Onde Estava Darwin na Virginia Tech?

Uma vez mais, o pesadelo de todos os pais e avós aconteceu. 28 estudantes e 5 funcionários foram recentemente mortos na Universidade Tech da Virgínia, incluindo o assassino.

Ficaram feridos 15, alguns com gravidade. Um dos funcionários era Liviu Librescu, de 76 anos de idade, que sobreviveu ao holocausto perpetrado por Hitler sobre os Judeus. Ele conseguiu um visto de entrada nos EUA para ensinar, apenas para ser morto por um jovem também imigrante, com um visto de entrada para estudar.  

Até aquela segunda-feira, o massacre mais mortal na história dos EUA aconteceu em Killeen, Texas, em 1991, quando George Hennard avançou com a sua carrinha pickup para a Cafetaria Luby e disparou assassinando 23 pessoas, suicidando-se de seguida.  

Na história dos EUA. o tiroteio mais mortal anterior num campus universitário ocorreu em 1996 na Universidade do Texas, onde Charles Whitman subiu a uma plataforma observatório, de um relógio de torre situada num 28º piso de um prédio, e começou a disparar. Ele assassinou 16 pessoas antes de ser abatido pela polícia. Depois disso, tivemos Columbine em Littleton, CO, onde dois jovens avançaram metodicamente de sala em sala, executando colegas seus da escola secundária, especialmente os que professavam ser Cristãos. Se eu fosse um apostador, apostaria que não passou pela mente a nenhuma das vítimas ou seus familiares que aquele seria o seu último dia na terra. Duvido que algum deles tivesse acordado e dito que aquele seria um bom dia para ir às aulas e ser alvejado.  

Nestas ocasiões, uma das primeiras questões que vem à mente das pessoas é a seguinte: Onde estava Deus em tudo isto? Se Deus existe e controla, porque é que estas coisas acontecem? O argumento é algo assim: ou Deus é bom mas é impotente e não controla, ou é omnipotente mas é tudo, menos bom. Ele não pode ser simultaneamente bom e poderoso; de outra forma estas coisas não aconteceriam.  

Em resposta aos que colocam a questão, “Onde estava Deus?”, eu diria que a questão não é onde estava Deus, mas onde estava Darwin. Sim, onde estava Darwin? Com Darwin significo a filosofia Darwinista e o humanismo secular. Eu sei onde Deus estava, mas onde estava Darwin? Isto porque parece-me que este massacre não é falha da parte de Deus, mas falha da parte do humanismo secular.  

O Salmista diz-nos algo sobre onde Deus estava durante esta tragédia (Sal. 139:7-12).  

“Para onde me irei do Teu espírito, ou para onde fugirei da Tua face? Se subir ao céu, lá Tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que Tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a Tua mão me guiará e a Tua destra me susterá. Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim. Nem ainda as trevas me encobrem de Ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para Ti a mesma coisa”.  

Onde esteve Deus durante este acto perverso inexplicável? Ele esteve ali durante o tempo todo, e foi um conforto na medida que as pessoas permitiram que fosse. Mas nós ainda ficamos com a perturbante questão do porquê. Porque é que estas coisas acontecem na nossa sociedade?  

Déjà Vu (Já visto): Em 1968, as condições no país eram assustadoramente semelhantes às que hoje encaramos na nossa nação. Estávamos no meio de uma guerra impopular. O país estava dividido politica, cultural, e moralmente. Os jovens Americanos estavam a regressar à Pátria dentro de sacos negros. Os índices de popularidade do Presidente Johnson situavam-se em duas categorias: baixo e muito baixo. Robert (Bobby) Kennedy estava na corrida à presidência, e num discurso, dado em resposta a uma solicitação do presidente para o aumento de efectivos militares, Kennedy questionou a sabedoria de se enviar mais tropas para o Vietname. A seguinte citação é parte final do seu discurso:  

“Vós sois o povo, como disse o Presidente Kennedy, que tem ‘o menor vínculo ao presente e o maior vínculo ao futuro’. Encorajo-vos a aprender os duros factos que se ocultam por detrás da máscara da ilusão oficial com que temos escondido as nossa verdadeiras circunstâncias, mesmo de nós próprios. O nosso país está em perigo: não apenas diante de inimigos estrangeiros; mas acima de tudo, ante as nossa políticas transviadas – e o que estas podem fazer à nação que Thomas Jefferson nos disse uma vez que era a última, melhor esperança do homem. Há uma contestação, não do governo da América, mas do coração da América ... Peço-vos que avanceis e executeis novas políticas – façais uma mudança na nossa direcção – e assim restaureis o nosso lugar na liderança moral, no nosso país, nos nossos corações, e em todo o mundo à nossa volta.”  

Palavras ousadas. A última, melhor esperança do homem. Uma pessoa só pode interrogar-se sobre onde teria ele levado o país se não tivesse sido assassinado. Todavia eu não necessito de me interrogar sobre a espécie de país idealizado por aqueles que ouviram as suas palavras naquele dia, pois é essa geração que está entre a elite governativa; desde os átrios do Congresso às salas de aula das escolas.  

Eu não sei o que Bobby Kennedy tinha em mente quando ele citou Jefferson; mas eu sei o que os seus seguidores têm feito com o país. A primeira coisa que fizeram foi  

Remover Deus das salas de aula: É irónico que quando a tragédia assola, as pessoas comecem a questionar sobre onde está Deus, ou porque é que Ele permite que uma determinada tragédia aconteça. Elas tratam Deus como Super-Homem, esperando que ele se mantenha escondido até que precisem dele, até ao momento em que ele surge da cabine telefónica para o resgate. Deus não é um Deus que força. O amor não força. E Deus não Se impõe a qualquer indivíduo ou sociedade. Ao remover Deus das salas de aula e ao colocar Darwin no Seu lugar, a América removeu a fundação moral da nossa sociedade. Ao remover Deus e a Sua Palavra, ganhámos uma geração inteira que tem crescido sob o relativismo moral; isto é, deixou de haver absolutos morais. Quando não se tem nenhum absoluto moral, então deixa-se de ter certo ou errado, nada que seja intrinsecamente bom ou mau.  

Em 1987, Allan Bloom escreveu um livro intitulado O ENCERRAMENTO DA MENTE AMERICANA.[1] Na introdução, ele escreveu, “Se há coisa que um professor universitário tem como dado adquirido é que todos os seus alunos crêem, ou a pensa que crêem, que toda a verdade é relativa” (É interessante como Bloom usa um absoluto para apoiar o relativismo). Um simples olhar para os rostos daqueles jovens em Virgínia Tech revela quão errado Bloom estava. Pelo menos naquele dia, eles não foram relativistas morais. Há um sentido inato, moral que nos diz que certos actos são maus, independentemente do quanto se tente negar a existência do mal. O acto de violência perpetrado sobre os seus colegas e professores forçou-os a confrontar a face absoluta do mal. Ninguém pode dizer que esta espécie de mal é culturalmente relativa; ou seja, é mau aqui mas não ali.  

No website da Virgínia Tech, verifiquei que eles não oferecem cursos de teologia ou religião. Todas as ciências estão representadas. Há um departamento de filosofia, um departamento de psicologia, mas nada sobre Deus ou a Bíblia. Nenhum daqueles estudantes mereceu o que lhes aconteceu. Mas pensei que foi revelador o facto dos dois primeiros homicídios terem ocorrido num dormitório misto. Se temos grandes universidades na América em que não há nada de moralmente errado no facto de rapazes e raparigas solteiros partilharem o mesmo dormitório, então temos uma crise moral; e creio que temos apenas acabado de ver a ponta do iceberg.  

O Salmista apresentou isto melhor no Salmo 53:1: “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, e cometido abominável iniquidade; não há ninguém que faça o bem”. E Paulo reflecte em Gálatas 6:7: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. Apesar de alguns poderem sugerir que Virgínia Tech é a prova de que Deus está a julgar a América pela sua maldade, sob a Graça cremos que estamos simplesmente a ceifar o que temos semeado. A América tem estado a semear a semente da filosofia Darwinista durante, pelo menos, os passados 150 anos, e nós agora estamos a colher a tempestade.  

Portanto, o primeiro passo que conduziu à Virgínia Tech foi a remoção de Deus das salas de aula. O segundo passo, que já aludi, e que devemos considerar, foi o facto de eles não só terem removido, mas terem substituído Deus por Darwin. O que quero dizer com isto é que nas escolas Americanas, nos media, no governo e em quase toda a vida pública Americana, Deus, e especialmente o Cristianismo baseado na Bíblia, tem sido sistematicamente atacado e, por fim, removido. O resultado é a perda de uma bússola moral e da distinção entre o certo e o errado.  

Segundo o www.marketreasearch.com, as crianças Americanas vêem, em média, 8.ooo assassínios e 100.000 actos de violência antes de concluírem o ensino básico. Darwin ensinou que apenas os mais aptos sobrevivem e que a natureza é moralmente neutra. Quando se remove Deus e se O substitui pelo relativismo moral do humanismo secular, adiciona-se constante exposição à violência, e criam-se monstros como Jeffery Dahmer, e assassinos de massas como Cho Seng Hui. Quando se remove a influência retentora do Cristianismo, a ética de Jesus Cristo nos Evangelhos e de Paulo nas suas epístolas, obtém-se uma geração inteira vítima de lavagem cerebral que acredita que, em si mesmo, nada é certo ou errado.  

Se se matar uma criança antes de nascer, isso não é moralmente errado, mas escolha; se se esmagar o seu crânio e se extrair o seu cérebro, isso é proteger os direitos reprodutivos da mãe. Se se ajudar o velho Tio Homer a suicidar-se, isso chama-se misericórdia.  

Quando se estende a filosofia do humanismo secular à sua conclusão lógica, obtém-se uma sociedade em que a vida não tem qualquer valor, e o caos reina. Para se impedir que a sociedade impluda, esta exige cada vez mais leis. Não foi muito depois do massacre que o lobby anti-armas apareceu na televisão. “Se tão-somente tivéssemos leis rígidas para o armamento, isto não teria acontecido”.  

Se este rapaz já violou tantas leis, o que faz com que o humanista pense que acrescentar ainda mais leis estancará a onda de violência? A única esperança para a nossa sociedade na dispensação da Graça é o Corpo de Cristo levantar-se e colocar-se na lacuna existente para estancar a vaga de maldade da nossa sociedade. A nossa forma de governo não foi criada para o ateu; nunca funcionará fora de uma perspectiva e moldura bíblicas. Paulo torna claro em Gálatas que nenhuma lei, esteja ela escrita em tábuas de pedra ou papel, pode forçar uma pessoa a actuar moralmente. Só uma vida guiada pelo Espírito, pode esperar crucificar a carne e andar pelo Espírito. Como se vê, legislar a moralidade não é a resposta – Cristo é a resposta!  

Só porque estamos no edifício de uma igreja não nos torna imunes. Lembremo-nos do tiroteio numa reunião de igreja realizada num Motel em Brookfield; ou do tiroteio numa igreja em Milwaukee no ano passado.  

Eu ouvi o vociferar de Cho Seng Hui na Internet. Era óbvio que ele tinha chegado ao ponto onde a vida não tem mais valor, nem a sua nem a dos que ele achava serem a fonte do seu sofrimento. Ele era um marginal social que planeou antecipadamente os assassínios. Não tinha passado muito tempo depois da NBC ter lançado para o ar a gravação deste atacante errante quando alguns vieram para a televisão desculpar o seu comportamento baseando-se em doença mental ou desequilíbrio químico. A única palavra que foi marcadamente ausente foi a palavra “mal, ou maldade”. Na ausência de um Deus transcendente, na ausência de um modelo exterior, não se pode chamar a estes assassinos de maus. No naturalismo Darwinista o mal não existe. Chamam-no de verdade inconveniente; chama-no de tragédia para os estudantes e suas famílias; mas não se pode chamar de mal. O mal implica a existência de um bem transcendente, e quando se substitui Deus por Darwin, perdem-se todos os modelos de bem absoluto e fica-se à deriva num pântano de relativismo moral.  

Pergunto novamente, onde estava Darwin na Virgínia Tech? A América removeu Deus das salas de aulas, substituiu Deus por Darwin, e perante um assassino de massas, Darwin era M.R.I (Mestre em Relações Internacionais ).  

Posso sugerir que só o Cristianismo explica a nossa infracção moral?[2] Explica-se pelo facto de termos sido criados à imagem de Deus e de termos em nós uma consciência do que é certo e do que é errado moralmente. Paulo escreve em Romanos 2:14,15 a respeito dos Gentios que não tinham a Lei escrita: “Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os” (Rom. 2:14,15).  

O Cristianismo também explica o nosso desejo de justiça. Sabemos que algumas coisas são moralmente erradas e são merecedoras de castigo. Queremos causar uma forte impressão suficiente sobre os culpados para que eles (ou os que observam o caso) não o repitam. A Bíblia tem mais de uma centena de versículos que usam a palavra “justiça”; Deus está muito interessado na justiça.  

Actos 17:31: “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do Homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-O dentre os mortos”. A palavra Grega para justiça neste contexto é “equidade” ou “juízo justo”.  

Para além da infracção moral e do desejo de justiça, o Cristianismo oferece esperança. Mesmo nas piores situações, a pessoa que tem recebido a graça de Deus na salvação tem a esperança de um futuro em que a morte não tem qualquer lugar. No Novo Testamento, a esperança é apresentada como a certeza do futuro. Nós temos a esperança da vida eterna – daquela vida que não tem qualquer espaço para a morte – pela ressurreição de Jesus de entre os mortos.  

O Apóstolo Pedro escreveu, “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1 Pedro 1:3). Jesus provou que quebrou a influência da morte por meio da Sua própria morte na cruz, libertando-Se da sepultura e aparecendo vivo a centenas de pessoas. Porque Ele ressuscitou e conquistou a morte nós, que confiamos n’Ele, também o faremos.  

E, como diz o Inglês, “eis agora o busílis”. Só os que têm aceite Jesus Cristo como seu Salvador têm essa certeza. Nós deixamos ao Deus cheio de misericórdia o destino eterno do indivíduo – salvo ou não. Não tenho como satisfazer a curiosidade de saber se alguém alguma vez falou de Jesus Cristo ao assassino. Imaginemos quão diferentes as coisas poderiam ter sido hoje se ele se tivesse tornado Cristão há anos atrás.  

Assim vemos a inevitável espiral de maldição que conduziu a esta tragédia. Deus foi expulso das salas de aulas e foi substituído por Darwin. E onde é que Darwin estava naquele dia? Ele estava claramente ausente quando os estudantes saltavam pelas janelas; quando os seus colegas estavam a ser assassinados; e quando os gritos dos feridos ecoavam pelo edifício.  

Além dos estudantes e da universidade, morreram mais quatro coisas em Virgínia Tech , pelo menos naquele dia. [3]  

O secularismo morreu. Até a universidade realizou um serviço religioso, tendo convidado toda a espécie de representantes religiosos que puderam imaginar. Darwin esteve claramente ausente.

A segunda coisa que morreu foi o optimismo cego. A ideia de que os seres humanos estão a tornar-se cada vez melhores. Em nós ainda existe capacidade para fazer um mal tremendo. Darwin esteve claramente ausente.
A terceira coisa que morreu foi o eufemismo. Tentar chamar ao que ocorreu uma coisa diferente do que aconteceu. Um bom exemplo de eufemismo secular é chamar ao assassino de Virgínia Tech um jovem perturbado. De facto era, mas o que ele fez foi maldade absoluta em qualquer padrão decente. Darwin esteve claramente ausente.
A última vítima de Virgínia Tech foi o relativismo. Todos os professores relativistas moralmente daquele campus, que ensinavam que a moralidade é relativa à cultura ou à situação, foram silenciados naquele dia. Olhemos para as faces inundadas de lágrimas dos estudantes no campus. Se eram relativistas morais, já não o são mais. Eles não dirão mais que o que aconteceu não era errado, ou que poderia estar certo se acontecesse noutra cultura, e oh, é verdade, Darwin esteve claramente ausente.
Gostaria de dizer que o nosso país aprendeu finalmente a dura lição de se abandonar a perspectiva bíblica do mundo, mas não sou optimista a este ponto. Não encontrei um perito secular que apelasse a um retorno à sociedade sã baseada na Bíblia. Onde estava Darwin na Virgínia Tech? Ele e os seus seguidores ficaram de fora, vendo como a sua filosofia estava falida. Que Deus conforte as famílias daqueles pobres jovens, e que ajude a América a voltar às raízes Cristãs, e nessa senda ajude a impedir o surgimento de mais Virginias Tech.

Sermões e Estudos

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