Santo Al

 

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     Há alguns anos atrás, quando eu servia o Senhor na Igreja Bíblica Kettle Moraine, recebemos um telefonema de uma mulher que dizia que o seu irmão Al havia recebido um diagnóstico de cancro terminal, e ele estava de visita a sua casa. Ela perguntou se eu me encontraria com ele porque ele tinha perguntas sobre o que acontece depois da morte. Nós fizemos planos para nos encontrarmos na manhã seguinte.

     A minha primeira impressão de Al foi que se poderia dizer que ele tinha vivido uma vida desregrada. Ele tinha uma voz enrouquecida devido a ter fumado durante anos e ao seu cancro de garganta. Al também tinha uma linguagem muito "sui generis". Quase todas as frases tinham um ou dois palavrões. Ele usava palavrões de forma que eu nunca ouvi antes! Nós sentámo-nos e Al começou a contar-me a sua vida. Ele havia trabalhado durante anos a viajar, realizando divertimentos, montando e desmontando as estruturas colocadas nas feiras em todo o estado de Wisconsin. Ele contou-me as suas aventuras. Ele nunca se fixou. Ele vivia árdua e velozmente. Al sabia que ele era pecador. Ele contou-me tudo isso em detalhes.

      Al era simpático e muito honesto. Ele foi frontal e direto e disse que sabia que iria morrer e que estava com medo de passar a eternidade no inferno, ardendo ali em tormento para sempre. Gostaria que houvesse um número maior de pessoas como Al que estivessem preocupadas com o seu destino eterno. Al também não acreditava que Deus não o enviasse para o inferno por causa de todas as coisas que ele disse ter feito.

     E não precisei de convencer Al de que ele era um pecador que precisava de um Salvador. Ele sabia que era pecador. Eu falei-lhe da graça de Deus para com ele, dizendo-lhe que Deus poderia salvar qualquer um, que ninguém está fora do alcance da graça de Deus, independentemente do que tivesse feito. Eu disse-lhe que Cristo morreu pelos seus pecados e ressuscitou, que a Sua obra consumada e o Seu sangue derramado eram mais do que suficientes para pagar a pena por cada um dos seus pecados, e que somos salvos do inferno, perdoados dos nossos pecados e brindados com um lar no Céu pela fé somente no que Cristo fez por nós. Ele fez muitas objeções e achou isso difícil de acreditar. Conversámos muito. No final da nossa conversa, dei-lhe um folheto evangelístico e uma Bíblia. Pedi-lhe para que lesse o folheto e encaminhei-o para Efésios e Filipenses a fim de ler a Bíblia.

     Nós pedimos à igreja para orar por Al, e a nossa família também estava em oração por ele. Al ligou-me alguns dias depois. Perguntei-lhe logo sobre o que tinha achado do folheto evangelístico. Ele disse-me prontamente: "Sim, li-o algumas vezes. Eu cri no que diz. Agora tenho algumas perguntas da Bíblia para si.” Ele ainda achava difícil de crer que a salvação poderia ser tão simples, e que ele poderia ser salvo apesar de tudo o que tinha feito. Ele queria obter a certeza pelas Escrituras. Então falámos sobre Efésios 1:13, Colossenses 3:3 e outras porções das Escrituras.

     A partir de então Al ficou repleto de respostas da Bíblia. Nós falámos várias vezes ao telefone, trocámos mensagens, etc.. Passámos a encontrar-nos ora no restaurante George Webb, ora na casa da sua irmã para debater as suas questões. As perguntas dele abordavam sempre a segurança da salvação e como era possível que Deus poderia salvar alguém como ele. A graça de Deus maravilhava Al, como deveria maravilhar-nos a todos nós. Muitas vezes, a nossa luta com a ação evangelística é que as pessoas não pensam ser más. Chamar as pessoas de pecadoras ofende-as, não vendo a necessidade de um Salvador nem da graça de Deus.

     Al falava frequentemente sobre seu passado porque não conseguia entender como Deus poderia aceitá-lo. Eu contei-lhe do apóstolo Paulo, como ele havia vivido como blasfemo e perseguidor da Igreja e era o "principal" dos pecadores antes de ser salvo (1 Tim. 1:15), e de como ele foi salvo pela misericórdia e graça de Deus e está agora no Céu. Em outra visita, eu contei-lhe do malfeitor na cruz, e de como o malfeitor não tinha vivido uma vida boa, mas como Cristo perante a sua fé n’Ele lhe disse: "Hoje estarás comigo no paraíso" (Lucas 23:43).

     Al lutou com o conhecimento de qual seria o propósito de Deus para a sua vida. Eu falei-lhe do filho pródigo em Lucas 15, e de como o pai naquela parábola é como Deus o Pai, que espera, procura e deseja que os pecadores perdidos, como o pródigo, voltem para casa (Lucas 15:20). Alguns chegam a casa a tempo, outros nunca regressam. Eu disse-lhe que o propósito de Deus para todos nós, em primeiro lugar, é que nós sejamos salvos, ao aceitarmos o dom gratuito da Sua salvação (1 Timóteo 2: 4). Eu disse a Al que ele garantiu a tempo ao lar celestial porque ele confiara em Cristo como seu Salvador.

     Num domingo Al foi à igreja, com sua irmã Arlene, e significou muito para ele a igreja tê-lo aceite exatamente como ele era, sem perguntas. Quando a saúde de Al se deteriorou, ele foi para casa de outro membro da família no norte de Wisconsin. Com seu cancro de garganta, tornou-se-lhe cada vez mais difícil falar, por isso passei a receber ocasionalmente dele textos com mais perguntas sobre a Bíblia. Até que um dia, recebi um texto de Arlene informando-me que Al havia falecido.

     Umas semanas depois, do nada, recebi uma chamada da sua irmã. Ela contou-me como Al testemunhava das coisas da Bíblia com os seus amigos e familiares, alguns dos quais eram ateus. Mas depois de Al lhes testemunhar, eles deixaram o ateísmo. Esses amigos e familiares começaram a testemunhar aos seus amigos e familiares. Esta notícia veio como uma surpresa. Eu não fazia ideia! Arlene disse-me que no dia em que Al faleceu, ele estava sentado numa cadeira, e que de repente ele deu uma palmada com as mãos nos seus joelhos e disse: "Eu vou para casa!" Ele levantou-se e caminhou dizendo: "Eu vou para casa!" A seguir, deitou-se, adormeceu e, pouco depois, ele "foi para casa".

     Quando pensei em denominar este artigo de "Santo Al", tal fez-me rir. Durante a maior parte da sua vida, Al foi tudo, menos o que as pessoas chamam de "santo". Mas, uma vez que Al confiou em Cristo como seu Salvador, ele tornou-se num verdadeiro santo naquele instante (1 Cor. 1: 2). Santo Al é um testemunho da vida real da graça de Deus e do "poder de Deus para salvação de todo aquele que crê" (Romanos 1:16).

- Kevin Sadler

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