Falar ou calar?

horatius_bonar.jpg     Temos aqui algum perigo de cairmos num Cristianismo envergonhado e mole, sob o apelo de uma teologia etérea (irreal) e arrogante. O Cristianismo nasceu para ser resistente; não uma planta exótica, mas, sim, uma planta forte, imune ao frio, rodeada por um vento cortante; não lânguida (frouxa), nem infantil nem cobarde.

     Anda com passo forte e postura erecta; é bondoso, mas firme; suave, mas correcto; calmo, mas não superficial; prestativo mas não imbecil; decidido, mas não grosseiro. Não teme dizer a palavra severa de condenação contra o erro, nem levantar a voz contra os males ao redor, sob o pretexto de que não é deste mundo; não evita dar uma reprovação honesta só para que não venha a ser responsabilizado por ter exibido um sentimento anticristão.

     Chama pecado ao pecado, onde quer que ele se encontre, e arriscaria antes a acusação de actuar com um sentimento mau do que não cumprir um dever explícito.

     Propomo-nos em não condenar palavras fortes usadas em discussões honestas. No calor (da discussão) pode estar escondida uma víbora que salta diante de nós, mas nós sacudimo-la e ela não nos causará nenhum mal.

     A religião de ambos os Testamentos, tanto do Antigo quanto do Novo, é marcada por testemunhos francos e fervorosos contra o mal.

     Falar palavras amaciadas em tal caso será sentimentalismo, mas não é Cristianismo. Seria traição à causa da verdade e da retidão. Se qualquer um deve ser franco, valoroso, honesto, alegre (eu não digo obtuso nem rude, pois um Cristão deve ser cortês e gentil); o Cristão é aquele que provou que o Senhor é gracioso, e ele aguarda e apressa a vinda do dia de Deus.

     Sei que esse cobrirá de amor uma multidão de pecados; mas não chama bem ao mal só porque foi um homem bom que fez esse mal; não desculpa inconsistências só porque o irmão inconsistente tem um nome honrado e um espírito fervoroso; desonestidade e mundanismo continuam a ser desonestidade e mundanismo, embora exibido em um que parece ter alcançado uma posição elevada e realizações fora do comum.
 
Horatius Bonar

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