Conhece Sami Dagher, o amigo de Franklin Graham, libanês,que nunca abandonou a igreja em Beirute sob as mais difíceis circunstâncias

Franklin Graham, Sami Dagher e Ravi Zacharia

 

     Sami Dagher (na foto acima, ladeado por Franlklin Graham e Ravi Zacharias), uma referência como Homem de Deus, é um dos melhores amigos de Franklin Graham. No seu livro "O Filho Rebelde de Billy Graham", livro em que Franklin Graham conta a sua conversão e primeiros passos da sua vida Cristã, ele conta igualmente como conheceu Sami Dagher, dando a conhecer algumas experiências conjuntas imperdíveis passadas por ambos em Beirute.

     A montruosa explosão registada em Beirute há dias, em 04 de agosto de 2020, atingiu e danificou as instalações da igreja onde se reúne Sami Dagher. O ministério de socorro a catástrofes, a Bolsa do Samaritano, onde Franklin Graham é um dos servidores, uma vez mais socorre em Beirute as vítimas e a igreja do seu amigo de longa data, Sami Dagher. Vem a propósito conhecer quem é este homem de Deus através dos excertos do livro de Franklin Graham acima mencionado.

     Apesar de longa, verá que dará por bem empregue o tempo despendido para conhecer parte da história apaixonante deste dois homens que têm procurado servir e honrar a Deus de forma exemplar e impactante. Depois de ler estes testemunhos decerto que não ficará indiferente.

 

Sami Dagher com Franklin Graham ainda descrente

     Franklin Graham explica como conheceu este crente libanês em Beirute, quando Franklin ainda era descrente.

     Quando Franklin ainda era descrente fez uma viagem ao Médio Oriente e um dia foi a Beirute pois dizia ele, era uma cidade famosa, conhecida como a Paris do Médio Oriente,  hospedou-se no Hotel Fenícia. Agrada-lhe a ideia, confessou ele, de conhecer as praias libanesas e os biquínis.

     Ao fazer o registo no Hotel ele perguntou ao rececionista por Sami Dagher, um amigo de um crente que o tinha dado como referência se fosse a Beirute. Franklin só o conhecia pelo testemunho que o seu amigo Roy Gustafson lhe dera. 

     Conhece-o? - perguntou o recepcionista.

     Sim, de certa forma, disse Franklin. Embora só o conhecesse pelo que Roy lhe falara dele, pareceu-lhe boa ideia mencioná-lo.

     Se é amigo de Sami, far-lhe-ei um desconto na sua diária, disse o recepcionista com um sorriso.

     Agradeci-lhe e fui direto para o bar. Já que havia consegui­do um desconto na diária do quarto só por citar o nome de Sami, dirigi-me ao balcão do bar e disse ao barman:

     Estou à procura de um bom amigo meu, Sami Dagher. Sabe onde posso encontrá-lo?

     Ele está fora da cidade, mas se é amigo do Sami - insistiu – faço-lhe um desconto.

     Embora eu nunca tenha conhecido o Sami, eu estava a começar a pensar nele como um dos meus melhores amigos! Concluí que Sami devia ser uma ótima pessoa. Esperava poder conhecê-lo um dia.

     Passei vários dias em Beirute, especialmente aproveitando a vida noturna da reluzente cidade. Fiz longas caminhadas, vendo todos os pontos turísticos e os clubes mais populares.

     Depois regressei à Jordânia, mas ocasional­mente passava o fim de semana em Beirute, que era a cidade mais próxima, onde podia comprar cerveja e cigarros americanos.

     Numa destas viagens de final de semana, eu estava determinado a encontrar o famoso Sami Dagher, de quem Roy Gustafson tanto falava. Além do mais, eu havia usado o seu nome para conseguir descontos no hotel. Pensei em ao menos parar para me apresentar.

     Ao registar-me no Hotel Fenícia, nesta viagem a Beirute, a noite era ainda uma criança, e eu queria encontrar Sami.

     Perambulei pelo salão do café e encontrei uma mesa vazia. A época alta estava quase no fim, e não haviam muitas pessoas no hotel. Ao sentar-me, notei um homem de pele escura do outro lado do salão. Ele sorria enquanto acomodava os clientes. O seu gracioso comportamento fez-me pensar que aquele deveria ser o Sami, a quem Roy havia descrito tão detalhadamente.

     Fumei um cigarro e aguardei.

     Está tudo a seu gosto? - perguntou-me uma voz gentil. O gerente colocou-se diante da minha mesa.

     Sim, senhor - respondi.  É o Sami Dagher, não?

     Sim, sou eu - disse ele timidamente. - Quem é o senhor? Acho que não nos conhecemos.

     Sou amigo do Roy Gustafson.

     Roy! Como está o meu querido irmão Roy? - O grande sorriso no seu rosto demonstrava os sentimentos de Sami por Roy.

     O Roy está bem - respondi.

     Sami sentou-se. Ele queria saber notícias do Roy e saber o que é que eu estava a fazer no Médio Oriente. Não demorou muito para parecer que já nos conhecíamos há muito tempo. Nunca mais visitei Beirute sem planear ver o Sami. Não precisei de mentir mais ao chegar no Hotel Fenícia e sentar-me no bar, usando o nome do Sami para conseguir um desconto. Sami Dagher era realmente meu amigo.

     Eu tinha ido à Jordânia por razões egoístas - aventura, emoções, e um escape para fugir aos estudos - mas Deus tinha outros planos em mente.

 

Conversão de Franklin Graham e Bolsa do Samaritano

     Entretanto Franklin Graham converte-se verdadeiramente em julho de 1974, casa-se com Jane Austin em 14 de agosto de 1974 e conhece um velho amigo do seu Pai, Billy Graham, com o qual passa a conviver. Trata-se de Bob Pierce, fundador da Bolsa do Samaritano. Bob entretanto adoece com leucemia e entende, perante o Senhor que Franklin é a pessoa certa para prosseguir com o ministério da Bolsa do Samaritano após a sua partida deste mundo. Em finais de 1975 fazem um périplo pelo mundo passando pelos vários locais onde a Bolsa do Samaritano estava a atuar, aproveitando Bob a viagem para discipular Franklin, especialmente explicando-lhe o que era o território divino, território da dependência absoluta de Deus, recomendando-lhe que vivesse sempre nesse território.

     Em 7 de setembro de 1978 Bob Pierce parte para o Senhor e Franklin assume por inteiro a responsabilidade da Bolsa do Samaritano. Segundo Franklin, Bob Pierce foi para ele um gigante espiritual. Depois do seu pai, Billy Graham, poucos exerceram influência sobre ele apontando-lhe o caminho a seguir, com Bob Pierce.

 

Sami Dagher com Franklin Graham após a sua conversão

     No início de 1979, telefonei para Ted Diernert e Guy Davidson para perguntar as suas opiniões sobre uma viagem minha ao Líbano e ao Sul da Ásia a favor do ministério. Eu estivera nestes lugares com Bob Pierce e conhecia as pessoas. Então disse-lhes:

     Precisamos arregaçar as mangas e fazer o trabalho da Bolsa do Samaritano.

     Eles concordaram; então fiz as minhas malas e viajei. A minha primeira paragem foi no Líbano. À medida em que o avião se aproximava de Beirute, eu ficava mais ansioso para rever o sorriso de Sami Dagher. Sami já não trabalhava mais no Hotel Fenícia. Ele havia saído antes do início da guerra para fundar uma pequena igreja em uma das áreas mais pobres da cidade. Sami havia compartilhado comigo a dificuldade que enfrentara, quando informou o administrador do hotel sobre a sua demissão para fundar uma igreja.

 

Sami Dagher deixa o Hotel e dedica-se a pregar o Evangelho

     Deus chamou-me para pregar o Evangelho - disse Sami ao administrador. Vou deixar o hotel.

     Vai sair? Você é louco. Você é um tolo! Um homem na sua posição, ganhando um bom salário, demitindo-se?

     Estou de saída por algo mais importante que dinheiro. Estou de saída para pregar em nome de Jesus Cristo.

     Vai renunciar a esta boa posição para pregar um deus? Deve estar louco. Não! Vou dar-lhe um conselho sábio: fique aqui e ganhe dinheiro, Sami. Preciso de si.

     Não, não posso mais ficar. Já orei, e é isto que tenho que fazer.

     O administrador argumentou com Sami, porém ele não cedeu.

     Então o homem ficou furioso e gritou:

     Eu amaldiçoo-o! Um dia, Sami Dagher, baterá à minha porta, implorando por um pedaço de pão, e eu não lhe darei. Deixarei que morra de fome! Ouviu o que eu disse? Nem uma migalha!

     Preciso de obedecer a Deus - disse Sami gentilmente.

     A igreja foi fundada com cinco ou seis convertidos, numa sala que media trinta metros por vinte, em Karantina, a parte mais pobre da cidade.

     A tensão entre os libaneses e os refugiados palestinianos que viviam no país cresceu sobremaneira. Haviam brigas entre os dois grupos, espalhando-se logo por toda a cidade. O afamado Hotel Fenícia estava na linha da frente entre as facções de guerra, e a cidade passava por um dos confrontos de rua mais ferozes desde a Segunda Guerra Mundial. Tijolo a tijolo começou a cair. Em poucos dias, o hotel pegou fogo e foi completamente destruído. Todos os funcionários ficaram desempregados.

     Mas, naquele exato momento, a igreja de Sami estava a crescer, e as pessoas enchiam a pequena sala, enquanto os projéteis choviam sobre Beirute. As janelas do edifício da igreja eram frequentemente atingidas por balas. Não havia local seguro.

     Em certo momento, cheguei até a procurar uma forma de levar Sami para os Estados Unidos, mas ele não abandonaria o seu país ou o seu povo.

     Franklin - disse ele -, como pode um pastor fugir, quando há lobos atacando o rebanho? Se o pastor fugir, então o rebanho será dizimado. É mais importante ficar aqui agora do que em qualquer outro momento. O meu povo precisa de mim. É muita gentileza sua, meu querido irmão, mas a resposta é não. Este é o lugar onde Deus me chamou para morar e pregar. E aqui ficarei.

 

Sami Dagher vê a chamada de Deus confirmada de forma impressionante 

     Certa noite, já bem tarde, durante uma das lutas mais terríveis, Sami ouviu uma batida à sua porta. Ele ordenou que a sua esposa e filhos ficassem na cama. Ele mesmo foi atender.

     Sami abriu a porta. Diante dele estava o ex-administrador do hotel Fenícia.

     Meu amigo, é tarde, mas por favor, entre - disse Sami. Ele pegou o homem pelo braço e levou-o para dentro de casa.

     Eu não conseguia dormir - disse o homem.

     Ele mantinha sua cabeça baixa, como se não pudesse encarar Sami.

     Eu queria ver como você estava e conversar consigo.

     Sami preparou-lhe um café e eles conversaram sobre os velhos tempos e como gostavam do Fenícia.

     Sami sentiu que seu ex-chefe e amigo viera por algum motivo específico, mas o homem não disse. Já muito depois da meia-noite, Sami finalmente disse-lhe:

     Meu amigo, é tarde. Porque veio ao meu encontro?

     Oh, por nada, Sami. Só para falar sobre os velhos tempos.

     O homem foi até à porta e abriu-a. Ao posicionar-se para deixar a casa, com sua cabeça ainda baixa, virou-se para Sami e disse:

     Não tenho comida. Não como há dois dias. Tem alguma sobra?

     Sami olhou para o homem e lembrou-se de quando foi amaldiçoado por ele - dizendo que um dia Sami bateria à sua porta, implorando um pedaço de pão, e não receberia sequer uma migalha. Agora, ali estava aquele homem, à sua frente, implorando pão!

     Senti que Deus o trouxera àquela situação – contou-me Sami.

     Ele não pediu enquanto estava sentado à mesa, ou durante a conversa. Só pediu quando estava em pé à minha porta.

     E o que fizeste, Sami? - Perguntei.

     Alimentei-o - respondeu sorrindo. Não é isto que o Evangelho nos instrui a fazer?

 

Bob Pierce e Sami Dagher, dois homens de Deus marcantes

     Ao andar pelo aeroporto de Beirute, lembrei-me da viagem em que apresentei Bob a Sami. Eu sabia que Sami agradaria a Bob, ou - como ele costumava descrever as pessoas que realmente admirava - o consideraria um homem com "coragem por Jesus". Eu estava certo. Bob gostou muito do Sami.

     Após aquela visita, Bob havia retornado sozinho, por diversas vezes, para visitar Sami. Um mês antes da sua morte, na sua última viagem para o exterior, Bob havia estado em Beirute para visitar e encorajar Sami. Ele visitou o culto de quarta-feira, na igreja de Karantina e, ao final do culto, os sírios e palestinianos começaram a atacar a parte leste de Beirute, onde as instalações da igreja e a casa de Sami estavam localizadas.

     O ataque tornou-se tão pesado que Sami decidiu levar Bob de volta ao seu hotel, na parte oeste de Beirute, que estava sob o controle da Síria, através de uma fação dissidente da OLP. A passagem da parte leste para a parte oeste era uma aventura. Eles precisaram passar por uma espécie de terra-de-ninguém.

     A leucemia de Bob estava em estágio tão avançado que ele estava numa cadeira de rodas, o que causou-lhe alguns problemas para escapar dos projéteis. Ao chegarem no hotel, o ataque tornou-se tão intenso que Sami não ousou retornar à sua própria casa na parte leste de Beirute. O hotel já estava tão lotado de pessoas refugiadas devido ao ataque que, sem reclamar, ele foi forçado a dormir no chão do quarto de Bob.

     Naquela noite aprendi como morrer - contou-me Sami mais tarde. - Ouvi Bob falar com Deus durante toda a noite, hora após hora, orando pelas outras pessoas. Ele derramou o seu coração diante de Deus em favor dos missionários em terras estrangeiras, dos pastores nacionais e os seus fardos, e pela sua família. A presença de Deus era tão real naquele quarto, que não consegui fechar os olhos. No meio da preocupação pela segurança da minha família, senti paz. Deus cuidaria deles. Enquanto prestava atenção às primeiras horas da ma­nhã, aprendi como enfrentar a morte e não temer.

     A igreja de Karantina havia se tornado num projeto muito especial para Bob e a Bolsa do Samaritano. Enquanto as vidas das pessoas eram assoladas pela guerra, Sami e os crentes na sua igreja alimentavam e vestiam os refugiados. Enquanto prestava socorro, Sami apresentava a esperança do Evangelho de Jesus Cristo. Muitos aceitaram, e a igreja de Sami prosperou.

     Hoje, a igreja em Karantina é uma das maiores igrejas bíblicas do Líbano, e iniciou várias outras congregações. E Sami permanece firme, pregando o Evangelho, dando o Pão (da vida) a todos os que O buscam.

     Se socorremos as pessoas sofredoras com alimentos e cuidados médicos e depois vamos embora, o que realmente fizemos por elas? Provavelmente voltarão a ficar famintas e doentes amanhã. A melhor coisa que posso fazer por elas é apresentar-lhes Jesus Cristo. Então elas terão esperança real para lidar com as frequentes dificuldades e tragédias reais da vida.

 

Franklin Graham, a Bolsa do Samaritano, Sami Dagher e a igreja em Beirute

     Continuei a visitar Sami Dagher no Líbano e a apoiar os seus esforços para aliviar o sofrimento ao seu redor.

     Foi difícil aceitar que aquela moderna e sofisticada Beirute, outrora a joia do Médio Oriente, havia praticamente se transformado num monte de entulho.

     No início da década de 1980, muitos radicais muçulmanos estabeleceram as suas bases em Beirute. Grupos famosos, como a OLP e o iraniano Hezbollah, e outros grupos não tão famosos, faziam o seu trabalho sujo bem no coração desta cidade outrora linda. As paixões de todas estas facções eram impulsionadas pelo islamismo, pela aversão a Israel e por uma desconfiança mútua entre eles e os Cristãos.

     Sami vivia nesse mar de discórdia. A despeito dos perigosos obstáculos que enfrentava diariamente, a sua fé fortaleceu-se e o seu testemunho solidificou-se.

     Sami era apoiado a cada passo pela sua esposa, Joy. Ele nunca parecia desanimar, e atendia prontamente a cada pessoa que batia à sua porta.

     Sami desencorajou-me de ir ao Líbano durante os momentos de lutas intensas, por medo que eu pudesse ser sequestrado e mantido como refém. Sami sabia que, quando um libanês era sequestrado, o propósito era algumas vezes por dinheiro, mas outras vezes era a vingança. Para humilhá-los, os sequestradores cortavam o corpo da vítima em vários pedaços e enviavam-nos para a sua família.

     Devido aos testemunhos arrojados de Sami, ele sabia que possuía alguns inimigos - na verdade, poucos. Sami contou-me, anos mais tarde, que o seu maior medo durante a guerra era o de ser sequestrado. Todas as manhãs, Sami saía de casa ciente de que poderia nunca mais ver Joy novamente.

     Em toda aquela adversidade, Sami tinha uma obsessão pelo Evangelho, uma característica que me fazia lembrar o meu pai. Estes dois homens possuíam uma mensagem, e apenas uma mensagem: Jesus Cristo e a Sua crucificação (1 Cor 1.12).

     Sami contou-me que havia enfrentado este profundo medo face a face quando, certa vez, estava a subir as montanhas que cercam Beirute, para um estudo bíblico.

 

Sami Dagher sequestrado 

     Franklin - disse ele -, notei que, repentinamente, uma motocicleta começou a se aproximar. O motoqueiro  apontou-me uma arma e sinalizou para que eu o seguisse. Fiquei inquieto quando saímos da estrada principal e fui levado a um edifício desconhecido, numa área isolada. Após alguns minutos, encontrei-me preso dentro de um quarto sujo e escuro. As minhas mãos tremiam pelo terrível medo que eu estava a sentir. Fiquei sobressaltado quando um outro grupo de homens armados quase colocaram a porta abaixo e rapidamente me despiram, fazendo uma revista. A única coisa que encontraram foi o Novo Testamento no bolso do meu casaco.

     Mas quando viraram-se para sair, fiquei surpreso ao ver que ele ainda estava lá. Após eles saírem, segurei firme a Palavra de Deus nas minhas mãos, mas estava com muito medo para a conseguir ler. As palavras apenas atingiam os meus olhos, enquanto a minha mente, confusa, tentava perceber o que estaria a acontecer comigo. Será que as partes do meu corpo seriam enviadas à Joy, como os terroristas costumavam fazer com as suas vítimas? Como Cristão, achei que o meu fim estava próximo, e o meu único recurso naquele momento era orar. Era um quarto silencioso e frio, por isso, orei em voz baixa ao Senhor. Uma tremenda sensação de paz encheu todo o meu ser. Quando consegui me recompor, abri as Escrituras e comecei a ler as promessas do meu Salvador. Senti a força do Senhor sobre mim. Então ouvi passos no corredor. Eu estava determinado a viver estes últimos momentos para a Sua glória. Quando o homem entrou no quarto, eu sabia ser aquele o momento decisivo da minha vida. Um homem escoltou-me até outro aposento para o interrogatório. Os interrogadores entraram, e eu estava decidido, em nome de Jesus, a não me curvar, e, sim, confrontá-los corajosamente.

     Quem é você? - eles perguntaram.

     Sou um servo do Senhor Jesus Cristo - respondi.

     Aqueles homens ficaram atónitos. Eles não estavam acostumados a este tipo de resposta. Durante alguns momentos, apenas ficaram a olhar-me! Eu tinha plena convicção e confiança em Deus: eles não iriam sequer tocar em mim. Eles perguntaram porque eu não usava as roupas apropriadas para um pastor.

     Não quero ser diferente do meu povo. Quero ser identificado com o seu sofrimento e miséria.

     Os guardas fizeram sinal para que eu os seguisse por um corredor, e apresentaram-me ao seu comandante. Ele olhou para mim insolentemente e começou o interrogatório.

     Só responderei a perguntas sobre o Senhor Jesus Cristo, a minha igreja e a minha família - disse com convicção.

     Não tenho qualquer outra coisa a dizer. Não sou uma figura política; represento o Rei dos reis e Senhor dos senhores, e vocês não têm qualquer autoridade sobre mim.

     O oficial estava visivelmente abalado, e as suas mãos tremiam quando deixou o aposento. Eu tive fé na proteção divina, mas ainda pensava sobre o que iria acontecer a seguir. Enquanto aguardava ali, em pé, contemplando o resultado das minhas ações, a porta rangeu ao abrir, e o oficial comandante apareceu diante de mim.

     Você está livre para partir - disse ele calmamente.

     Não, não antes de ver o homem que me capturou.

     O oficial ficou atordoado e sem palavras. Ele finalmente disse:

     Por que você faz tanta questão?

     Não sairei daqui até ver o homem que me sequestrou por engano!

     Eu estava pensando no que o apóstolo Paulo fez em Filipos:

     “Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte” (Fil. 1.20). O homem saiu da sala com o olhar envergonhado, deixando-me sozinho. Orei, pedindo a direção de Deus. Quando o comandante retornou, levou-me para fora, onde havia luz. Estavam ali os meu raptores, ao lado do meu carro. Fui até cada um deles e estendi a minha mão, dando a cada um deles o tratamento bíblico. Entrei no meu carro e fui-me embora. Nunca me senti tão livre quanto naquele momento!

     Sami é um homem corajoso! Fiquei a pensar em qual teria sido minha atitude se isto houvesse acontecido comigo, e o comando dissesse que eu estaria livre para partir. Acho que teria saído daquele local tão rápido quanto o Papa-léguas, deixando para trás apenas um rasto de poeira.

 

Crescimento da igreja em Karantina

     Os nossos contribuintes amavam Sami e faziam generosas contribuições para a obra no Líbano. Um projeto importante foi o da igreja em Karantina. Encorajei Sami a comprar o prédio da igreja que ele alugava, e também uma propriedade adjacente. Durante a guerra, a propriedade fora muito útil. Achei que seria uma grande confirmação para toda a comunidade que, com ou sem guerra, a igreja de Sami permaneceria. Se as várias facções de guerra possuíam o seu território, a sua propriedade e prédio para sediar as suas operações, porque não levantar o estandarte de Cristo?

     Como sempre, Sami respondeu bem ao desafio. Ele e os crentes fiéis da igreja em Karantina expandiram o seu território na cidade. Eles abriram um café, uma fábrica de roupas, um centro de distribuição (que agora emprega muitos refugiados) e uma clínica médica que cuida de milhares de pessoas anualmente. E um passo ainda mais ousado - o estabelecimento de uma escola bíblica nessa área do mundo dominada pelos muçulmanos.

 

Franklin Graham e Sami Dagher sob tiros e explosões para ajudar a igreja em Beirute

     Eu estava no meu escritório, quando Sami telefonou.

     Tens de vir, meu irmão. Tens de ver com os teus próprios olhos.

     Estávamos no final do mês de junho de 1982. Os israelitas tinham invadido o Sul do Líbano em 6 de junho; o seu objetivo era encontrar e destruir as fortalezas dos terroristas da OLP que haviam atacado civis no Norte de Israel durante anos. Sami viu uma tremenda oportunidade para pregar o Evangelho.

     Milhares de refugiados estão a sair do Sul do Líbano e indo para Beirute, em direção oposta ao avanço do exército israelita - contou Sami pelo telefone. – Tens de vir, Franklin.

     Concordei em fazer a viagem. O problema era: como chegaria a Beirute? O aeroporto estava destruído, e eu não poderia ir por Damasco. Prometi a Sami que chegaria o mais breve possível.

     Apenas alguns dias antes, algumas pessoas que eu conhecia na Operation Mobilization (Operação Mobilização - OM) contaram-me sobre o seu trabalho no Norte de Israel e no Sul do Líbano. Eles haviam pedido que eu lhes fizesse uma visita. Talvez a Bolsa do Samaritano pudesse fornecer alguma ajuda financeira para o seu o ministério.

     Telefonei aos membros da OM, em Israel e contei-lhes sobre o meu dilema. Eu queria entrar em Beirute, mas não sabia como fazer isto em plena guerra.

     Voe até Tel Aviv, e apanhá-lo-emos no aeroporto - disse um dos representantes da OM.

     Conhecemos o comandante israelita em Matula, que fica na fronteira entre Israel e o Líbano. Os israelitas enviam vários comboios de munições para o Norte. Acho que não teremos problemas se o colocarmos num dos comboios até Sidom.

     Se eu conseguir chegar a Sidom, poderei pedir ao meu amigo de Beirute que me encontre lá - disse a ele.

     A propósito - disse ele -, enquanto em Sidom, será que poderia parar para ver o nosso trabalho de auxílio nos campos para refugiados palestinianos? Os nossos obreiros estão desanimados. A sua visita os animaria.

     Assegurei-lhe que iria.

     Telefonei ao Sami e perguntei:

     Podes encontrar-me em Sidom, depois de amanhã?

     Será à tarde, por volta das 16 horas. Podes ir lá?

     O Exército israelita está algures entre Beirute e Sidom, e posso ter alguma dificuldade - disse ele. Então fez uma pausa.

     Mas se podes, eu também posso conseguir. Onde nos encontraremos?

     Encontro-te na farmácia do teu primo - disse a ele.

     Eu já havia estado lá; o primo dele morava bem no centro de Sidom.

     Certo - respondeu.

     Ele desligou, e coloquei-me a caminho.

     No dia seguinte, voei dos Estados Unidos para Tel Aviv, chegando aproximadamente às sete horas da manhã. Eu havia dito a Sami que o encontraria à tarde, mas não sabia se conseguiria cumprir a minha promessa.

     Para aumentar a minha ansiedade, o homem da OM atrasou duas horas para me buscar. Ele era um sujeito acomodado, e não estava com pressa. No caminho para o escritório da OM, ao Norte de Israel, ele sugeriu que parássemos para almoçar.

     Parar para almoçar? Não quero ser grosseiro - respondi -, mas não viajei a noite inteira e tive todo este trabalho para parar e almoçar! Preciso chegar a Sidom às 16 horas e em Beirute ao anoitecer. Não tenho a certeza se os israelitas permitirão que eu cruze as suas posições militares.

     Ele compreendeu, e então prosseguimos.

     Quando chegámos à fronteira entre Israel e o Líbano, o portão estava completamente aberto. Ninguém pediu passaportes ou identificação. Os israelitas provavelmente pensaram que ninguém, em sã consciência, conduziria naquela área. Ficamos atrás de um comboio israelita e seguimo-lo. Neste ponto da guerra, o conflito ativo havia rumado do Norte de Sidom para os arredores de Beirute. A maior parte do Sul do Líbano estava sob o domínio de Israel.

     Chegámos a Sidom por volta das três e meia da tarde - mal pude acreditar! Quando descemos em frente à farmácia, lá estava Sami com o seu sorriso característico. Ele veio ao meu encontro, os braços estendidos para um abraço.

     Meu irmão, como conseguiste chegar até aqui? Contei-lhe sobre a ajuda da OM. Quando lhe perguntei a ele como fora a sua viagem, ele sorriu. Eu já o conhecia o suficiente para saber que aquele sorriso significava que fora uma aventura, evitando a artilharia da OLP e os ataques à bomba de Israel.

     Apenas mais um dia normal no Líbano. Agora, vamos até Beirute, antes que escureça - disse ele.

     A nossa situação no Líbano era perigosa, mas acredito que quando estamos na vontade de Deus e seguimos a Cristo, estamos sob a Sua responsabilidade, e Ele cuida de nós. Até que Ele tenha completado o Seu propósito através de nós, nada pode nos tocar sem a Sua permissão - somos "à prova de balas", por assim dizer.

     Antes de sairmos de Sidom, eu queria cumprir a minha promessa de ver o trabalho da OM. Sami ficou feliz em poder me acompanhar. Passamos uma hora com a equipe da OM, e deixei um cheque da Bolsa do Samaritano, para demonstrar o nosso apoio.

     Já estávamos no final da tarde. Sami insistiu.

     Irmão, temos que ir. Quero cruzar as linhas israelitas antes que a luz do dia se ponha. Se entrarmos no seu território à noite, eles podem atirar sobre nós antes de fazerem qualquer pergunta.

     Partimos no carro do Sami. Algumas milhas antes de chegarmos a Beirute, começámos a ouvir o som distante dos tiros e das explosões de bombas. A OLP estava a travar a última batalha na parte central da cidade, e os israelitas tentavam derrotá-los sem destruir todos os prédios; eles usaram a mesma técnica que os aliados na Guerra do Golfo - bombardeio preciso.

     Chegámos aos arredores de Beirute antes de escurecer; entretanto, o Exército israelita desviou a nossa rota para o Leste, para uma estrada secundária que conduzia a um lado da montanha, permitindo uma visão de toda a cidade. Esta estrada seria supostamente segura, pois estava muito distante dos atiradores da OLP.

     Conduzimos sem qualquer interferência até chegarmos à cidade de B'abda, o local do palácio presidencial. Ao entrar­mos em B'abda, percebemos que a artilharia pesada de Israel estava posicionada numa estrada paralela acima de nós. Enquanto seguíamos o nosso caminho pela estrada de baixo, o exército israelita abriu fogo com as suas grandes armas em direção aos palestinianos, que estavam mais abaixo de nós! Não apenas ouvíamos os sons como também podíamos senti-los. A terra tremia. Lembrei-me de uma tempestade de verão com trovões e raios muito próximos e um pique de luz após o outro. Os israelitas estavam a atacar as posições da OLP.

     Quando o canhão foi acionado, Sami instantaneamente pisou no acelerador. O trânsito estava intenso, mas Sami correu estrada abaixo, em zigue-zague, ultrapassando quantos carros fossem possíveis.

     Vai mais devagar! - gritei, agarrando a maçaneta da porta do carro para me segurar.

     Vais matar-nos!

     Sami ignorou os meus pedidos. Ele vivera tempo suficiente em zona de guerra para saber o que estava por vir. É claro que, após alguns segundos, a OLP respondeu aos ataques israelitas com um bombardeio pesado, tentando neutralizar as armas de Israel. Alguns bombardeios, não tendo tanta força, atingi­ram a vila. Outros caíram na estrada onde estávamos. Se Sami não tivesse conduzido como um motorista de táxi louco, acho que teríamos sido atingidos. Várias bombas explodiram bem atrás do nosso carro, abrindo crateras e lançando pedras e poeira para todos os lados.

     Chegámos à estrada principal de Damasco, em Hazmiyeh, uma junção crítica, próxima da linha de combate. No mo­mento em que ali passávamos, os atiradores da OLP abriram fogo. As balas cercaram-nos, atingindo o chão, fazendo baru­lho e então ricocheteando. Sami continuou a acelerar, desvi­ando o carro para frente e para trás, para dificultar-nos como alvo. Ele não diminuiu a marcha até que entrámos numa série de ruas estreitas da cidade, que finalmente nos escondeu dos ataques dos atiradores.

     Somente mais tarde percebi quão perigosa fora a viagem.

     Naquele momento, não tive medo de ser atingido. Eu estava mais preocupado em morrer num acidente de carro! Embora fosse uma situação de vida ou morte, esse tipo de perseguição é excitante enquanto ocorre. Durante toda a corrida, senti muita paz, pois estava numa missão para o Senhor e Ele cuidaria de mim. Mais tarde, comecei a tremer!

     Após o que pareceu uma eternidade, chegámos à casa de Sami, numa parte “mais tranquila” da cidade, do outro lado de Beirute e longe da guerra.

     Naquela noite, ao tentar dormir com o som da artilharia ainda a soar à distância, ocorreu-me que eu provavelmente fosse o primeiro civil nos seus 35 anos a viajar de automóvel do aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv para Beirute no mesmo dia! Agradeci ao Senhor pela sua proteção.

     Durante os dias que se seguiram, acompanhei Sami por toda a cidade de Beirute. A cidade estava um caos. A preocupação imediata de Sami eram as famílias da sua igreja. Por várias vezes, ele arriscou a sua vida - e a minha também - entregando alimentos nos lares sob a linha de fogo.

     Às três e quinze da madrugada de domingo, uma bateria de canhões acordou-nos. Mais tarde, ficámos a saber que os israelitas haviam disparado o seu ataque mais pesado contra Beirute Ocidental. Eles avançavam do Sul para controlar o aeroporto e os campos de refugiados do Norte.

     A OLP reagiu, apontando as suas armas contra as áreas civis de Beirute Oriental, numa franca tentativa de causar pânico em toda a cidade. A OLP sabia que estava a perder. Bombas e tiros atingiam toda a área. Felizmente, nenhum deles atingiu a casa de Sami, mas chegaram perto.

 

Ministério diferente na igreja em Karantina

     Eu deveria pregar na igreja em Karantina naquela manhã, mas Sami disse:

     Precisei cancelar o culto, meu irmão. É muito perigoso.

     Não podes pregar hoje.

     Percebi que ele estava pronto para sair, então perguntei para onde ele ia.

     Vou comprar alimentos e levar às pessoas que não podem sair.

     Quero acompanhar-te.

     Não, não. Impossível!

     Sami, eu vou contigo.

     Não posso permitir isso, meu irmão. É muito perigoso!

     Bem, Sami, se Deus pode proteger-te, não achas que também pode proteger-me?

     Ele ficou a olhar-me, e consentiu.

     Está certo - concordou finalmente.

     Depois fez aquele sorriso característico dele, o qual interpretei significar que teríamos um dia interessante.

     Ao sairmos da sua casa, fomos para uma vila nos arredores de Beirute.

     Vê, vê meu irmão!

     Sami sorriu enquanto estacionávamos em frente a uma padaria aberta.

     Os libaneses nunca perdem a oportunidade de ganhar dinheiro. Vamos comprar alguns pães frescos.

     Enchemos o porta-malas com o máximo possível de pães.

     Alguns quarteirões adiante, avistámos um talho aberto. Novamente parámos, e comprámos dez quilos de bifes, que lotou o banco traseiro do carro.

     Beirute normalmente possuía o pior congestionamento de tráfego do mundo. Assim, era estranho ver todas as ruas vazias naquela manhã. De repente, uma granada atingiu a estrada alguns metros à nossa frente com um tremendo BOOM! Asfalto e estilhaços de granada voaram para todos os lados. Sami nem ao menos diminuiu a velocidade.

     Fomos de casa em casa. A maioria das pessoas, com o medo estampado no rosto, escondia-se nos porões. Quando entrávamos nos abrigos, o ar pesado e cheio de fumaça chocava-nos sempre. Sami nunca hesitava. Com a lanterna na mão, entrávamos pelos corredores principais e nos porões, chamando pelos nomes do seu rebanho.

     Sami! Sami! - respondiam as suas vozes com alegria e ansiedade.

     Meu irmão, vê a alegria deles - dizia-me ele.

     Durante anos, eles conviveram com a agonia e a morte.

     Ajudei Sami a carregar os pequenos sacos plásticos, contendo pães e um quilo de carne. Quando entregávamos as sacolas, as pessoas choravam, deixando-nos embaraçados.

     Antes de sairmos, Sami orava sempre e lia um ou dois versículos bíblicos de conforto.

     No meio do dia, dirigimos até ao prédio da igreja para ver uma família que ali residia. Precisávamos conversar com eles e nos certificarmos de que estavam bem. Quando estávamos a sair, fui até ao carro para fazer a volta. Nesse momento, a artilharia da OLP atingiu o prédio ao nosso lado. O som foi tão alto que, por alguns segundos, pensei que as instalações da igreja tivessem sido atingidas.

     Sami, que estava a trancar a porta das instalações da igreja, virou-se para mim e gritou:

     Vem!

     Ele nem precisava gritar - eu já estava a correr para me abrigar. Entrei em um pequeno corredor e ajoelhei-me sob alguns degraus com Sami, um segundo antes do estouro de outra granada. Cimento e aço caíram no chão. Eu estava certo de que a outra granada cairia sobre nós.      

     Aquilo já não era mais uma aventura. O medo sobreveio-me ao imaginar como seria ficar enterrado sob toneladas de cimento e aço. Aguardámos vários minutos e nada aconteceu. Mas, durante aqueles breves momentos, pude sentir mais claramente o sofrimento mental experimentado há anos pelos habitantes da região.

     Ao nos abrigarmos sob aqueles degraus, Sami olhou-me e, com o seu famoso sorriso, perguntou-me:

     Irmão, tens a certeza de que estás na vontade de Deus? Com aquelas granadas quase a caírem no nosso colo, pensei por um momento - mas só por um momento. Sem dúvida: eu estava exatamente onde Deus queria - com Sami Dagher e a sua igreja.

     Este é o propósito da Bolsa do Samaritano, pensei. Ajudar pessoas como Sami Dagher. O seu ministério demonstra a verdadeira compaixão Cristã em ação.

 

 

 

 

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