O Castigo Eterno (VIII)

3. O que espera o pecador na morte.

     O Senhor Jesus falou mais a respeito dos ímpios do que de qualquer outro, pelo que será bom atentar para o que Ele disse. Em Lucas 16 vêmo-Lo levantar o véu que nos impedia de ver o que acontece para além da morte. Ele fala dum homem rico que morreu «e foi sepultado» (v.22). Vemos que este não deixou de existir. Longe disso, vemos que o Senhor acrescentou, «E, no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos».

     Hades é a palavra Grega para palavra Sheol, no Hebraico. Isso vê-se claramente comparando o Salmo 16.10 com Actos 2.27: «Pois não deixarás a minha alma no inferno (Sheol), nem permitirás que o teu Santo veja corrupção» (Sal. 16.10); «Pois não deixarás a minha alma no Hades, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção» (Act. 2.27).

     É errado traduzir estas palavras por sepultura, pois há uma palavra para sepultura, e há coisas que são ditas do sepulcro que não podem ser ditas do Sheol ou Hades e vice-versa. Tanto as palavras Hebraica como Grega para sepultura ocorrem no plural; mas Sheol e Hades nunca. A palavra para sepultura é sempre referida como possessão individual -  “o meu sepulcro” (Gén. 50.5); “sepulcro de Abner” (2 Sam. 2.32); “a sua (de José) sepultura nova” (Mat. 27.60);  “as sepulturas dos justos” (Mat. 23.29). Nunca lemos do corpo entrar no Sheol ou Hades, pelo que nunca deveriam ser traduzidos por sepultura. A razão de o fazerem é por se ver que tanto salvos quanto ímpios vão para este lugar, mas é importante ter em mente que este lugar (Sheol, ou Hades) tinha 2 compartimentos reservados especificamente para salvos e perdidos. E “entre” os dois, o Senhor disse que havia “um grande abismo” (Luc. 16.26). O compartimento que estamos a considerar é o que recebe as almas dos ímpios. Neste, o Senhor disse haver uma chama que atormenta. Isso está em perfeita harmonia com o ensino do Velho Testamento sobre o Sheol. Em Deuteronómio 33.22 lemos, «Porque um fogo se acendeu na Minha ira, e arderá até ao mais profundo do inferno (Sheol)».

     Na parábola do joio o Senhor disse, «Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no Meu celeiro». A explicação disto encontra-se nos vers. 40-42 do mesmo capítulo: «Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do Homem os Seus anjos, e eles colherão do Seu Reino tudo o que causa escândalo e os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes». Como isto ocorre no fim deste século e antes que o juízo comece, a fornalha de fogo deve referir-se ao Hades e não ao Lago de Fogo.

     Voltando ao ensino de Lucas 16 a respeito da experiência dos ímpios imediatamente após a morte, lemos, «E, no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos». Temos aqui um ser consciente., num lugar definido, a sofrer dolorosamente. Ele estava em “tormentos”. Tão grande era a sua angústia que ele suplicou que Lázaro lhe molhasse «na água a ponta do seu dedo» e lhe refrescasse a língua (v. 24). Mas foi-lhe negado tal alívio. Ele foi convidado a lembrar-se de como tinha vivido – um adorador de Mamom. Tal é com certeza a condenação de todos os que morrerem nos seus pecados.
(Continua)

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