefacção. A nossa visita a estas horas da noite é o resultado de uma aposta que podemos considerar perdida. Como a senhora é muita religiosa e portanto certamente não aprova a nossa conduta, peço licença para lhe perguntar a razão de tanta bondade da sua parte».

     «Pois não! » respondeu ela. «Quando me casei, tanto eu como o meu marido estávamos ainda por converter. Deus foi servido de tirar-me desta triste condição em que infelizmente o meu marido ainda continua. Tremo ao pensar no futuro que o espera. Se ele morresse esta noite no estado espiritual em que está, seria decerto miserável por toda a eternidade; julgo pois ser o meu dever, não o contrariar, mas tratá-lo com amor e paciência, esforçando-me assim para que, ao menos nesta vida, ele seja tão feliz quanto possível».

     Esta resposta tão sábia quanto fiel impressionou bastante todo o grupo, e deixou uma profunda impressão no espírito do dono da casa. Naquela mesma noite ganhou uma coisa muito superior à aposta que fizera com os amigos - converteu-se também, tornou-se outro homem, chegando a ser um verdadeiro cristão e por consequência um bom marido.

     É deveras solene pensar que o pecador ainda por converter, e que continua deleitando-se nos prazeres do pecado, está tendo nestes efémeros prazeres a única satisfação que jamais experimentará, visto não ter diante dele senão uma certa expectação horrível de juízo - trevas eternas, uma noite sem manhã.

     Oh, leitor, se ainda estás a buscar nos vãos prazeres do pecado a tua satisfação, ignorando o gozo e alegria, a paz e a satisfação, que esperam aquele que do mundo e do pecado se converte e volta para Deus, desperta-te já e com verdadeiro arrependimento para com Deus e fé em nosso Senhor Jesus Cristo, refugia-te em Cristo o Salvador.

     «Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigénito, para que todo aquele que n’Ele crê não se perca mas tenha a vida eterna» (João 3:16). E assim «Cristo padeceu uma vez (sobre a cruz) pelos pecados, o justo pelos injustos para levar-nos a Deus» (1 Ped. 3:18).

     Nas Escrituras Sagradas lemos: «Na Tua presença (ó Deus) há fartura de alegrias; à Tua mão direita há delícias perpetuamente» (Sal.16:11.). E outra vez: As coisas que o olho não viu e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que O amam» (1 Cor. 2:9).

     Sim a plenitude de gozo só se acha no conhecimento de Deus Pai e de Seu Filho Jesus Cristo: no conhecimento do valor infinito da obra redentora do Salvador Jesus Cristo, da perfeição e glória da Sua pessoa e da grandeza do Seu amor; no conhecimento do amor imenso, infinito, de Deus Pai e dos ricos propósitos desse amor para com aqueles que tendo aprendido o Seu amor O amam também. Sim no amor e no serviço de Deus o crente acha perfeita satisfação, e verdadeira alegria.

     Ah, leitor, não deixes que coisa alguma te impeça de, experimentar sem mais demora a plena paz com Deus pela fé em nosso Senhor Jesus Cristo; o perfeito gozo que resulta de comunhão com Deus; e o glorioso privilégio de viveres para servir a Deus em amor, santidade e justiça. É para isto que Deus te chama pelo Evangelho, desejoso que tu te convertas do mundo, dos ídolos e do pecado a Ele, para servires o Deus vivo e verdadeiro e para esperares dos céus a Seu Filho a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura. Sim, bênção, felicidade e paz no presente, e glória infinda e prazeres eternos, esperam aquele que, aceitando o testemunho de Deus no Evangelho acerca do Seu Filho Jesus, se entrega a Ele com confiança e convicção.

     Volta-te, leitor, volta-te já para Deus! Lança-te nos braços do Salvador que morreu para te remir e levar a Deus, e que agora, vivo na glória celeste, está esperando também por ti.

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