Quando estou fraco
Muitos jovens começam o serviço cristão convencidos de que são crentes dedicados e fiéis. Foram encorajados a pensar assim pelos elogios dos amigos ou responsáveis da Igreja. E talvez realmente eles se tivessem erguido acima do cristão médio à sua volta. Mas o serviço na linha de fogo torna-os cada vez mais conscientes das palavras de Jesus: "Sem Mim, nada podeis fazer" (João 15:5).
Todos os obreiros Cristãos chegam a determinada altura - se são honestos - ao ponto em que já não podem afirmar naturalmente a sua dedicação ao Senhor. Reconhecem simplesmente, sem qualquer dúvida, que não são Hudson Taylor, George Muller ou Charles T. Studd. O resultado pode ser uma depressão extrema: uma vez que constantemente fracassam quando tentam grandes façanhas, concluem que não há qualquer esperança para eles.
Graças ao apóstolo Paulo, temos um exemplo que tem provado este caminho para a vitória. "E disse-me: A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade pois, me gloriarei nas minhas fraquezas para que em mim habite o poder de Cristo" (2 Coríntios 12:9).
Quando estiveres numa situação difícil, quando os demónios da discórdia, crítica, desentendimentos e confusão te esmagarem, como se estivesses a ser espremido, recorda estas palavras: "A Minha graça te basta". Sem este conhecimento e confiança não pode sobreviver ao combate que espera ao discípulo de Cristo.
Poderá o custo da peleja cristã ser menor do que o de nações em conflito? Se é, então não é peleja. Alexandre Duff, o santo de Deus escocês, conhecia o preço. Chorando enquanto enfrentava a multidão, ele perguntou se a Escócia tinha mais filhos para dar. "Quando a rainha Vitória pede voluntários para a Índia, centenas respondem" - lembrou ele; - "mas quando o Rei Jesus chama, ninguém vai". O silêncio foi total. "Se não há ninguém que vá" - continuou ele - "então, eu voltarei lá. Irei e deixarei os meus ossos junto do Ganges, para que a Índia saiba que a Escócia tem ao menos um que se interessa por ela".
Quer permaneçamos em casa ou vamos para o estrangeiro, o apelo de Cristo às nossas vidas é uma chamada à batalha. O inimigo é poderoso; ele arrasta e engana as almas para o inferno; ele devasta as esperanças e os planos dos homens na terra. Todavia, Jesus pode derrotá-lo através de qualquer cristão que envergue a sua armadura espiritual (Efésios 6:11-18). Portanto, a nossa esperança está no todo suficiente Senhor Jesus, não em nós mesmos. Quaisquer que sejam as circunstâncias: "A Minha graça te basta" é a promessa de Deus.
Alguém disse que "graça são as riquezas de Deus à custa de Cristo". Esta definição realça a grande dádiva que Deus nos concedeu por Cristo. São as riquezas do Deus infinito herdadas pela morte e ressurreição do Seu Filho. É realmente muito fácil tornarmo-nos indiferentes ao que Cristo fez por nós na cruz. É de facto muito possível reunirmo-nos em torno da Mesa do Senhor, descuidadamente. Quando isto acontece, estamos a considerar de nenhum valor as riquezas da graça de Deus!
Há uma outra maneira de tornar vã a graça de Deus; fazemo-lo quando a menosprezamos. Se chegamos ao ponto de desesperar e dizer: "Ó Deus, o que é que adianta? Eu não posso ir mais além - e tu também não me podes ajudar" - estamos a negar a graça de Deus. É, precisamente nesse momento, que nós podemos descobrir que a Sua graça, a Sua suficiência, a Sua vida e o Seu poder estão ao nosso alcance para nos levar até ao fim. Isto é trágico e pecaminoso.
As exigências e padrões de Cristo são, sem dúvida, extremas - de facto, impossíveis. Mas Jesus não nos pede que vivamos a vida cristã; pede-nos, sim, que O deixemos vivê-la em nós. Não houve graça para o homem que se considerava a si mesmo justo e que orou: "Graças te dou, Senhor, porque não sou como os demais". Mas houve graça para aquele que chorou: "Sou um pecador; Senhor. tem misericórdia de mim!" A completa suficiência do Senhor Jesus Cristo compensa a nossa deficiência. Não podemos ganhar a Sua graça; só a podemos obter, indo vazios à cruz.
Paulo afirma uma grande verdade em Colossenses 2:9,10, "Porque n’Ele (Cristo) habita corporalmente toda a plenitude da divindade; e estais perfeitos n’Ele". Perfeitos! Estaremos conscientes disto quando lutamos por adquirir uma boa reputação? Estaremos conscientes disto quando alguém nos priva de consideração? Estaremos conscientes disto quando não nos sentimos à vontade num grupo? Talvez nos sintamos pior quando sofremos perseguição ou doença por servirmos a Deus. Ou poderemos desfalecer na cadeia por amor da justiça. Os nossos planos falham; o nosso testemunho é rejeitado. Como nos sentimos então?
Estais perfeitos em Cristo! A nossa perfeição não está em Cristo mais amigos, em Cristo mais serviço, em Cristo mais posição, Cristo mais almas salvas. Estamos perfeitos só em Jesus! N'Ele está toda a plenitude, por isso Jesus é tudo o que precisamos. Tudo o mais pode falhar; Jesus nunca nos deixará, nem abandonará.
Surja o que surgir para nos desencorajar, podemos fazer eco da convicção de Paulo: Jesus é suficiente para o que quer que seja. A questão não está na Sua suficiência, mas só na nossa confiança n'Ele. Nós não somos capazes de avançar, simplesmente, não conseguiremos! Poderemos querer desistir: o Senhor está a pedir demasiado de nós! Em qualquer ocasião, Ele é suficiente. Ele diz-nos: "Estais perfeitos em Mim". Fomos feitos agradáveis a Deus, em Cristo, o Amado.
Todos buscamos aceitação; todos desejamos que necessitem, gostem e cuidem de nós.
Se esperamos vir a encontrar o marido ou a esposa ideal para satisfazer essas necessidades, iremos ficar desapontados. Nem mesmo um marido ou uma esposa pode preencher os anseios mais profundos do nosso coração, porque fomos feitos para Deus. Só Ele pode baixar até nós e encher esse profundo vazio; só Ele pode satisfazer.
Em Jesus Cristo, somos agora aceites por Deus. Fomos aceites, não por um grupo social, mas pelo Deus infinito. Fomos aceites, não na nossa virtude manchada, mas no perfeito Senhor Jesus Cristo. Com esta confiança a motivar-nos, nada nas alturas, ou nas profundezas, na vida ou na morte, nem em todo o universo, nos pode fazer parar, porque nada Lhe pode resistir. A Sua graça abundante e transbordante é nossa - se a quisermos receber.
George Verwer



