O logro de se confiar nas obras


JESUS: o nosso destino     Falei há muito tempo com um jovem de vinte anos. Jamais o esquecerei. Quando o encontrei um dia, disse-lhe: “Meu caro Heinz, já há muito tempo que não te vejo nos estudos bíblicos ou nas reuniões de jovens.”

     “É verdade” – respondeu ele. “Pastor Bush, tenho pensado precisamente nisso. O senhor anda sempre a dizer que Jesus morreu pelos pecadores. No que me diz respeito, eu não sinto necessidade de um bode expiatório para levar os meus pecados. Se eu fiz alguma coisa de errada e se realmente existe Deus, eu próprio responderei perante ele. A ideia de um Salvador a morrer em meu lugar é totalmente ridícula.” 

     "Está bem.” – respondi eu – “Quando compareceres diante do Deus santo, pede-lhe justiça. Tens esse direito. És livre para rejeitar Jesus e dizer: “Apelo à justiça”. Mas tens de reconhecer uma coisa: na Inglaterra, as pessoas são julgadas pela lei inglesa; na Alemanha, são julgadas pela lei alemã; diante de Deus, seremos julgados pela lei divina. Espero que nunca tenhas transgredido uma só dessas leis – de contrário, não te restará qualquer esperança. Adeus!”

     “Espere um momento!” – exclamou o jovem – “Deus não é assim tão mesquinho!”

     “Ah! Então, como é que achas que é o Deus santo?” – perguntei eu – “Imaginemos por um momento que, depois de viver honestamente durante cinquenta anos, um dia eu cometo um pequeno roubo, num espaço de três minutos, no máximo. O caso acaba por ser descoberto e é levado a tribunal. Durante a audiência, eu digo ao juiz: “Senhor Juiz, não seja tão rigoroso. Três minutos de roubo são bem compensados por metade dum século de honestidade. Quem poderia ser tão escrupuloso que me castigasse por tão pouco?”

     Sabes o que aconteceria? O juiz iria responder: “Um momento! A minha responsabilidade aqui não são os seus cinquenta anos de honestidade, mas sim os três minutos que passou a cometer esse roubo. A lei está a julgá-lo por esse crime específico”. Se um juiz terreno reagia desse modo, por que é que Deus não faria o mesmo?”

(Wilhelm Busch; Jesus Nosso Destino; Núcleo; pp. 67)

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