Discípulos esfomeados

George Verwer
     H.G. Wells disse no seu Outline of History (Esboço da História): "Pouco depois de Jesus Cristo ter morrido, aqueles que afirmavam segui-lO desistiram da prática dos Seus princípios revolucionários". Sim, " revolucionários", foi a sua descrição, e como ele tinha razão! A igreja tem-se agarrado a estruturas e a muitas das doutrinas, mas perdeu o âmago da verdade que Jesus ensinou.

     Hoje, pode-se notar cada vez mais a diferença entre os que "dizem ser evangélicos" e os que "são evangélicos". À medida que vou visitando escolas bíblicas, uma após outra, e um número crescente de instituições cristãs, encontro muitos "faladores" de cristianismo, — mas poucos que o vivem

     Não apenas eu, mas muitos jovens cristãos estão profundamente conscientes desta discrepância. Muitos têm ficado desiludidos por esta contradição entre a fé e a vida.

     Se estivermos bem informados, iremos reconhe­cer que muitos dos jovens que crescem enas igrejas negam a fé antes de chegarem aos vinte e cinco anos. Interrogamo-nos por que, e alguns dizem: "Devem ser os últimos dias" — os dias de apostasia e juízo. Isso pode ser verdade, mas não é explicação suficiente para as nossas trágicas derrotas diante de Satanás.

     Alguns cristãos afirmam que a resposta está num "bom e são ensino bíblico". Mas isto também não chega. Nunca na história da igreja houve tantas conferências bíblicas, estudos bíblicos pela rádio e livros de estudo bíblico. Sabias que há mais de mil livros à venda, em língua inglesa, sobre as epísto­las paulinas? E hoje em dia, temos também excelen­tes estudos bíblicos gravados. Podes ouvir ilus­tres professores da Bíblia, em tua casa, apenas premindo o botão dum rádio.

     Temos todas as oportunidades de aprender a respeito da vida e ensinos de Paulo, mas onde estão os Paulos do século vinte? Onde estão os homens preparados como ele e os seus companheiros para enfrentarem o frio, os naufrágios e os ladrões por amor do evangelho, e para agradecer a Deus os vergões que lhes dilaceravam as costas? Temos mui­tos servos de Deus sinceros e muitos e grandes pregadores. Mas onde estão aqueles que podem dizer com Paulo que não cessava noite e dia de admoestar a homens e mulheres, com lágrimas? É muito Difícil, senão impossível, encontrar tais homens. Porquê? A razão, creio eu, está em que nós temos separado as nossas convicções bíblicas do nosso viver diário. Paulo nunca fez isso.
Nós queremos servir ao Senhor e afirmamos:

     "Estou pronto a servir ao Senhor, se, simplesmente, puder encontrar o meu lugar no Seu serviço!" Não o encontrando, sentimo-nos frustrados. O que é que está mal?
Deus está muito mais interessado em que encontres o teu lugar no próprio Cristo, do que no Seu serviço. O essencial no viver cristão não é o lugar para onde vais, nem aquilo que fazes, mas sim, na força de quem vives. Podes ir para além da Cortina de Ferro, ou simplesmente atravessar a rua para servir o Senhor, mas de quem ê a força na qual vais? Vejamos o caso de Paulo. Em Atos 2O:19-2O, lemos acerca dele: "Servindo ao Senhor com toda a humildade, lágrimas e provações que, pelas ciladas dos judeus, me sobrevieram; jamais deixando de vos anunciar cousa alguma proveitosa, e de vô-la ensinar publicamente e também de casa em casa."

     Repara nas palavras: "com toda a humildade." O apóstolo não diz que serve ao Senhor com grandes pregações, distribuição de literatura, tremendas cam­panhas através da Cortina de Ferro e grandes façanhas na Turquia e na índia. Ele diz que serviu ao Senhor com muitas lágrimas e tentações. O discipulado é antes de tudo uma questão de coração. A não ser que o coração esteja bem, tudo o mais estará mal. Os nossos corações precisam experimentar uma profunda fome e anseio de Deus.

     Fome de Deus é a marca genuína dum discípulo. Dá-me a confirmação de que eu sou Seu filho e de que Ele está trabalhando em mim. O que eu faço para Deus não prova que eu seja um discípulo. Posso tentar cumprir os termos do Sermão da Montanha, ou dos credos da igreja; posso viver frugalmente e viver no chão; mas estas coisas não me definem como discípulo. A maneira de saber que sou discípulo é ter fome intensa e insaciável pelo Senhor da Glória crucificado. Se esta é a tua experiência, se anelas por uma comunhão profunda com o teu Criador, se desejas conhecê-lo intimamente, andar com Ele e respi­rar com Ele — embora possas parecer um fracas­sado e tenha cometido inúmeros erros graves — então estarás bem no caminho para o discipulado.

George Verwer



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